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Solo arenoso improdutivo pode virar área altamente lucrativa com técnica simples que eleva a soja e o milho acima de 100 sacas

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 14/04/2026 às 22:50
milho saudável em solo arenoso com palhada vegetal
Sistema com palhada melhora produtividade do milho em solo arenoso
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Estratégia com plantas de cobertura transforma áreas degradadas em sistemas produtivos sustentáveis, melhora o solo, reduz custos e aumenta drasticamente a produtividade no campo

Se você enfrenta problemas com solo arenoso, baixa produtividade da soja e dificuldade no controle de plantas daninhas, saiba que essa realidade pode mudar completamente. A informação foi divulgada por especialistas do setor agrícola em demonstrações práticas de campo, mostrando que, com o uso correto de tecnologia e manejo inteligente, é possível transformar áreas que não pagam nem o custo de produção em sistemas altamente rentáveis.

Inicialmente, o cenário é comum em muitas propriedades rurais: a soja não fecha bem as linhas, a produtividade fica abaixo do esperado e o mato cresce com facilidade. Além disso, há alta incidência de nematoides, baixa fertilidade e dificuldade de retenção de umidade. Como resultado, muitos produtores convivem com médias inferiores a 50 sacas por hectare, o que compromete a rentabilidade.

No entanto, quando analisamos áreas vizinhas que adotaram um sistema diferente, a realidade muda drasticamente. Em poucos metros de distância, já é possível perceber um contraste evidente: enquanto uma área sofre com baixa produtividade, a outra apresenta milho vigoroso, coloração intensa e potencial produtivo acima de 100 sacas por hectare.

Como o uso de plantas de cobertura muda completamente o solo

A principal diferença entre essas áreas está na implantação de um sistema baseado no uso de plantas de cobertura, como o estilosantes, associado a um manejo estratégico durante o período seco.

Primeiramente, após a colheita da soja, o produtor realiza a dessecação da área utilizando herbicidas como glifosato e 2,4-D. Em seguida, faz a aplicação de aproximadamente 20 a 25 kg de sementes de estilosantes por hectare, que permanecem no solo durante toda a seca.

Durante esse período, o produtor mantém o controle de plantas daninhas com o uso de graminicidas seletivos e doses ajustadas para folhas largas, garantindo uma área limpa até a chegada das chuvas.

Posteriormente, no início do período chuvoso, o sistema permite o plantio do milho diretamente sobre essa cobertura vegetal. E é justamente nesse momento que acontece a grande transformação.

À medida que as folhas do estilosantes entram em decomposição, elas liberam nutrientes importantes para o solo. Assim, as raízes do milho passam a explorar essa camada rica em matéria orgânica, absorvendo nutrientes essenciais para o desenvolvimento da cultura.

Além disso, a palhada formada cria uma proteção térmica natural, mantendo o solo mais fresco e úmido, mesmo após períodos curtos sem chuva. Isso favorece diretamente o crescimento radicular e melhora a eficiência do uso da água.

Benefícios diretos no desempenho do milho e da soja

Com esse sistema, o milho apresenta um padrão completamente diferente. As raízes se aprofundam com facilidade, o solo fica menos compactado e a planta consegue buscar nutrientes em camadas mais profundas.

Outro ponto importante é o estímulo natural ao desenvolvimento do sistema radicular. Quando ocorre o corte da planta de cobertura, o estilosantes entra em recuperação e direciona energia para suas raízes, ajudando no processo de descompactação do solo.

Além disso, o espaçamento de aproximadamente 90 cm entre linhas permite maior entrada de luz solar, favorecendo a fotossíntese tanto do milho quanto da cobertura vegetal. Como resultado, há produção contínua de biomassa, que será reutilizada na safra seguinte.

Esse ciclo cria um sistema altamente eficiente. De um lado, o milho produz palhada de até 10 toneladas por hectare. De outro, o estilosantes continua gerando massa orgânica. Dessa forma, o solo passa a receber uma camada dupla de proteção, aumentando o conforto térmico e a retenção de umidade.

Consequentemente, há um ganho expressivo em fertilidade natural. O sistema também contribui para o aumento do nitrogênio disponível no solo, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos ao longo do tempo.

Transformação produtiva e sustentabilidade no campo

A longo prazo, esse modelo permite uma verdadeira transformação no sistema produtivo. Áreas que antes apresentavam prejuízo passam a gerar lucro consistente, com maior estabilidade e sustentabilidade.

Além disso, o solo ganha estrutura, aumenta o teor de matéria orgânica e melhora sua capacidade de retenção de água. Isso reduz riscos em períodos de estiagem e melhora o desempenho das culturas seguintes, especialmente da soja.

É importante destacar que não se trata de um processo imediato. Pelo contrário, exige planejamento, acompanhamento técnico e adaptação gradual. Por isso, especialistas recomendam iniciar em pequenas áreas, testar o sistema e evoluir conforme os resultados aparecem.

Ainda assim, os resultados já observados mostram que é possível sair de um cenário de baixa produtividade para níveis superiores a 100 sacas por hectare no milho, algo que antes parecia inviável em solos arenosos.

Portanto, fica claro que não existe milagre na agricultura, mas sim tecnologia, manejo correto e consistência na aplicação das técnicas.

Você já testou alguma técnica de cobertura vegetal na sua lavoura ou ainda enfrenta problemas com solo arenoso?

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Jefferson Augusto

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