Pesquisa mostra que padrões alimentares saudáveis continuam associados à proteção da saúde cerebral, inclusive entre pessoas com biomarcadores ligados ao Alzheimer.
Uma alimentação saudável pode estar associada à redução do risco de demência, inclusive em pessoas que já apresentam biomarcadores relacionados à doença de Alzheimer. A conclusão foi obtida em uma pesquisa realizada com quase 1.900 adultos com 60 anos ou mais, acompanhados por até 15 anos. Durante esse período, 240 participantes desenvolveram demência.
Além disso, os resultados indicam que a qualidade da alimentação permaneceu relacionada a um menor risco da doença, mesmo entre indivíduos com sinais biológicos considerados de maior risco.
BIOMARCADORES PODEM IDENTIFICAR ALTERAÇÕES CEREBRAIS ANTES DOS PRIMEIROS SINTOMAS
Antes do aparecimento dos sintomas, alterações cerebrais podem ser iniciadas por muitos anos. Por isso, os biomarcadores sanguíneos passaram a ser utilizados para indicar processos biológicos ligados ao cérebro.
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Esses marcadores incluem alterações em proteínas associadas ao Alzheimer, danos às células nervosas e mudanças nas células responsáveis pela proteção dos neurônios.
Entretanto, os biomarcadores não determinam, sozinhos, quem desenvolverá demência. Eles apenas indicam um risco maior em parte da população.
ESTUDO RELACIONA PADRÕES ALIMENTARES SAUDÁVEIS À REDUÇÃO DO RISCO DE DEMÊNCIA
Durante o acompanhamento, a alimentação foi avaliada em diferentes momentos. Em seguida, foram comparados diferentes padrões alimentares com os níveis dos biomarcadores.
Como resultado, pessoas com alimentação mais saudável apresentaram menor risco de desenvolver demência.
Além disso, essa associação também foi observada entre participantes que apresentavam alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer.
Em vez de alimentos isolados, foram analisados os padrões alimentares completos, já que a alimentação diária é composta por diferentes combinações de alimentos.
DIETA COM MENOR POTENCIAL INFLAMATÓRIO APRESENTOU OS RESULTADOS MAIS CONSISTENTES
Entre todos os padrões analisados, a dieta com menor potencial inflamatório apresentou os resultados mais consistentes.
Nos participantes com maior risco biológico, esse padrão alimentar foi associado a uma redução relativa de até 30% no risco de demência.
Ainda assim, os pesquisadores destacaram que esse percentual representa uma comparação entre grupos. Portanto, ele não garante que um indivíduo deixará de desenvolver a doença.
Além disso, por se tratar de um estudo observacional, a pesquisa identifica associações, mas não comprova relação direta de causa e efeito.
COMO É UMA DIETA COM MENOR POTENCIAL INFLAMATÓRIO
De modo geral, esse padrão alimentar prioriza:
- Vegetais e frutas;
- Grãos integrais;
- Leguminosas;
- Chá e café.
Por outro lado, recomenda-se reduzir o consumo de:
- Carnes vermelhas e processadas;
- Grãos refinados;
- Bebidas açucaradas.
Segundo os pesquisadores, esse padrão alimentar pode contribuir para reduzir processos inflamatórios persistentes, que vêm sendo relacionados ao envelhecimento cerebral.
DIETA MEDITERRÂNEA E OUTROS PADRÕES ALIMENTARES TAMBÉM FORAM ANALISADOS
Além da dieta menos inflamatória, também foram avaliadas a dieta mediterrânea e uma alimentação baseada nas recomendações gerais de saúde.
Nesse caso, ambas apresentaram associação mais forte com a redução do risco de demência entre pessoas com níveis mais baixos de biomarcadores.
Mesmo assim, os pesquisadores ressaltaram que esses padrões também podem trazer benefícios para indivíduos com maior risco biológico.
PESQUISA APRESENTA PONTOS FORTES, MAS TAMBÉM LIMITAÇÕES IMPORTANTES
Entre os principais pontos fortes estão o longo acompanhamento dos participantes, as avaliações repetidas da alimentação e a comparação de diferentes padrões alimentares.
Por outro lado, a alimentação foi medida por questionários. Além disso, todos os participantes eram provenientes de uma única região urbana da Suécia e, em média, apresentavam boa saúde e elevado nível de escolaridade.
Por esse motivo, os resultados podem não representar todas as populações.
PRINCIPAL CONCLUSÃO: ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL PODE CONTRIBUIR PARA A SAÚDE DO CÉREBRO
Por fim, os pesquisadores reforçam que uma alimentação saudável não elimina o risco de demência.
A idade, os fatores genéticos, a saúde cardiovascular, as condições sociais e outros fatores continuam exercendo influência sobre o desenvolvimento da doença.
Ainda assim, os resultados sugerem que a alimentação continua desempenhando um papel importante na saúde do cérebro, mesmo quando alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer já estão presentes.
