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Paul Sereno e equipe da Universidade de Chicago descrevem no Saara o primeiro novo Spinosaurus em 110 anos com crista óssea em forma de sabre: o Spinosaurus mirabilis, apelidado de Hell-heron

Imagem de perfil do autor Douglas Avila
Escrito por Douglas Avila Publicado em 12/05/2026 às 06:45 Atualizado em 12/05/2026 às 06:47
Spinosaurus mirabilis caçando em rio do Saara cretáceo
Reconstituição editorial do Spinosaurus mirabilis.
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Primeira nova espécie de Spinosaurus descrita desde 1915 vem de um crânio com mandíbulas de crocodilo, uma crista em forma de sabre e fósseis encontrados a 1.000 km do litoral cretáceo mais próximo.

Paul Sereno e uma equipe de 20 pesquisadores da Universidade de Chicago descreveram um dinossauro novo chamado Spinosaurus mirabilis, apelidado de “hell heron”.

O artigo saiu em 19 de fevereiro de 2026 na revista Science, conforme reportagem da CNN.

De acordo com o boletim oficial da UChicago News, os fósseis vieram de uma região remota do Saara central, no Níger.

A escavação rendeu um crânio quase completo e ossos da mandíbula. Conforme Sereno, professor de Anatomia da UChicago, o bicho tinha mais ou menos 12 metros e caçava peixes em água rasa.

Por isso o apelido de “garça do inferno”.

Primeiro novo Spinosaurus mirabilis em mais de um século

De fato, o novo bicho é o primeiro membro do gênero descrito em mais de cem anos. O Spinosaurus aegyptiacus, descrito por Ernst Stromer von Reichenbach em 1915, era o único nome catalogado até agora.

Crânio fossilizado de Spinosaurus mirabilis com crista óssea
Crânio da nova espécie em laboratório, com crista óssea em forma de sabre. Imagem editorial.

Conforme a equipe, o gap de 110 anos diz mais sobre raridade de fósseis bons do que sobre escassez do bicho.

De fato, spinossaurídeos tinham ossos cranianos finos, que costumam se fragmentar antes da fossilização. Ter um crânio inteiro do grupo é quase um milagre estatístico.

Em outras palavras, o achado vai mudar a base comparativa de outros espécimes parciais ao redor do mundo. Por consequência, a publicação saiu na Science, periódico de maior peso da biologia.

Crista óssea em forma de sabre e estilo de garça

Além disso, o traço mais surpreendente da nova espécie é a crista óssea no topo do crânio.

Em entrevista publicada pelo Natural History Museum, a equipe comparou a estrutura a uma cimitarra em formato de lâmina.

Spinosaurus mirabilis caçando peixe em rio raso, com crista óssea
Reconstituição editorial do predador caçando em rio raso do Saara cretáceo.

Conforme Sereno, “é uma crista óssea ostentosa, parecida com o topete de Elvis”. A frase virou marca da divulgação científica do achado.

Por sua vez, a função da crista ainda não está fechada. Hipóteses ativas incluem display sexual, termorregulação e sinalização social entre indivíduos.

Segundo a equipe, o bicho caçava peixes em pé. Apoiado em pernas robustas, entrava em até dois metros de profundidade em rios. Por isso o apelido “hell heron”.

Fósseis a 1.000 km da costa cretácea mais próxima

Conforme o paper, a escavação ocorreu em uma região remota do Saara central, no Níger atual.

Conforme o paper na Science, o local fica a cerca de 1.000 km do litoral marinho mais próximo do Cretáceo.

Para entender a escala, essa distância equivale a ir de Salvador a Recife dentro do continente.

Paleontólogos escavando fósseis no Saara central do Níger
Equipe paleontológica trabalha em afloramento no deserto do Níger. Imagem editorial.

De fato, o predador vivia longe do mar. Conforme Sereno, esse dado mata uma hipótese antiga: a teoria de que spinossaurídeos eram nadadores marinhos perde força quando se acha o bicho no meio do continente.

De acordo com a ScienceDaily, a espécie era predador de rios e lagos interiores.

De acordo com a paleobotânica, o ambiente era pantanoso, com vegetação densa e canais de inundação. Hoje o mesmo trecho é deserto absoluto, com temperaturas acima de 45 °C.

O Saara de 95 milhões de anos onde viveu o Spinosaurus mirabilis

O Spinosaurus mirabilis viveu há aproximadamente 95 milhões de anos, no Cretáceo médio. Conforme o paper, foi contemporâneo do Carcharodontosaurus e do Suchomimus, dois grandes predadores também do Saara.

Em comparação, o Tyrannosaurus rex norte-americano apareceu cerca de 30 milhões de anos depois. O novo predador representa, portanto, um capítulo bem anterior na evolução de grandes terópodes.

De fato, é o auge dos spinossaurídeos. O grupo se diversificou em estilos de vida, da caça aquática ao predador semiterrestre, todos com mandíbulas alongadas de crocodilo.

Por sua vez, o fim veio com a extinção K-Pg, há 66 milhões de anos. Spinossaurídeos não chegaram àquela borda do tempo geológico.

Quem é Paul Sereno e por que importa

De fato, Paul Sereno é professor de Anatomia da UChicago e um dos paleontólogos mais conhecidos do mundo. Já descreveu mais de duas dezenas de novas espécies de dinossauros nos últimos 30 anos.

De acordo com a NBC News, a equipe de Sereno realiza expedições no Níger desde os anos 1990.

Paleontólogo examina fóssil de Spinosaurus em laboratório
Pesquisador analisa fragmento ósseo do crânio do hell heron. Imagem editorial.

Por consequência, a equipe carrega expertise local. A logística no Saara é cara e dura: temperatura, distância, falta de água potável.

Outros achados recentes seguiram trajetória parecida. Em fevereiro, paleontólogos brasileiros descreveram um percevejo escavador de 110 milhões de anos no Cariri, mostrando a importância de campos de longo prazo.

Por outro lado, a China também acelerou achados. O recente Haolong dongi de 125 milhões de anos com espinhos ocos é um exemplo direto.

Comparação: o que o novo achado muda

  • ~12 metros de comprimento, com cauda incluída
  • 95 milhões de anos de idade — Cretáceo médio do Saara
  • 2 metros de profundidade máxima de caça em rio
  • 1.000 km do litoral marinho cretáceo
  • 1ª espécie nova do gênero Spinosaurus em 110 anos

Em comparação com o irmão de gênero, o Spinosaurus aegyptiacus pesava cerca de 7 toneladas. O novo predador é menor, mas com proporção corporal semelhante.

De acordo com o paper, futuras escavações devem buscar restos pós-cranianos. A vela dorsal característica do grupo ainda não foi descrita para o novo táxon.

Ressalva: o achado ainda é uma reconstituição parcial

Conforme a equipe, o material atual cobre o crânio e parte da mandíbula. O restante do esqueleto vem em campanhas futuras.

Por outro lado, a função exata da crista óssea segue em debate. Outros grupos vão revisar os fósseis e testar hipóteses de display, de termorregulação ou de combate intraespecífico.

Será que o Brasil teria condições de financiar duas décadas de expedições semelhantes? O Saara prova que continuidade institucional pesa mais do que sorte arqueológica.

Ainda assim, o Spinosaurus mirabilis já entrou para a árvore evolutiva oficial. A revisão do grupo deve ocorrer em séries de papers nos próximos anos.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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