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Astronautas que voltaram do espaço reativaram vírus adormecidos, passaram a eliminar partículas virais na saliva e expõem um risco silencioso que pode complicar missões humanas a Marte

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 26/04/2026 às 17:40
Atualizado em 26/04/2026 às 20:04
Assista o vídeoAstronautas reativam vírus latentes no espaço, levantando alerta sobre riscos à saúde em missões longas como viagens a Marte.
Astronautas reativam vírus latentes no espaço, levantando alerta sobre riscos à saúde em missões longas como viagens a Marte.
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Exposição prolongada ao espaço altera o sistema imunológico, favorece reativação de vírus comuns e levanta alertas para viagens longas com impacto potencial na saúde de astronautas e na segurança operacional de missões fora da órbita terrestre.

Astronautas que participaram de missões espaciais, tanto de curta quanto de longa duração, apresentaram reativação de herpesvírus durante e após o voo, com eliminação de material viral detectado em amostras de saliva e urina, conforme revisão publicada na revista científica Frontiers in Microbiology por pesquisadores ligados à NASA.

Esse resultado aponta que o ambiente espacial pode comprometer a resposta imunológica a ponto de permitir a reativação de vírus previamente silenciosos no organismo humano, ampliando a preocupação científica diante de missões mais longas previstas para além da órbita terrestre, incluindo viagens rumo a Marte.

Vírus latentes voltam à atividade no espaço

Astronautas reativam vírus latentes no espaço, levantando alerta sobre riscos à saúde em missões longas como viagens a Marte.
Astronautas reativam vírus latentes no espaço, levantando alerta sobre riscos à saúde em missões longas como viagens a Marte.

Diferentemente do que se poderia supor, não há evidência de infecção adquirida no espaço, mas sim da reativação de vírus já presentes no organismo, pertencentes a uma família extremamente comum que permanece latente por anos após a infecção inicial, geralmente sem provocar sintomas perceptíveis.

Sob condições específicas, como estresse prolongado, isolamento social, privação de sono e redução da eficiência imunológica, esses agentes podem retomar sua atividade, passando a se replicar novamente e sendo detectados por meio da liberação de material genético em fluidos corporais.

Entre os vírus identificados estão Epstein-Barr, varicela-zóster, herpes simples tipo 1 e citomegalovírus, sendo que os três primeiros foram encontrados em amostras de saliva, enquanto o citomegalovírus apareceu predominantemente em amostras de urina coletadas durante e após as missões.

Frequência aumenta em missões mais longas

Ao analisar diferentes missões, os pesquisadores observaram que a ocorrência do fenômeno varia conforme o tempo de permanência no espaço, com números que ajudam a dimensionar o impacto biológico da exposição prolongada ao ambiente espacial sobre o sistema imunológico dos astronautas.

Nos voos de ônibus espacial, por exemplo, 47 de 89 astronautas, o equivalente a 53%, eliminaram um ou mais herpesvírus, enquanto nas missões de longa duração na Estação Espacial Internacional esse número subiu para 61%, com 14 de 23 tripulantes apresentando o mesmo padrão.

Além da maior frequência, também foi registrada elevação progressiva da carga viral ao longo da permanência em órbita, sugerindo que quanto maior o tempo de exposição ao ambiente espacial, maior tende a ser a intensidade da reativação desses vírus latentes.

Astronautas reativam vírus latentes no espaço, levantando alerta sobre riscos à saúde em missões longas como viagens a Marte.
Astronautas reativam vírus latentes no espaço, levantando alerta sobre riscos à saúde em missões longas como viagens a Marte.

A comparação detalhada reforça essa tendência, mostrando aumento na eliminação do varicela-zóster de 41% para 65%, do Epstein-Barr de 82% para 96% e do citomegalovírus de 47% para 61%, quando se contrapõem missões curtas e prolongadas.

Casos sem sintomas ainda preocupam pesquisadores

Embora grande parte dos casos não apresente sintomas evidentes, os pesquisadores destacam que o fenômeno não deve ser tratado como irrelevante, já que há registros de recuperação de vírus infeccioso em cultura e associação com manifestações clínicas observadas durante e após as missões.

Entre essas manifestações, aparecem dermatite atópica e lesões cutâneas, além de episódios compatíveis com reativação do varicela-zóster, que pode evoluir para herpes-zóster em situações de queda da imunidade, especialmente em contextos de maior desgaste fisiológico.

Ambiente espacial pressiona o sistema imunológico

A explicação para esse comportamento envolve uma combinação complexa de fatores característicos do ambiente espacial, que atuam simultaneamente sobre o organismo e geram um cenário de estresse fisiológico contínuo ao longo da missão.

Microgravidade, radiação cósmica, confinamento prolongado, separação social, alterações no ritmo circadiano e privação de sono contribuem para elevar hormônios ligados ao estresse, como cortisol e catecolaminas, ao mesmo tempo em que reduzem a eficácia da resposta imune celular.

Esse desequilíbrio cria condições favoráveis para que vírus antes controlados pelo organismo escapem dessa vigilância imunológica, retomando a replicação e passando a circular de forma detectável em diferentes fluidos corporais.

Efeitos persistem após retorno à Terra

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Mesmo após o retorno à Terra, os efeitos não desaparecem imediatamente, já que em missões de longa duração foi observada a continuidade da eliminação viral por até 30 dias, especialmente nos casos de varicela-zóster e citomegalovírus.

Comparativamente, esse período se mostra mais prolongado do que o registrado em missões curtas, indicando que o tempo de exposição ao espaço influencia não apenas a intensidade da reativação, mas também a duração de seus efeitos após o fim da missão.

Esse aspecto ganha relevância no planejamento de futuras expedições de longa duração, nas quais a ausência de evacuação rápida e de suporte médico imediato pode transformar eventos clínicos aparentemente controláveis em fatores de risco operacional.

Riscos se estendem ao contato após a missão

Outro ponto destacado pelos pesquisadores envolve o período de readaptação na Terra, quando a eliminação contínua de vírus infecciosos pode representar risco potencial para recém-nascidos, adultos soronegativos e pessoas imunocomprometidas, especialmente em situações de contato próximo.

Dessa forma, o pós-missão deixa de ser apenas um processo de recuperação física e passa a exigir monitoramento mais amplo, incluindo avaliação imunológica e acompanhamento virológico para evitar possíveis transmissões ou complicações associadas.

Ainda que os astronautas sejam profissionais altamente selecionados e submetidos a rigoroso acompanhamento médico, os dados indicam que o ambiente espacial exerce impacto relevante sobre sistemas biológicos fundamentais, incluindo aqueles responsáveis pela defesa contra infecções.

Ao considerar missões humanas de longa duração, cresce a necessidade de estratégias preventivas mais robustas, com protocolos capazes de monitorar, mitigar e responder à reativação de vírus latentes ao longo de todas as fases da jornada espacial.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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