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Sustentabilidade em risco: empresas portuguesas ainda falham no reporte climático

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Escrito por Paulo H. S. Nogueira Publicado em 02/12/2025 às 08:36 Atualizado em 02/12/2025 às 17:54
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A discussão sobre sustentabilidade avançou rapidamente na última década, especialmente depois das primeiras diretrizes globais de reporte ambiental e, posteriormente, com o fortalecimento das normas europeias.

Mesmo assim, segundo o site KPMG Portugal (2025), metade das empresas portuguesas ainda não quantifica os impactos financeiros dos riscos climáticos, apesar de já estarem obrigadas a reportar esses dados pelas Normas Europeias de Relato de Sustentabilidade (ESRS). Essa constatação gera preocupação, sobretudo porque a adaptação climática se tornou essencial para a competitividade no cenário global.

Embora muitas organizações já reconheçam a importância do tema, o estudo “ESRS: lições aprendidas para o futuro”, realizado pela KPMG, mostra que ainda existe grande distância entre a consciência ambiental e a prática efetiva. Além disso, segundo o site da própria consultoria, a pesquisa cobre 20 empresas portuguesas e compara os resultados com um universo internacional composto por 270 organizações europeias que também reportaram sob os mesmos padrões. Dessa forma, o relatório identifica avanços, mas também evidencia lacunas significativas que precisam ser tratadas com urgência.

O histórico da evolução da sustentabilidade corporativa

A jornada da sustentabilidade no contexto empresarial europeu começou a ganhar força no início dos anos 2000, quando relatórios voluntários se popularizaram entre grandes corporações. Posteriormente, a criação do Green Deal Europeu em 2019 acelerou o processo, impondo metas obrigatórias para redução de emissões e aumento da transparência climática. Desde então, empresas de todos os setores passaram a reestruturar processos internos para reportar indicadores ambientais de maneira robusta.

Contudo, de acordo com o governo europeu, a implementação das ESRS representa o passo mais ambicioso até hoje. Essas normas exigem que empresas mensurem, validem e divulguem dezenas de indicadores ambientais, incluindo emissões diretas e indiretas, riscos financeiros ligados ao clima e estratégias de mitigação. No entanto, mesmo com essa exigência, o estudo mostra que muitos negócios ainda não conseguem integrar esses indicadores ao planejamento financeiro.

Ainda assim, essa dificuldade não se limita a Portugal. A KPMG relata que grande parte das empresas europeias também enfrenta desafios para quantificar riscos climáticos, embora o percentual português se destaque negativamente. Essa comparação reforça a necessidade de avanços estruturais dentro do ambiente corporativo nacional.

A importância de quantificar riscos para garantir sustentabilidade

A quantificação dos riscos climáticos deixou de ser uma recomendação e passou a ser uma exigência regulatória. Isso ocorre porque tempestades, secas, incêndios, aumento do nível do mar e crises hídricas se tornaram eventos frequentes e com impacto direto nos resultados das empresas. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a esperança média de vida aos 65 anos tem subido, o que exige maior longevidade financeira do sistema econômico e maior estabilidade ambiental.

Portanto, quando uma empresa não estima os danos potenciais do clima sobre sua operação, ela coloca em risco não apenas sua estabilidade, mas também seus investidores, consumidores e comunidades. Além disso, segundo o relatório da KPMG, a ausência de métricas financeiras climáticas compromete a credibilidade dos relatórios de sustentabilidade, reduzindo sua utilidade para auditorias e para o mercado financeiro.

Mesmo assim, muitas organizações alegam que a mensuração desses riscos exige dados complexos e metodologias avançadas, o que dificulta a aplicação imediata das normas. Apesar disso, especialistas afirmam que adiar esse processo pode dificultar ainda mais a adaptação futura.

Como as empresas portuguesas se comparam ao cenário internacional

Embora Portugal tenha avançado em algumas áreas, o relatório da KPMG demonstra que ainda há discrepâncias expressivas quando as empresas portuguesas são comparadas à média europeia. Segundo a análise, grande parte das corporações internacionais já consegue quantificar parte dos riscos ambientais, enquanto os negócios portugueses ainda enfrentam obstáculos metodológicos e estruturais.

Esse cenário pode prejudicar o país na corrida global por investimentos sustentáveis. Desde 2021, fundos internacionais passaram a priorizar empresas com forte governança ambiental, seguindo critérios ESG rigorosos. Assim, organizações que não apresentam relatórios completos podem perder espaço em mercados competitivos.

Por outro lado, o estudo também destaca boas práticas observadas em empresas que já incorporaram totalmente as diretrizes ESRS. Essas organizações apresentam relatórios transparentes, estratégias de mitigação, análises de cenários e planos de adaptação baseados em dados reais. Esses exemplos mostram que a transformação é possível e que investimentos em capacitação e tecnologia fazem diferença significativa.

A sustentabilidade como exigência permanente

Embora o processo seja desafiador, a sustentabilidade não pode mais ser tratada como tendência passageira. Segundo a Comissão Europeia, a crise climática exige ações imediatas e coordenadas. Portanto, empresas que atrasam sua adaptação podem comprometer o futuro de toda a cadeia produtiva. Além disso, relatórios incompletos deixam de informar investidores sobre potenciais riscos, reduzindo a confiança do mercado.

Ainda assim, o estudo da KPMG ressalta que a transição para um modelo de reporte mais robusto exige tempo, treinamento e novas tecnologias. Organizações que entendem essa necessidade já buscam soluções digitais que automatizam parte da coleta de dados, aumentando a precisão das informações divulgadas.

Ao mesmo tempo, segundo o site KPMG Portugal, empresas portuguesas demonstram disposição para evoluir e já adotam boas práticas em outras áreas, como governança, ética e gestão de resíduos. No entanto, a medição dos riscos financeiros climáticos permanece como o maior desafio e o principal ponto de atenção para os próximos ciclos de reporte.

A urgência de avançar rumo a uma sustentabilidade real

Esse conjunto de informações revela que Portugal se encontra em um momento decisivo. Embora haja reconhecimento sobre a importância da sustentabilidade, ainda falta consistência no uso de métricas, algo essencial para garantir a resiliência econômica e ambiental nos próximos anos. Portanto, a adaptação às normas europeias deve ser encarada como prioridade.

Ao mesmo tempo, empresas que avançarem mais rápido ganharão vantagem competitiva, pois consumidores e investidores já exigem transparência total. Assim, a sustentabilidade continuará a moldar decisões corporativas, políticas públicas e estratégias globais de desenvolvimento pelas próximas décadas.

Paulo H. S. Nogueira

Sou Paulo Nogueira, formado em Eletrotécnica pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), com experiência prática no setor offshore, atuando em plataformas de petróleo, FPSOs e embarcações de apoio. Hoje, dedico-me exclusivamente à divulgação de notícias, análises e tendências do setor energético brasileiro, levando informações confiáveis e atualizadas sobre petróleo, gás, energias renováveis e transição energética.

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