A tecnologia da Olho do Dono usa câmera 3D, visão computacional e inteligência artificial para estimar o peso do gado sem balança tradicional, reduzindo manejo, estresse animal e tempo de trabalho nas fazendas.
Uma startup brasileira criou uma tecnologia que parece coisa de filme futurista, mas já está sendo usada no campo: uma câmera com inteligência artificial capaz de pesar o gado individualmente, no pasto, sem balança, sem curral lotado e sem prender os animais.
Segundo o Canal Rural, a solução da Olho do Dono, startup do Espírito Santo, permite filmar 100 animais em apenas cinco minutos. O que antes exigia deslocamento, vaqueiros, curral, estresse e horas de manejo agora pode virar um processo rápido, digital e muito menos agressivo para o rebanho.
A câmera que pesa bois sem encostar nos animais

De acordo com o Compre Rural, a Olho do Dono, fundada em 2015, desenvolveu um sistema baseado em câmeras 3D portáteis, visão computacional e inteligência artificial. A proposta é simples e impactante: em vez de levar o boi até a balança, a balança vai até o boi.
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Conforme informou o Canal Rural, o equipamento é resistente à água e não precisa de internet nem energia elétrica durante o uso no campo. A câmera registra os animais em movimento e, depois, os dados são enviados para processamento na nuvem.
O resultado são relatórios com peso individual, peso por lote, ganho médio diário, contagem de cabeças e auditoria de presença, segundo o Compre Rural. Para fazendas que usam brinco eletrônico, o sistema também permite acompanhar o histórico de cada animal.
O fim de um processo que podia levar até 12 horas
O dado que mais chama atenção está no contraste brutal entre o método antigo e a nova tecnologia. Segundo o Canal Rural, a pesagem tradicional de 300 animais pode levar de 6 a 12 horas, mobilizar cinco vaqueiros e submeter o gado a estresse, risco de acidentes e perda de peso.
Com a tecnologia da Olho do Dono, conforme informou o Canal Rural, a mesma atividade pode ser realizada em cerca de 15 minutos, diretamente no pasto, com apenas dois ou três vaqueiros.
Na prática, isso muda a lógica da fazenda. O manejo deixa de ser um evento pesado, caro e desgastante para virar uma coleta de dados rápida. O pecuarista passa a acompanhar o desempenho do rebanho com mais frequência e com menos interrupção na rotina dos animais.
A inteligência artificial aprendeu com mais de 1,5 milhão de imagens
Segundo o Canal Rural, a startup consolidou uma base com mais de 1,5 milhão de imagens 3D de bovinos associadas ao peso real de balança. Esses dados foram coletados em fazendas do Brasil, Argentina, Paraguai e México.
Essa base alimenta os algoritmos que estimam o peso dos animais. Quanto mais registros o sistema processa, maior tende a ser a capacidade de reconhecer padrões corporais ligados ao peso.
A Revista Pesquisa FAPESP já havia informado que o sistema analisava 500 características físicas relacionadas ao peso do boi e que a acurácia média da pesagem individual chegava a 95%. Por isso, a tecnologia é apresentada como uma alternativa de precisão para substituir o velho “olhômetro” usado em muitas propriedades.
JBS e Grupo Rialma já aparecem entre os usuários
Segundo o Canal Rural, a solução já está presente em propriedades com rebanhos que variam de 500 a 120 mil cabeças. Entre os nomes citados estão JBS e Grupo Rialma, dois gigantes ligados ao universo da pecuária brasileira.
De acordo com o Canal Rural, o Grupo Rialma realiza auditorias mensais de peso em suas fazendas, enquanto a JBS incorporou a tecnologia a um programa de assistência técnica a produtores.
Esse ponto é decisivo para entender o tamanho do movimento. Não se trata apenas de uma invenção curiosa. A tecnologia já entrou na rotina de grandes operações, onde qualquer erro de manejo, peso ou inventário pode representar prejuízo milionário.
Menos estresse, mais dados e decisão mais rápida

A Fapes já destacava, em 2016, que a pesagem tradicional envolve transporte dos animais, uso de força para controlar o gado e estresse desnecessário, fator que pode contribuir para perda de peso.
Com a câmera, o animal passa por uma estrutura da própria fazenda e é registrado sem precisar parar sobre uma balança convencional. Isso reduz o contato forçado, diminui riscos para vaqueiros e animais e transforma o peso em informação frequente.
Segundo o Canal Rural, Pedro Henrique Mannato, CEO da Olho do Dono, afirma que a inteligência artificial pode reduzir em até 95% o tempo de manejo de pesagem. Em um setor onde tempo, mão de obra e arroba valem dinheiro, esse número ajuda a explicar o interesse dos produtores.
Investimento milionário para acelerar a expansão
A tecnologia também chamou a atenção dos investidores. Conforme informou o Portal DBO, a Olho do Dono recebeu uma nova rodada de investimento de R$ 2,2 milhões em 2025, liderada pelo BR Angels.
De acordo com o Portal DBO, com esse aporte, a empresa ultrapassou R$ 5,8 milhões em captações. O plano é expandir as vendas diretas para fazendas, estruturar uma rede de representantes comerciais e fortalecer parcerias com cooperativas e sindicatos rurais.
O mesmo veículo informou que a startup já atende produtores nos principais estados brasileiros e também tem presença em países como Argentina, Paraguai e México.
A pecuária entra na era da balança invisível
O que está em jogo é muito maior do que pesar um boi mais rápido. A tecnologia da Olho do Dono mostra como a inteligência artificial no agronegócio pode transformar tarefas antigas em sistemas de dados, rastreabilidade e tomada de decisão.
Com câmeras 3D, algoritmos, brincos eletrônicos e relatórios digitais, a fazenda passa a enxergar o rebanho animal por animal. Peso, presença, desempenho e evolução deixam de ser estimativas e passam a alimentar decisões de compra, venda, nutrição e manejo.
Se a promessa se confirmar em escala, a velha cena de bois empurrados até o curral para subir na balança pode começar a desaparecer. No lugar dela, entra uma pecuária mais digital, menos traumática e muito mais orientada por dados.


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