Com 124 metros de altura, 33 motores Raptor 3 e uma série de mudanças técnicas, a Starship V3 fará novo teste no Texas após explosões e falhas anteriores, em uma missão ligada aos planos da SpaceX e da NASA para levar astronautas à Lua em 2028
O lançamento da Starship V3, próxima geração do sistema formado pela nave Starship e pelo propulsor Super Heavy, está previsto para terça-feira, 19 de maio, na Starbase, no sul do Texas, em um teste decisivo para a SpaceX.
A empresa pretende colocar no espaço o foguete mais alto e poderoso já construído, com 407 pés, ou 124 metros, em seu 12º voo de teste. A janela de lançamento será aberta às 18h30, no horário EDT, seguindo o modelo de testes anteriores da Starship.
A missão marca a estreia da nova versão da nave e ocorre após uma sequência de voos que combinaram avanços, danos e explosões. A SpaceX busca demonstrar maior controle do veículo redesenhado e avançar em funções consideradas essenciais para seus planos futuros.
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A Starship V3 é apresentada como peça central para a ambição da empresa de levar humanos à Lua com a NASA em 2028. O voo também será observado pelo papel do veículo em futuras operações envolvendo satélites Starlink, transferência de propelente no espaço e missões para a Lua e Marte.
Starship V3 chega ao 12º teste após falhas e avanços
A trajetória recente da Starship teve episódios considerados marcantes. No ano passado, o sétimo e o oitavo voos de teste provocaram uma chuva de detritos ardentes. O nono voo ficou abaixo do alvo planejado pela empresa.
Antes do décimo teste, uma nave Starship explodiu na plataforma durante uma verificação de rotina. Mesmo com esse histórico, o décimo voo, realizado em agosto de 2025, foi considerado bem-sucedido, embora tenha sofrido alguns danos durante a missão.
O 11º voo, em outubro, ocorreu de forma limpa. Agora, a SpaceX entra em uma nova etapa com a V3, que reúne alterações na nave, no propulsor Super Heavy e também na estrutura de lançamento usada na Starbase.
A contagem regressiva mantém o tom característico da empresa. Como em testes anteriores, o cronograma divulgado não termina simplesmente com a indicação de decolagem da Starship, mas com a expressão “excitação garantida”, associada ao risco e à imprevisibilidade dos ensaios.

Como será o voo de teste
Se o plano for cumprido, a missão terá duração pouco superior a uma hora. A Starship deverá seguir uma trajetória suborbital, separar-se do propulsor Super Heavy e continuar seu percurso antes de retornar para um pouso controlado no oceano.
Após a separação, o Super Heavy fará uma manobra de retorno à Terra e deverá pousar na água no Golfo do México. A SpaceX é conhecida por recuperar foguetes em terra, mas essa tentativa não ocorrerá neste voo.
A decisão está ligada ao fato de este ser o primeiro teste de um veículo significativamente redesenhado. Por isso, a empresa não tentará realizar a captura do propulsor em local de pouso, etapa que exigiria maior precisão operacional.
Depois de abandonar o Super Heavy, a nave Starship deverá liberar 22 simuladores de satélites Starlink. Esses objetos fictícios serão parecidos com a próxima geração dos satélites Starlink e servirão como parte da avaliação da missão.
Dois desses simuladores também terão a função de escanear o escudo térmico da Starship. A proteção foi alterada deliberadamente para o teste, com a remoção intencional de uma placa do escudo térmico.
A medida permitirá observar diferenças de carga aerodinâmica nas placas vizinhas quando uma delas está ausente. A informação foi descrita pela SpaceX como parte do conjunto de avaliações da entrada atmosférica da Starship.
Ao fim da missão, um teste bem-sucedido ainda deverá incluir o reacendimento de um motor Raptor no espaço. Depois disso, a nave fará um pouso controlado no oceano, embora a empresa não tenha especificado o local exato.
Mudanças no propulsor, na nave e na plataforma
A terceira versão do Super Heavy recebeu novos recursos para melhorar o desempenho durante o voo e a estabilidade no retorno. Entre as mudanças estão novas aletas de grade posicionadas na parte inferior do propulsor.
O sistema também recebeu um tubo de transferência de combustível totalmente redesenhado. A alteração busca permitir que todos os 33 novos motores Raptor sejam acionados ao mesmo tempo durante a operação do foguete.
Os motores Raptor 3 devem entregar mais empuxo do que os modelos anteriores. A Starship V3 também recebeu um sistema de propulsão redesenhado, com novo método de arranque do motor, maior volume no tanque de combustível e controle de reação melhorado.
As mudanças se estendem à plataforma de lançamento. A estrutura passou a ter maior capacidade de armazenamento de propelente e mais bombas, para que o foguete possa ser abastecido de maneira mais rápida antes da decolagem.
A SpaceX afirmou que esse conjunto de alterações busca liberar funções centrais do veículo, incluindo reutilização completa e rápida, transferência de propelente no espaço, implantação de satélites Starlink, data centers orbitais e envio de pessoas e cargas para a Lua e Marte.
O peso do teste para os planos lunares da NASA
A NASA depende de parceiros comerciais para retornar humanos à Lua. Dentro desse plano, a agência precisa de um módulo lunar comercial capaz de transportar astronautas até a superfície durante a missão Artemis IV.
A SpaceX desenvolve uma variante lunar da Starship para esse trabalho. A empresa, porém, disputa espaço com a Blue Origin, que também atua no projeto com o módulo Blue Moon.
O plano lunar envolve enviar astronautas na cápsula Orion e encontrar um pousador comercial em órbita lunar. Esse veículo levará a tripulação até a superfície e depois fará o retorno até a Orion.
A agência ainda pretende testar a atracação da Orion com uma ou ambas as opções comerciais em órbita baixa da Terra no próximo ano. A prontidão do módulo lunar determinará qual fornecedor levará astronautas à Lua em 2028.
O cronograma também depende da preparação da própria NASA. O programa Artemis enfrenta atrasos, custos acima do orçamento e ainda aguarda trajes espaciais adequados para um pouso lunar.
Com informações de LS.

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