1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Supercomputador calcula quando a humanidade pode desaparecer da Terra, prevê um supercontinente abrasador, temperaturas de até 70 graus e um planeta caminhando para se tornar inabitável
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 7 comentários

Supercomputador calcula quando a humanidade pode desaparecer da Terra, prevê um supercontinente abrasador, temperaturas de até 70 graus e um planeta caminhando para se tornar inabitável

Escrito por Ana Alice
Publicado em 03/04/2026 às 12:12
Atualizado em 03/04/2026 às 12:15
Estudo projeta Terra mais hostil em 250 milhões de anos, com calor extremo, supercontinente e risco à habitabilidade dos mamíferos. (Imagem: Ilustrativa)
Estudo projeta Terra mais hostil em 250 milhões de anos, com calor extremo, supercontinente e risco à habitabilidade dos mamíferos. (Imagem: Ilustrativa)
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
865 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Uma simulação sobre o futuro remoto da Terra reacendeu o debate sobre clima, tectônica e os limites da vida no planeta, ao projetar mudanças extremas que podem reduzir drasticamente as áreas habitáveis para mamíferos.

Um estudo publicado na revista Nature Geoscience e conduzido por pesquisadores da Universidade de Bristol projetou um cenário extremo para a Terra em cerca de 250 milhões de anos.

Segundo os autores, a formação de um novo supercontinente, chamado Pangeia Última, somada ao aumento natural da radiação solar e a níveis mais altos de dióxido de carbono, pode reduzir de forma acentuada as áreas habitáveis para mamíferos terrestres.

A pesquisa não trata do desaparecimento do planeta, mas de condições climáticas que, de acordo com os modelos usados, poderiam comprometer a sobrevivência de humanos e de outras espécies desse grupo.

O que diz o estudo sobre a Pangeia Última

A projeção parte de processos geológicos e climáticos de longo prazo.

De acordo com o artigo, os continentes devem voltar a se unir em um único bloco, repetindo um ciclo já registrado na história da Terra.

Nessa configuração, a maior massa continental ficaria concentrada em regiões mais quentes, com menor influência moderadora dos oceanos e maior tendência a extremos térmicos no interior do continente.

Ao mesmo tempo, a atividade tectônica associada a esse rearranjo pode elevar a concentração de CO₂ na atmosfera.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores utilizaram modelos climáticos capazes de simular temperatura, umidade, ventos e chuvas no planeta do futuro.

O trabalho também incorporou projeções sobre o movimento das placas tectônicas e sobre o ciclo do carbono em escalas de milhões de anos.

Com base nesse conjunto de dados, os autores estimaram que a combinação entre um Sol mais brilhante, maior concentração de gases de efeito estufa e a formação do supercontinente criaria um ambiente consideravelmente mais hostil aos mamíferos terrestres.

Segundo o estudo, em aproximadamente 250 milhões de anos o Sol deve emitir cerca de 2,5% mais energia do que hoje.

Isoladamente, esse aumento não retiraria a Terra da zona habitável do Sistema Solar.

Ainda assim, os autores afirmam que, quando esse fator é combinado com a elevação do CO₂ e com a configuração de um único supercontinente, o resultado pode levar o clima a níveis incompatíveis com a permanência de grande parte dos mamíferos em áreas extensas do planeta.

Temperaturas extremas e habitabilidade na Terra

Esse é um ponto central da pesquisa.

O artigo não sustenta que a Terra deixará de existir nem afirma que toda forma de vida desaparecerá de uma vez.

O que o trabalho indica é uma queda expressiva da habitabilidade para mamíferos, com calor e umidade acima dos limites fisiológicos toleráveis por períodos prolongados.

Nesse cenário, o problema não seria apenas a elevação da temperatura, mas também a dificuldade de dissipação de calor pelo organismo em condições atmosféricas extremas.

A faixa de temperatura que ganhou destaque na divulgação da Universidade de Bristol vai de 40 °C a 70 °C em diferentes áreas do futuro supercontinente.

Esse intervalo aparece como descrição de extremos projetados para partes relevantes da superfície terrestre, e não como uma temperatura uniforme em todo o planeta.

Em cobertura sobre o estudo, a revista Nature informou que até 92% da superfície da Terra poderia se tornar inabitável para mamíferos, restando apenas uma fração da área com condições adequadas a esse grupo.

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Na leitura dos autores, o foco do trabalho está na habitabilidade climática em um futuro geológico muito distante.

O estudo trata da possibilidade de um ambiente amplamente inadequado para mamíferos terrestres, categoria que inclui os seres humanos.

Como continentes e atmosfera influenciam a vida no planeta

A pesquisa também chama atenção para outro aspecto.

