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Nanoespinhos antivirais criam superfície antiviral que destrói 96% dos vírus em 6 horas sem químicos e mira hospitais, transporte e telas de uso diário

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 27/04/2026 às 17:34
Atualizado em 27/04/2026 às 20:30
Superfície antiviral da RMIT usa nanopilares para inativar até 96% dos vírus em 6 horas sem produtos químicos.
Superfície antiviral da RMIT usa nanopilares para inativar até 96% dos vírus em 6 horas sem produtos químicos.
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Os nanoespinhos antivirais criados por pesquisadores da Universidade RMIT, na Austrália, formam uma superfície antiviral de silício capaz de perfurar vírus por ação mecânica, sem biocidas, com potencial de aplicação em hospitais, transporte público, escritórios, escolas, telas, teclados e corrimãos.

Pesquisadores da Universidade RMIT, na Austrália, desenvolveram uma superfície antiviral nanotexturizada de silício capaz de inativar até 96% da infectividade viral em cerca de 6 horas. A tecnologia usa nanoespinhos antivirais invisíveis ao olho humano para perfurar partículas virais por ação física, sem biocidas nem revestimentos químicos agressivos.

A inovação foi criada para reduzir a presença de vírus em superfícies de contato frequente, como mesas, maçanetas, telas, barras de transporte e equipamentos compartilhados. Em vez de depender apenas de limpeza constante, a proposta usa o próprio desenho da superfície para agir sobre os vírus.

O material parece preto e uniforme a olho nu, mas muda completamente em escala nanométrica. Nessa dimensão, a superfície é coberta por milhões de nanopilares extremamente afiados, estruturas tão pequenas que não podem ser vistas diretamente sem instrumentos adequados.

Nanoespinhos antivirais perfuram a membrana dos vírus

Quando uma partícula viral entra em contato com a superfície antiviral, os nanopilares perfuram a envoltura lipídica do vírus. Essa membrana funciona como uma camada protetora que permite ao vírus infectar células, e sua ruptura faz a partícula perder integridade e deixar de ser infecciosa.

O funcionamento ocorre sem reação química e sem degradação progressiva. A ação dos nanoespinhos antivirais é descrita como uma destruição mecânica, baseada na pressão exercida pelas pontas nanométricas sobre a estrutura viral.

Os ensaios foram realizados com o vírus respiratório hPIV-3. A superfície conseguiu eliminar até 96% da infectividade em cerca de 6 horas, enquanto vírus mantidos em superfícies lisas permaneceram praticamente intactos no mesmo tipo de comparação.

A distância entre os nanopilares também influencia o resultado. Quanto mais próximos ficam os nanoespinhos antivirais, maior é o número de pontos de pressão sobre cada partícula viral, aumentando a probabilidade de ruptura.

Hospitais, transporte e telas estão entre as aplicações

A superfície antiviral foi pensada para ambientes em que o contato com objetos compartilhados é frequente. Entre as aplicações citadas estão mesas e equipamentos hospitalares, onde a carga viral pode ter impacto direto na rotina de segurança e higiene.

A tecnologia também pode ser aplicada em telas sensíveis ao toque, incluindo celulares e caixas eletrônicos. Outros usos possíveis envolvem transporte público, especialmente barras e áreas tocadas repetidamente por passageiros ao longo do dia.

Escolas, escritórios e outros espaços com grande circulação de pessoas também aparecem entre os locais de interesse. Nesses ambientes, os nanoespinhos antivirais poderiam atuar de forma passiva em superfícies de uso comum, sem exigir intervenção contínua.

A adaptação do material a processos industriais existentes é um dos pontos destacados no desenvolvimento. O processo roll-to-roll, usado para fabricar filmes plásticos em larga escala, aparece como uma rota possível para aproximar a tecnologia de aplicações reais.

Tecnologia ainda precisa passar por novas validações

Apesar dos resultados com o hPIV-3, a eficácia da superfície antiviral contra outros vírus ainda precisa ser validada experimentalmente nesse material específico. SARS-CoV-2 e vírus respiratório sincicial, conhecido como RSV, estão entre os agentes ainda não testados nessa superfície.

A durabilidade do recobrimento em uso intenso também permanece como uma etapa a ser avaliada. Abrasão, sujeira e limpeza habitual podem influenciar o desempenho de uma superfície nanotexturizada fora das condições controladas de laboratório.

O custo é outro desafio para a chegada em larga escala. Para avançar, a tecnologia terá de competir com soluções mais baratas, embora menos sustentáveis, usadas atualmente na desinfecção de superfícies.

Menos desinfetantes e menor impacto ambiental

A proposta também envolve reduzir o uso constante de desinfetantes em locais de grande circulação. Como a ação ocorre pela estrutura física dos nanoespinhos antivirais, a tecnologia busca uma alternativa passiva, sem liberação de produtos químicos sobre as superfícies tratadas.

Pesquisas anteriores com superfícies bactericidas já indicavam que a textura pode ter papel tão importante quanto o material. Essa linha de desenvolvimento reforça o interesse por recobrimentos capazes de combater microrganismos por desenho estrutural, e não apenas por composição química.

A superfície antiviral da RMIT amplia esse caminho ao demonstrar inativação viral por contato direto com nanopilares. Com 96% de infectividade reduzida em 6 horas, os nanoespinhos antivirais entram no grupo de tecnologias que podem mudar a forma como áreas compartilhadas são protegidas contra vírus.

Clique aqui para acessar o estudo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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