O Cemaden estima em mais de 80% a probabilidade de um Super El Niño se instalar no segundo semestre de 2026, com aquecimento do Pacífico acima de 2 °C capaz de provocar seca no Norte e Nordeste, chuvas excessivas no Sul e prejuízos severos para lavouras e para a produção agrícola em todas as regiões brasileiras.
O alerta para a chegada de um Super El Niño no segundo semestre de 2026 ganhou força com os dados mais recentes do Cemaden, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Segundo a entidade, a probabilidade de o fenômeno se concretizar já ultrapassa 80%, e os indicadores apontam para um evento de grande magnitude. Quando a temperatura na faixa equatorial do Pacífico supera o patamar médio em pelo menos 2 °C, configura-se o chamado Super El Niño, capaz de reorganizar padrões climáticos em escala planetária e atingir em cheio as lavouras brasileiras.
O especialista Renato Rodrigues alerta que um fenômeno climático originado a milhares de quilômetros de distância pode determinar se uma safra inteira será bem-sucedida ou resultará em fracasso. O que torna o cenário atual ainda mais preocupante é que esse possível Super El Niño aconteceria sobre um planeta já aquecido, ampliando tanto os riscos de seca quanto de chuva excessiva, o que potencializa seus efeitos e amplia os riscos para a produção agrícola. Segundo Rodrigues, o fenômeno de hoje não se compara ao de duas ou três décadas atrás, porque as temperaturas de base já são mais altas, a evaporação é maior e os episódios extremos tendem a ser mais intensos.
Como o Super El Niño afeta cada região do Brasil

Os impactos do Super El Niño não são uniformes pelo território, conforme os modelos do Cemaden já indicam. No Norte e no Nordeste, o risco principal é de estiagem prolongada e estresse hídrico, cenário que castiga pastagens e compromete lavouras que dependem de chuva regular.
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São regiões onde a produção agrícola já opera com margens apertadas de água, e qualquer redução adicional nas precipitações pode representar quebra severa de safra.
No Centro-Oeste, a preocupação recai sobre a irregularidade das chuvas. O plantio da soja e o rendimento do milho safrinha ficam ameaçados quando as precipitações não seguem o padrão esperado pelo calendário agrícola.
No Sul, o problema é o oposto: o excesso de chuva tende a atrasar a retirada dos grãos do campo e comprometer o padrão de qualidade do que já estava pronto para ser colhido. Já no Sudeste, o cenário se apresenta como o mais instável, com alternância entre calor extremo e chuvas mal distribuídas que afetam culturas de alto valor como café, cana-de-açúcar e cereais.
Super El Niño em um planeta mais quente: efeitos amplificados
O fato de o fenômeno ocorrer num contexto global de temperaturas elevadas intensifica cada um dos seus desdobramentos. Mais calor na atmosfera significa mais evaporação, ciclos de seca mais severos onde não chove e tempestades mais violentas onde a precipitação se concentra.
Essa combinação cria um ambiente de volatilidade extrema no campo, no qual a diferença entre lucro e prejuízo pode depender de poucas semanas de variação climática.
Rodrigues destaca que o Super El Niño contemporâneo age sobre uma base térmica já elevada, o que torna seus efeitos mais agressivos do que os registrados em episódios anteriores.
Para a produção agrícola, isso representa não apenas risco de perda direta nas lavouras, mas também encarecimento de insumos, pressão sobre seguros rurais e instabilidade nos preços de alimentos. O impacto, portanto, ultrapassa a porteira da fazenda e alcança o consumidor final.
O que o produtor pode fazer agora para proteger as lavouras
Diante da probabilidade superior a 80% apontada pelo Cemaden, o planejamento antecipado se torna a principal ferramenta de defesa.
Rodrigues é categórico ao afirmar que, em eventos como o Super El Niño, agir cedo é o que separa perdas controláveis de prejuízos devastadores. Quem espera o fenômeno se instalar para tomar decisões acaba reagindo sob pressão e com menos opções disponíveis.
Entre as medidas recomendadas está a revisão do calendário de plantio, antecipando ou adiando a semeadura para desviar dos períodos mais críticos.
A seleção de cultivares tolerantes à seca ou ao encharcamento, conforme a região, também aparece como estratégia essencial para proteger as lavouras. No manejo do solo, o aumento do teor de matéria orgânica melhora a capacidade de retenção de água, benefício importante tanto em cenários de estiagem quanto de chuvas em excesso.
Irrigação, drenagem e adubação inteligente contra o Super El Niño
A gestão da água ganha protagonismo nas regiões onde o Super El Niño tende a causar seca mais intensa. Investir em sistemas de irrigação pode ser a diferença entre manter a produção agrícola funcionando ou assistir à perda total das lavouras no Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste.
Nas áreas do Sul onde o excesso de precipitação é o problema, a prioridade passa a ser a instalação ou ampliação de estruturas de drenagem.
Outra frente de adaptação envolve o uso de fertilizantes de liberação controlada. Esses produtos liberam nutrientes de forma gradual, reduzindo o desperdício provocado por chuvas torrenciais que lavam o solo e arrastam a adubação convencional.
Em condições adversas como as previstas pelo Cemaden para o Super El Niño, esse tipo de tecnologia aumenta a eficiência de cada real investido em insumos e contribui para manter a rentabilidade mesmo em safras pressionadas pelo clima.
E você, já começou a preparar sua propriedade para um possível Super El Niño, ou acredita que ainda é cedo para se preocupar? Quais medidas fazem mais sentido para a sua região? Deixe sua opinião nos comentários.

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