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Sob até 30 km de gelo, um oceano com cerca de 100 km de profundidade em Europa pode conter mais água do que todos os oceanos da Terra juntos, manter energia interna por bilhões de anos e sustentar ambientes potencialmente habitáveis em Júpiter

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 24/01/2026 às 21:55
Assista o vídeoOceano escondido com profundidade média estimada até 100 quilômetros sob dezenas de quilômetros de gelo pode conter mais água que todos os mares da Terra juntos, manter energia interna por bilhões de anos e sustentar ambientes potencialmente habitáveis fora do planeta
Oceano escondido com profundidade média estimada até 100 quilômetros sob dezenas de quilômetros de gelo pode conter mais água que todos os mares da Terra juntos, manter energia interna por bilhões de anos e sustentar ambientes potencialmente habitáveis fora do planeta
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Um oceano sob dezenas de quilômetros de gelo pode conter mais água que todos os mares da Terra juntos e manter energia suficiente para sustentar vida fora do planeta.

Por décadas, a busca por vida fora da Terra se concentrou na superfície de planetas. Mas evidências acumuladas pela ciência espacial apontam para outro caminho: o subsolo. Em especial, um mundo gelado do Sistema Solar revelou sinais consistentes de que um oceano global existe abaixo de uma crosta espessa de gelo, contendo mais água líquida do que todos os oceanos da Terra somados. Esse ambiente, protegido da radiação e alimentado por energia interna, pode ter permanecido estável por bilhões de anos, tempo suficiente para processos químicos complexos e talvez biológicos se desenvolverem.

O local em questão é Europa, uma das maiores luas de Júpiter. O que antes parecia apenas uma esfera branca e rachada revelou-se um dos ambientes mais promissores para a vida fora da Terra.

O que os dados revelam sobre o oceano subterrâneo

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Medições gravimétricas, análises do campo magnético e observações espectrais indicam que Europa abriga um oceano global salgado sob uma crosta de gelo cuja espessura varia, segundo modelos, entre 15 e 30 quilômetros. Abaixo dessa camada sólida, o oceano teria profundidade média estimada em 60 a 100 quilômetros.

Em termos de volume, isso significa algo impressionante: mais água líquida do que todos os oceanos terrestres juntos, mesmo Europa sendo menor que a Terra. Essa constatação mudou completamente o status da lua dentro da astrobiologia.

Por que a água não congela

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À distância de Júpiter, a temperatura superficial de Europa é extremamente baixa, chegando a –160 °C. Ainda assim, o oceano permanece líquido graças a um mecanismo poderoso: aquecimento por marés gravitacionais.

A intensa gravidade de Júpiter deforma continuamente o interior da lua à medida que ela orbita o planeta gigante. Esse processo gera calor interno suficiente para:

  • impedir o congelamento total da água
  • manter o oceano em estado líquido por períodos geológicos
  • sustentar atividade interna contínua

Trata-se de uma fonte de energia estável, independente da luz solar — exatamente o tipo de condição que permite a vida existir em ambientes extremos na Terra.

Uma crosta que se move e troca matéria com o oceano

Imagens de alta resolução mostram que a superfície de Europa é coberta por fraturas, placas quebradas e regiões onde o gelo parece ter sido reciclado. Isso sugere que há interação entre o oceano e a crosta, permitindo troca de materiais.

Em termos científicos, isso é crucial. A vida, como entendemos, precisa não apenas de água, mas de:

  • nutrientes
  • energia química
  • circulação de elementos

Modelos indicam que sais, compostos orgânicos simples e minerais do fundo rochoso podem estar sendo transportados entre o oceano e o gelo, criando um sistema dinâmico — não um reservatório isolado e morto.

Evidências de atividade atual: jatos de água no espaço

Observações feitas por telescópios espaciais detectaram plumas de vapor de água sendo lançadas ao espaço a partir da superfície de Europa. Esses jatos alcançariam centenas de quilômetros de altura, atravessando a crosta e liberando material diretamente do oceano ou de bolsões líquidos rasos.

Esse fenômeno é um divisor de águas: ele sugere que amostras do oceano podem ser analisadas sem perfuração, bastando atravessar as plumas com sondas espaciais. É uma oportunidade rara e estratégica para a exploração astrobiológica.

