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Suco de picles, melaço e resíduo de cerveja são espalhados por caminhões em estradas congeladas de Massachusetts para derreter gelo após falta de sal rodoviário, reaproveitar descarte industrial e reduzir danos a rios e lagos usados como fonte de água potável

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 30/05/2026 às 16:15
Atualizado em 30/05/2026 às 16:21
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Suco de picles, melaço e resíduo de cerveja são espalhados por caminhões em estradas congeladas de Massachusetts
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Falta de sal rodoviário em Massachusetts reacende debate sobre suco de picles, melaço e resíduo de cerveja como alternativas menos agressivas para degelo de estradas.

Segundo a WBUR, em meados de fevereiro de 2025, após uma sequência de neve pesada, chuva e gelo no oeste de Massachusetts e em toda a Nova Inglaterra, lojas ficaram sem sal rodoviário e os próprios municípios começaram a perder estoque. Em Chicopee, um atraso de vários dias na entrega de 40 toneladas de desglaçante criou dificuldade na limpeza das ruas, e caminhões da cidade precisaram ir até Albany, em Nova York, para buscar sal comum. A crise expôs um problema maior. Segundo a Pioneer Valley Planning Commission, Massachusetts usa cerca de 500 mil toneladas de sal por ano apenas no tratamento de estradas, e esse volume já está associado ao aumento da salinidade em águas superficiais e subterrâneas da região.

Nesse contexto, suco de picles, melaço e subprodutos de cerveja deixaram de ser curiosidade e passaram a entrar com mais força no debate sobre alternativas para o inverno.

Suco de picles e melaço funcionam porque abaixam o ponto de congelamento da água

Segundo a WBUR, o princípio físico por trás do sal rodoviário é o abaixamento crioscópico. Quando uma substância iônica se dissolve na água, o ponto de congelamento da solução cai abaixo de zero, o que permite derreter gelo e dificultar a formação de novas placas congeladas.

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O geólogo estadual Brian Yellen explicou que a água pura congela a 32 graus Fahrenheit, mas uma solução de água com sal congela a temperaturas mais baixas.

O problema é que o sal comum perde eficiência abaixo de cerca de menos 9°C, limite em que seu desempenho cai bastante.

Segundo a WBUR, o suco de picles contém vinagre, sal e compostos orgânicos que ajudam a reduzir o ponto de congelamento a temperaturas menores. O melaço é rico em açúcares e sais minerais, enquanto o resíduo de cerveja pode conter álcool residual, açúcares fermentados e sais com efeito semelhante.

Sal rodoviário está salinizando rios, lagos e aquíferos de Massachusetts

Segundo a WBUR, o grande problema é que o sal usado nas estradas não fica nas estradas. Ele escorre para rios, lagos, córregos e aquíferos que abastecem cidades, aumentando a salinidade da água ao longo do tempo.

A NEIWPCC afirma que a salinidade de rios e lagos de Massachusetts vem aumentando de forma consistente nas últimas décadas, em correlação com a expansão do uso de sal rodoviário. Como o cloreto de sódio não se degrada biologicamente nem é facilmente absorvido pelo solo, ele tende a persistir e se acumular.

Segundo a WBUR, esse acúmulo afeta peixes, anfíbios e invertebrados de água doce, além de comprometer a qualidade da água potável. O paradoxo é direto: o estado usa sal para manter as estradas seguras no inverno, mas ao fazer isso pressiona justamente os recursos hídricos que a população consome.

Outros estados americanos já usam suco de beterraba, melaço e salmoura de queijo

Segundo a WBUR, Massachusetts não está discutindo essas alternativas no vazio. Outros estados americanos já usam há anos misturas com suco de beterraba, melaço, salmoura de queijo, salmoura de picles e resíduos de cerveja no tratamento de estradas.

Suco de picles, melaço e resíduo de cerveja são espalhados por caminhões em estradas congeladas de Massachusetts para derreter gelo
Suco de picles, melaço e resíduo de cerveja são espalhados por caminhões em estradas congeladas de Massachusetts

New Jersey e North Dakota adotam misturas com suco de beterraba. New Hampshire e Maine usam melaço. Wisconsin utiliza salmoura de queijo. Segundo a reportagem, essas combinações não eliminam totalmente o sal, mas ajudam a reduzir o consumo e melhoram a aderência do produto ao asfalto frio.

A lógica operacional é fazer o pré tratamento das estradas com líquidos orgânicos antes das tempestades. Como esses materiais aderem melhor ao asfalto, o uso de sal sólido durante e depois do evento pode cair.

Sal ainda domina em Massachusetts por custo e logística

Segundo a WBUR, mesmo com os problemas ambientais documentados e com exemplos de outros estados, o sal rodoviário continua dominando em Massachusetts por causa de dois fatores centrais: preço e logística.

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O sal custa entre US$ 50 e US$ 80 por tonelada, enquanto os desglaçantes alternativos variam mais e exigem uma infraestrutura diferente. Municípios acostumados a trabalhar com sal sólido precisariam armazenar líquidos em grande volume e adaptar caminhões com sistemas de aspersão.

Além disso, fornecedores de melaço, resíduos de cerveja ou líquidos de conservas não têm a mesma rede de contratos e entrega consolidada que o mercado de sal construiu ao longo de décadas. Ou seja, o obstáculo não é só técnico, mas operacional e institucional.

Custo real do sal rodoviário vai além do preço por tonelada

Segundo a WBUR, a discussão ficou mais séria porque parte dos especialistas começou a olhar não apenas para o preço direto do sal, mas para seu custo total oculto. O geólogo estadual Brian Yellen resumiu o dilema ao dizer que é preciso equilibrar a segurança dos motoristas com a proteção ambiental.

Esse custo invisível inclui salinização de aquíferos, dano à vegetação das margens, corrosão de pontes e estruturas metálicas e aumento da pressão sobre sistemas de tratamento de água potável. Quando esse pacote entra na conta, alternativas orgânicas que parecem mais caras por litro passam a parecer mais competitivas.

Segundo a WBUR, a crise de fevereiro de 2025 não resolveu o problema, mas empurrou os gestores públicos da Nova Inglaterra a fazer uma pergunta que vinha sendo adiada: o que acontece com as estradas, e com a água, quando o sal acaba.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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