Segundo os autores, a posição de um planeta em relação à sua estrela não é o único fator que define se ele pode sustentar vida complexa.

A distribuição das massas continentais, a circulação atmosférica, a umidade e os níveis de dióxido de carbono também influenciam essa conta.

Por essa razão, o estudo tem implicações não só para o futuro da Terra, mas também para análises sobre a habitabilidade de exoplanetas.

Hoje, a distribuição dos continentes em diferentes latitudes ajuda a manter uma variedade de climas, inclusive regiões temperadas que favorecem a sobrevivência de diversas espécies.

No cenário projetado para a Pangeia Última, essa diversidade diminuiria.

Além disso, áreas localizadas no interior do supercontinente tenderiam a registrar extremos ainda maiores por estarem mais distantes da influência dos oceanos.

De acordo com a Universidade de Bristol, essa combinação favoreceria a expansão de regiões áridas e muito quentes.

Outro dado importante do estudo diz respeito aos níveis futuros de CO₂.

Os valores estimados pelos pesquisadores, entre 410 e 816 ppm nos cenários analisados, estão ligados a processos naturais de longo prazo associados à tectônica e ao vulcanismo.

Isso significa que o artigo não apresenta uma projeção direta da crise climática atual.

Ainda assim, os próprios autores destacam que o aquecimento provocado pela atividade humana já representa um problema concreto e que as emissões atuais precisam ser enfrentadas.

O que o cenário do futuro remoto indica sobre o presente

A diferença entre essas duas escalas temporais ajuda a contextualizar o debate.

De um lado, está a mudança climática causada por emissões humanas, com efeitos observáveis em décadas e séculos.

De outro, está uma projeção sobre processos tectônicos, astronômicos e climáticos que se desenrolariam ao longo de centenas de milhões de anos.

Embora sejam fenômenos distintos, ambos envolvem os limites físicos da habitabilidade do planeta.

No caso do Sol, a estimativa aceita por agências científicas é que ele esteja aproximadamente na metade de sua vida útil, que gira em torno de 9 a 10 bilhões de anos.

A NASA informa que o astro ainda deve continuar brilhando por cerca de 5 bilhões de anos antes de entrar em outra fase de evolução estelar.

Esse dado ajuda a explicar por que a pesquisa da Universidade de Bristol aponta um problema de habitabilidade muito anterior ao estágio final do Sol.

A relevância do estudo, portanto, está menos em uma previsão sobre desaparecimento imediato e mais na descrição de um limite climático para a vida de mamíferos em um futuro remoto.

Ao modelar a interação entre tectônica, atmosfera e luminosidade solar, os pesquisadores descrevem um planeta que poderia continuar existindo, mas com uma parcela muito menor de áreas aptas a sustentar organismos com exigências fisiológicas semelhantes às dos mamíferos atuais.

No presente, a principal distinção feita pelos autores é que o aquecimento global em curso não depende desse cenário de 250 milhões de anos para representar risco.

A crise climática contemporânea já afeta ecossistemas, infraestrutura e saúde pública, enquanto a hipótese da Pangeia Última opera em outra escala temporal e com outros mecanismos.

Ainda assim, o estudo é frequentemente citado porque mostra que a habitabilidade da Terra não é fixa e depende de uma combinação de fatores geológicos, atmosféricos e astronômicos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
7 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Yasmin
Yasmin
07/04/2026 10:19

Fiquei assustada agora 😱😱😱😭

Nathan
Nathan
Em resposta a  Yasmin
08/04/2026 01:42

Pq? Se daqui a no máximo 75 anos estaremos mortos a maioria nem chega a isso tudo kkkkkkkk 250 milhões de anos eu lá vou querer saber disso não estarei mais vivo mesmo kkkkkkkkk boa sorte pros próximos que viram o último apaga a luz.

Volpe
Volpe
06/04/2026 22:22

FALÁCIAS , FAZEM O QUE SABEM ,ENGANAR E TOCAR TERROR NO MUNDO. BANDO DE ENGANADORES. LOGO O REI DOS REIS LHES DARÁ A SENTENÇA MERECIDA. MARANATA!

Renato
Renato
05/04/2026 05:45

Bom, acho que temos que resolver o problema das viagens interestelares o quanto antes, a fim de colonizar outro planeta. 250 milhões de anos pode parecer muito, mas considerando que nem chegamos em Marte ainda, a coisa é bem preocupante no que diz respeito ao futuro da espécie humana. Ainda temos que considerar o fato de que o próprio homem poderá se extinguir antes, com cada vez mais guerras e políticas que visam o bem estar de apenas uma minoria da população.

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
7
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x