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Quem vive em Picuí, Pedra Lavrada, Nova Palmeira e Baraúna (PB) tem agora 108 aerogeradores da CTG em operação comercial: as 23 usinas de Serra da Palmeira somam 648 MW e foram quase toda a energia nova do Brasil em outubro

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 08/11/2026 às 13:14 Atualizado em 08/11/2026 às 13:28
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As 23 usinas eólicas do Complexo Serra da Palmeira, da CTG Brasil, entraram em operação comercial no Seridó paraibano e somaram 648 MW, praticamente toda a capacidade nova de geração que o Brasil ligou em outubro, segundo a Aneel.

As autorizações para as unidades Serra da Palmeira I a Serra da Palmeira XXIII foram publicadas no Diário Oficial da União de quarta-feira (4), conforme noticiou o portal MegaWhat.

Os parques ficam nos municípios de Picuí, Pedra Lavrada, Nova Palmeira e Baraúna, na região do Seridó, perto da divisa com o Rio Grande do Norte.

Dois dias depois, na sexta (6), a Agência Nacional de Energia Elétrica confirmou o peso do complexo no balanço mensal da expansão da matriz elétrica brasileira.

Outubro teve 26 usinas novas, e 23 eram da Paraíba

Segundo o levantamento da Aneel, o país ganhou 703,70 MW de capacidade em outubro, distribuídos em 26 usinas, todas de fontes renováveis.

As 23 eólicas, todas instaladas na Paraíba, responderam por 648 MW desse total. É mais de 92% de tudo o que entrou em operação no mês.

O restante veio de três centrais solares: 32,50 MW na Bahia, 13,20 MW no Rio de Janeiro e 10 MW em Minas Gerais, somando 55,70 MW.

Silhueta de aerogeradores contra o céu alaranjado do fim de tarde num parque eólico
Aerogeradores ao entardecer, imagem que ilustra o balanço da expansão de outubro. Foto: divulgação/Aneel

Um ano fraco para o vento até setembro

O número chama atenção porque 2026 vinha sendo um ano magro para a energia eólica. Em outubro, o CPG mostrou que só 3 usinas eólicas tinham entrado em operação no Brasil até 4 de outubro, com 184,5 MW.

Com Serra da Palmeira, a conta mudou. A Aneel registra agora 832,50 MW em 26 usinas eólicas que começaram a operar entre janeiro e outubro.

Ou seja, o complexo paraibano sozinho quase quadruplicou a potência eólica nova do ano. Ainda assim, o total segue abaixo dos 1.468 MW de 2025 inteiro.

A Paraíba subiu para o segundo lugar do país

No acumulado de janeiro a outubro, a expansão nacional chegou a 5.887,76 MW, com usinas entrando em operação comercial em 18 estados, segundo a agência.

O Mato Grosso do Sul lidera, com 894,20 MW. Logo atrás vem a Paraíba, com 774 MW, impulsionada quase toda pelo complexo da CTG. O Pará aparece em terceiro, com 649,37 MW.

Sem os 648 MW de Serra da Palmeira, a Paraíba teria somado 126 MW no ano. Dá pra entender por que o Seridó virou assunto entre quem acompanha o setor elétrico.

108 torres no alto da serra

Como o CPG mostrou em maio de 2025, quando a obra ainda estava em andamento, o complexo tem 108 aerogeradores distribuídos pelos 23 parques, com torres de 120 metros e pás de 84 metros.

A construção começou em outubro de 2023. Na época, a previsão era de operação plena até o fim de 2025. A liberação comercial completa veio agora, em novembro de 2026.

O projeto incluiu São Vicente do Seridó entre os municípios da área de influência, segundo a mesma reportagem, embora a autorização da Aneel cite apenas quatro cidades.

Aerogerador da Neoenergia visto de cima sobre a vegetação da caatinga, com estradas de terra e subestação ao fundo
Parque eólico Chafariz, de outra empresa, também na Paraíba, em 2023: o mesmo tipo de paisagem do interior do estado. Foto: Palácio do Planalto, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Um transformador de 250 toneladas pela estrada

Um dos episódios mais lembrados da obra foi o transporte de um transformador de 250 toneladas do Porto de Suape, em Pernambuco, até a subestação coletora em Nova Palmeira, em abril de 2025.

A viagem durou cerca de 20 dias e percorreu mais de 400 quilômetros, com escolta da Polícia Rodoviária Federal, segundo a reportagem do CPG daquele ano.

Cada aerogerador tem um transformador próprio que eleva a tensão para 34.500 volts. Na subestação, a energia é convertida para 500 mil volts e segue para o sistema nacional.

Quem trabalhou na obra e quem fica agora

Durante os 30 meses de construção, a estimativa divulgada era de até 1.200 empregos diretos nos municípios envolvidos, com parcerias de capacitação com Sebrae, Senai e IFPB.

Na fase de operação, o número de vagas é muito menor. Parques eólicos rodam com equipes enxutas de manutenção, técnicos e vigilância, e boa parte do controle é feita à distância.

Para os moradores, o efeito mais duradouro costuma vir dos arrendamentos de terra e da arrecadação dos municípios, que passam a receber tributos de uma atividade nova.

Energia limpa num sistema que já sofre com cortes

A chegada de 648 MW ao mesmo tempo também levanta uma pergunta conhecida no Nordeste: haverá linha de transmissão suficiente para escoar tudo o que os parques podem gerar?

Nos últimos anos, usinas eólicas e solares da região tiveram a produção cortada pelo operador do sistema em momentos de excesso de oferta ou falta de capacidade nas linhas.

A Aneel não detalhou, no balanço, se o complexo terá restrições de escoamento. Esse é o ponto que vai definir quanto da energia de Serra da Palmeira chega de fato ao consumidor.

O dono chinês que aposta no Seridó

A CTG Brasil é a subsidiária brasileira da estatal chinesa China Three Gorges. No país, a empresa é conhecida principalmente pelas hidrelétricas que opera no Rio Paraná.

Serra da Palmeira é o maior projeto eólico da companhia no Brasil, segundo a reportagem de 2025, e marca a entrada mais forte do grupo na geração pelo vento no Nordeste.

As fontes consultadas não informam quanto a empresa investiu no complexo nem para quem a energia será vendida. São dois dados que ajudariam a medir o retorno do projeto para a região.

Também não há, nas notas da Aneel e do MegaWhat, a potência individual de cada uma das 23 usinas. O que se sabe é o total liberado de 648 MW.

O que muda para quem paga a conta de luz

Na prática, a energia entra no Sistema Interligado Nacional e se mistura à de todas as outras usinas. Quem mora em Picuí não paga menos na conta por ter as torres ao lado.

O ganho para o consumidor é indireto: mais oferta renovável reduz a necessidade de acionar termelétricas caras, que pesam nas bandeiras tarifárias.

Você acha que a Paraíba e o Seridó vão conseguir transformar as 108 torres em desenvolvimento para quem mora perto delas?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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