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União Europeia suspende a aprovação do acordo comercial com os EUA em meio às ameaças de Trump sobre a Groenlândia, tensão entre Europa e Estados Unidos aumenta, mercados reagem e retaliação com tarifas entra no radar

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 21/01/2026 às 19:20
União Europeia suspende a aprovação do acordo comercial com os EUA em meio às ameaças de Trump sobre a Groenlândia, tensão entre Europa e Estados Unidos aumenta, mercados reagem e retaliação com tarifas entra no radar
Em Estrasburgo, o Parlamento Europeu suspendeu a aprovação do acordo com os Estados Unidos com tarifa de 15 por cento para pressionar por cooperação, elevando a tensão sobre a Groenlândia e chamando atenção de líderes em Davos
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Em Estrasburgo, o Parlamento Europeu suspendeu a aprovação do acordo com os Estados Unidos com tarifa de 15 por cento para pressionar por cooperação, elevando a tensão sobre a Groenlândia e chamando atenção de líderes em Davos

Nesta quarta-feira, em Estrasburgo, na França, uma decisão anunciada no coração da União Europeia coincidiu quase no mesmo momento em que Donald Trump discursava no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

O movimento travou a etapa final de um acordo comercial fechado em julho, em Turnberry, Escócia, e recolocou a relação entre Estados Unidos e União Europeia em um cenário de pressão, ameaça e possível retaliação.

O detalhe que mais chamou atenção foi a conexão direta com a Groenlândia, território da Dinamarca: segundo o texto, a exigência de Trump de assumir o controle da ilha foi o estopim para a suspensão.

Enquanto Trump dizia que não usaria força militar, o choque já tinha atingido mercados financeiros e reativado conversas sobre guerra comercial e resposta europeia.

O que aconteceu em Estrasburgo e por que a decisão virou destaque internacional

O Parlamento Europeu suspendeu a aprovação do acordo comercial com os Estados Unidos, que ainda precisava passar por votação para virar oficial.

A medida foi anunciada em Estrasburgo, na França, e veio como protesto às ameaças associadas ao tema Groenlândia, que pertence ao Reino da Dinamarca, Estado membro da União Europeia.

A suspensão elevou o nível de tensão entre Washington e capitais europeias, porque o impasse envolve soberania territorial, um ponto sensível para o bloco.

A repercussão foi imediata porque o anúncio coincidiu com a presença de Trump em Davos, um palco global onde declarações costumam ter efeito direto nos mercados.

O acordo de Turnberry de julho, o que mudou e por que ficou travado

As tensões tinham diminuído desde julho do ano passado, quando as partes chegaram a um acordo no campo de golfe de Trump em Turnberry, na Escócia.

Esse acordo definia que as tarifas dos Estados Unidos sobre a maioria dos produtos europeus ficariam em 15 por cento, bem abaixo dos 30 por cento que Trump havia ameaçado inicialmente durante a onda de tarifas do chamado Dia da Libertação, em abril.

Em troca, a Europa concordou em investir nos Estados Unidos e fazer mudanças no continente que eram esperadas para impulsionar exportações americanas.

Mesmo com o acerto político, o texto dependia do aval do Parlamento Europeu para ser oficial, e essa etapa agora foi colocada em pausa.

Ursula von der Leyen e Donald Trump sentados em uma reunião na Escócia, em julho de 2025, na qual concordaram com o tratado comercial.

Bernd Lange eleva o tom, cita soberania e abre espaço para a bazuca comercial

Dias depois de Trump ameaçar impor tarifas à Groenlândia, Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, afirmou que não restava alternativa além de suspender o trabalho nas duas propostas legislativas ligadas a Turnberry.

Ele disse que a implementação dos planos comerciais ficará suspensa até que os Estados Unidos voltem ao caminho da cooperação em vez da confrontação, e antes que novas medidas sejam tomadas.

Lange também declarou que as ações de Trump ameaçaram a integridade territorial e a soberania de um Estado membro da União Europeia, e afirmou compromisso com a soberania e integridade territorial de Dinamarca e Groenlândia.

Em entrevista após o anúncio, Lange indicou que não haverá possibilidade de compromisso enquanto as ameaças continuarem e levantou a hipótese de usar o Instrumento Anticoerção Econômica, conhecido como bazuca comercial, para responder.

A cobertura foi detalhada por BBC News, veículo de notícias internacional, e incluiu ainda a fala de Manfred Weber, parlamentar alemão influente, dizendo que a aprovação do acordo não é possível nesta fase.

Mercados reagem, Trump fala em Davos e reforça interesse na Groenlândia sem força militar

As bolsas dos dois lados do Atlântico caíram na terça feira, mas as perdas foram revertidas na quarta feira depois que Trump prometeu não usar força militar para tomar a Groenlândia.

Em Davos, Trump reiterou o interesse de que os Estados Unidos adquiram a Groenlândia e disse que não precisa usar a força, não quer usar a força e não usará a força.

Mesmo assim, pediu negociações imediatas com a Dinamarca sobre como poderia assumir o controle da ilha, afirmando que isso é crucial para a segurança dos Estados Unidos e do mundo.

A combinação de ameaça econômica e recuo militar foi suficiente para manter o tema no centro das atenções, porque o risco de escalada comercial não desapareceu.

Datas, valores e prazos, o que os números revelam sobre a disputa comercial

A suspensão do acordo reabre a dúvida sobre retaliações europeias contra os Estados Unidos.

O bloco já havia anunciado que poderia taxar produtos americanos no valor de US$ 109.000 milhões em resposta às tarifas do Dia da Libertação, mas havia suspendido o plano enquanto os detalhes do acordo comercial eram finalizados.

Esse respiro termina em 6 de fevereiro, o que significa que as tarifas europeias entram em vigor em 7 de fevereiro, a menos que a União Europeia aprove uma prorrogação ou o novo acordo.

O presidente francês Emmanuel Macron é citado como um dos líderes que pressionam a União Europeia a considerar opções de retaliação, incluindo a bazuca comercial, e Lange disse que apoia a medida, com decisão prevista para a segunda feira.

Macron disse que a União Europeia poderia adotar retaliações tarifárias contra os Estados Unidos.

Comércio de US$ 1,9 trilhão e o que pode acontecer agora com União Europeia e Estados Unidos

Estados Unidos e União Europeia, com 27 países, formam os maiores parceiros comerciais do mundo, com mais de US$ 1,9 trilhão em bens e serviços em 2024, segundo números europeus, o que representa quase um terço do comércio mundial.

No mesmo ambiente de Davos, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pediu que líderes europeus não retaliassem e disse para sentarem, respirarem fundo e manterem a mente aberta.

O texto também aponta que apenas China e Canadá mantiveram ameaças de impor tarifas contra produtos americanos, embora o Canadá tenha retirado discretamente a maioria das medidas em setembro, preocupado com danos à economia.

Ainda em Davos, o primeiro ministro canadense Mark Carney defendeu que potências médias se unam diante de um mundo de rivalidade entre grandes potências, alertando que negociar bilateralmente com uma potência hegemônica leva a aceitar o que é oferecido e a competir para ser mais complacente.

Por trás de tudo, ainda existe uma decisão pendente da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a legalidade de muitas tarifas anunciadas por Trump no ano passado, um fator que pode mexer com os próximos passos.

No fim, o que parecia um acordo encaminhado virou uma pausa estratégica: a União Europeia travou a aprovação, colocou prazos na mesa e deixou claro que a disputa sobre a Groenlândia pode custar caro no comércio global.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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