Conheça os trâmites e a trajetória dos estudantes do IF Baiano que criaram o BioLuz, sistema inovador de bioeletricidade usando garrafas PET.
A 12ª edição do Solve for Tomorrow Brasil, uma prestigiada competição da Samsung focada na metodologia STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática), selecionou como um dos 20 semifinalistas nacionais o projeto BioLuz, desenvolvido por cinco estudantes do 2º ano do Ensino Médio do IF Baiano, Campus Alagoinhas.
A iniciativa ecológica, que nasceu em agosto de 2025 sob a liderança da jovem Michele dos Santos (16 anos) e a mentoria do professor José Honorato Ferreira Nunes, tem como foco solucionar os problemas de mobilidade e segurança causados pela falta de iluminação pública em comunidades vulneráveis.
O dispositivo inovador foi concebido para captar elétrons livres por meio de fios e eletrodos de cobre e zinco inseridos em vasos reciclados, extraindo a bioeletricidade gerada pela simbiose entre as raízes vegetais e microrganismos do solo.
-
Cientistas descobrem por que o ouro não perde o brilho tão fácil
-
Japão abre os cofres, reúne gigantes como SoftBank e Sony e prepara quase US$ 6 bilhões para criar sua própria inteligência artificial e colocar 10 milhões de robôs em fábricas, hospitais, restaurantes e outros setores até 2040
-
Durante obra de rotina em oleoduto, trabalhadores acham navio de madeira do século XVIII escondido no fundo do mar na Croácia
-
Startup nigeriana transforma baterias de notebooks descartados, telas de televisores quebrados e lixo eletrônico em lanternas solares que levam energia limpa a regiões sem eletricidade
Os obstáculos científicos enfrentados pelos estudantes
Para que os estudantes alcançassem esse patamar prático de desenvolvimento, o grupo precisou superar barreiras complexas de conhecimento técnico.
Como estavam no segundo ano do Ensino Médio, os jovens cientistas ainda não dominavam conceitos matemáticos e físicos de eletricidade, reações de oxirredução ou disciplinas de Botânica e Biologia celular, superando o déficit com colaboração e apoio de docentes de Química e Física.

Além disso, a estruturação conceitual da ideia impôs dificuldades para o orientador do IF Baiano.
A busca por informações científicas confiáveis esbarrou na barreira do idioma, visto que grande parte dos artigos consolidados sobre bioeletricidade estava publicada em plataformas estrangeiras, o que exigiu cuidados extras com palavras-chave e longos períodos de busca influenciados por algoritmos.
O fator tempo também demandou sacrifícios, obrigando a equipe a conciliar as tarefas escolares tradicionais com os testes do aparato.
Competição nacional e a autonomia juvenil
O estímulo ao pensamento crítico e à independência dos jovens cientistas na resolução de demandas reais da sociedade é o pilar central do programa de cidadania corporativa que premiou o grupo baiano.
De acordo com o diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, Helvio Kanamaru, o envolvimento na pesquisa gera impactos profundos:
“O grande brilho do programa é essa curiosidade e o desenvolvimento do projeto que eles fazem e com isso geramos autonomia e protagonismo para os jovens, porque eles aprendem a aprender. Eles desenvolvem uma curiosidade e pensamento crítico que não para nessa edição, mas que seguem para o resto da vida e para os vários desafios que eles vão enfrentar ao longo do tempo.”
A conquista trouxe enorme entusiasmo para os coautores adolescentes de 16 anos. O estudante Thiago Menezes relatou que a participação na iniciativa despertou um afeto muito grande pela pesquisa, gerando uma experiência inesquecível.
No mesmo sentido, a estudante Natália São Pedro celebrou o forte potencial do dispositivo, considerando o projeto uma bagagem valiosa que levará para a vida inteira.
A confecção dos módulos de captação transcorreu de forma colaborativa durante as horas vagas dos jovens do curso técnico integrado em Informática.
Os inventores realizavam os ajustes operacionais e a correção de falhas nas sextas-feiras e nos intervalos entre as aulas cotidianas.
A fim de baratear os custos e garantir alta eficiência sustentável, o grupo empregou materiais de descarte recolhidos na comunidade.

O equipamento de captura é composto por:
- Garrafas plásticas vazias de água sanitária que atuam como recipientes para o solo.
- Eletrodos de cobre estrategicamente enterrados na terra.
- Eletrodos de zinco posicionados para coletar as correntes elétricas.
O funcionamento do circuito e a automação planejada
Embora o protótipo esteja em sua fase laboratorial primária focada em acender uma pequena lâmpada de LED, o objetivo central da engenharia é viabilizar o fornecimento elétrico em larga escala.
A dinâmica baseia-se em aproveitar a simbiose do solo, na qual microrganismos decompõem a matéria orgânica liberada pelas plantas e geram energia limpa.

Na etapa subsequente de desenvolvimento do BioLuz, a energia será processada por um circuito inteligente automatizado.
O mecanismo utilizará uma placa Arduino combinada com sensores LDR, responsáveis por identificar a diminuição da luz natural e acionar as lâmpadas de LED de forma automática, direcionando a carga excedente para baterias de baixo custo para sustentar a iluminação ao longo de toda a noite.
Após consolidar a validação do aparato no cenário nacional, a liderança da pesquisa traçou novas metas estratégicas estruturadas para o ano de 2026.
O professor José Honorato, que acumula experiência lecionando em ramos técnicos de Informática e Agroindústria desde 2013 no IF Baiano, avalia os caminhos para registrar a propriedade do invento, priorizando, contudo, os benefícios pedagógicos e o compartilhamento gratuito com grupos vulneráveis.
Com informações do CREA-BA