Um fundo oceânico possivelmente ativo

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Sob o oceano de Europa existe um manto rochoso, e tudo indica que ali podem ocorrer reações hidrotermais, semelhantes às fontes quentes do fundo dos oceanos terrestres. Na Terra, esses ambientes:

  • não dependem de luz solar
  • são ricos em energia química
  • sustentam ecossistemas completos

Se processos semelhantes existirem em Europa, eles forneceriam exatamente o tipo de energia necessária para sustentar vida microbiana por longos períodos, mesmo em total escuridão.

Proteção natural contra radiação extrema

Júpiter emite níveis intensos de radiação, capazes de destruir moléculas orgânicas na superfície de suas luas. No entanto, o oceano de Europa está blindado por dezenas de quilômetros de gelo, funcionando como um escudo natural.

Essa proteção cria um ambiente:

  • quimicamente estável
  • isolado de eventos catastróficos externos
  • preservado ao longo de bilhões de anos

É o oposto de ambientes superficiais instáveis e hostis. Em termos de habitabilidade, isso conta muito.

Por que Europa supera Marte em potencial biológico

Enquanto Marte apresenta sinais de água antiga, Europa oferece água líquida atual, energia contínua e isolamento prolongado. Esses três fatores, juntos, fazem da lua:

  • um dos ambientes mais promissores do Sistema Solar
  • um candidato mais robusto para vida presente, não apenas passada

Marte pode ter sido habitável no passado. Europa pode ser habitável agora.

Missões dedicadas para responder à pergunta definitiva

A importância científica de Europa é tão grande que motivou missões específicas. A mais ambiciosa delas é a Europa Clipper, da NASA, projetada para:

  • mapear a espessura da crosta
  • analisar a composição do gelo
  • estudar as plumas
  • identificar regiões com maior troca entre oceano e superfície

Esses dados servirão para definir se e onde uma futura missão de pouso poderia buscar sinais diretos de vida.

Tudo indica que o oceano de Europa existe há bilhões de anos, tempo suficiente para que processos químicos complexos ocorram. Diferente de ambientes transitórios, trata-se de um sistema:

  • duradouro
  • energeticamente ativo
  • quimicamente diverso

Na escala do tempo cósmico, poucos lugares fora da Terra oferecem condições tão persistentes.

O que está realmente em jogo

A descoberta de vida em Europa teria implicações profundas. Não seria apenas a confirmação de vida fora da Terra, mas a prova de que a vida pode surgir e se manter em ambientes totalmente diferentes do nosso, em mundos cobertos por gelo, longe do Sol. Isso mudaria:

  • nossa compreensão sobre a origem da vida
  • as estimativas de vida no Universo
  • a própria posição da Terra como um caso especial

Enquanto a superfície de Europa parece fria e inóspita, tudo indica que um oceano inteiro pulsa abaixo, escuro, quente e potencialmente vivo. Um mundo invisível, escondido sob gelo, aguardando apenas as ferramentas certas para revelar seus segredos. A pergunta já não é mais se existe água. A pergunta agora é: o que vive nela?

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José Antônio
José Antônio
27/01/2026 20:22

Pode haver peixes 🐟 🐟 🐟 ou similares lá. Bilhões de anos são muito tempo!

Rômulo
Rômulo
26/01/2026 10:53

A chance da vida ter surgido da matéria, em qualquer ambiente e espaço de tempo, é de 0,0000000000…1% (10^-121). Tenham fé, pois ainda há possibilidades. Haja fé.

Ramon
Ramon
Em resposta a  Rômulo
01/02/2026 07:50

Considerando que estamos falando de um universo com trilhões de galáxias e cada uma com bilhões de estrelas então nasceu vida em milhões de lugares inimagináveis

Fabio
Fabio
26/01/2026 10:15

Não adianta para qualquer lugar do universo q o ser humano for ele destrói tudo com a ganância e a falta de respeito a vida e com Europa não será diferente, eles querem saber se tem materiais valiosos para poder explorar e se tiver vão poluir e matar tudo q tem vida 🧬

Nilson 3
Nilson 3
Em resposta a  Fabio
28/01/2026 12:18

O bom é que ninguém nunca pescou lá

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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