Setor de óleo e gás tem queda nos postos de trabalho, segundo levantamento da FUP

Roberta Souza
por
-
14-01-2022 12:35:46
em Petróleo, Óleo e Gás
FUP - ÓLEO E GÁS - TRABALHO Foto: reprodução google

A média anual de trabalhadores no setor de óleo e gás caiu 2,4% entre 2020 e 2021, de acordo com a FUP

Um levantamento realizado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), baseado na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que, na média anual dos trimestres de 2021, o total de trabalhadores no segmento de óleo e gás no Brasil caiu cerca de 2,4%, o que resultou na diminuição de 159.086 para 155.227 postos de trabalho. Os dados disponíveis na pesquisa foram até o terceiro trimestre do ano passado.

Leia também:

A queda aconteceu também na renda dos trabalhadores da área de extração e respectivas atividades de apoio, que, de acordo com a Pnad, sofreram uma diminuição média aproximada de 9,5% nos seus rendimentos.

Rafael Rodrigues da Costa, que é pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), foi quem analisou os dados juntamente aos economistas do Centro de Economia Política do Petróleo (Cepetro) Pedro Gilberto Cavalcante Filho e Claudiane de Jesus.

“A saída da Petrobras de alguns segmentos, e a consequente entrada das empresas privadas, ainda não surtiu efeitos positivos nem na geração de novos postos de trabalho, nem no aumento da renda”, pontua a FUP.

Início da retração


Desde 2015, a Petrobras disponibilizou para venda um total de 378 ativos no estado da Bahia, o que representa 31% do portfólio de desinvestimentos da petroleira. Atualmente, no estado, a diminuição de postos de trabalhou alcançou 28,9%, segundo a média anual de 2021, se comparada a 2020. Esse número representa uma retração de 7 mil empregos (de 25.788, em 2020, para 18.328 em 2021), informou o estudo da FUP.

Em Salvador, a diminuição dos salários no segmento de óleo e gás alcançou a marca de 22,9%, o que significa ter saído de uma renda média aproximada a R$ 7.180,00, até o terceiro trimestre de 2020, para uma remuneração próxima de R$ 5.140,00 nos mesmos meses em 2021.

A FUP pontua que, embora a pandemia do coronavírus também deva ser levada em conta como um fator importante para os postos de trabalho terem sofrido a diminuição, a retração no mercado de trabalho baiano é uma realidade que vem acontecendo junto ao início do programa de desinvestimentos da Petrobras em 2015. Quem explicou essa conjuntura foi o pesquisador do Ineep Rodrigues da Costa, baseado nos dados do IBGE.

No terceiro trimestre de 2015 o segmento empregava até 37.890 pessoas. Hoje, o setor petrolífero baiano ocupa menos de 8.760 postos de trabalho na região, segundo as estatísticas do terceiro trimestre da Pnad 2021. Os dados são visíveis comparando a quantidade de empregos na área de óleo e gás na Bahia ao programa de desinvestimentos da Petrobras.

“Queda do emprego e do salário e aumento nos preços dos produtos ao consumidor são efeitos nefastos de um mesmo fenômeno, que é a política de criação de monopólios privados regionais, resultantes da venda equivocada de ativos da Petrobras”, afirmou o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Publicidade




Tags:
Roberta Souza
Engenheira de Petróleo, pós-graduanda em Comissionamento de Unidades Industriais, especialista em Corrosão Industrial. Entre em contato para sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal. Não recebemos currículos