As 23 usinas eólicas do Complexo Serra da Palmeira, da CTG Brasil, entraram em operação comercial no Seridó paraibano e somaram 648 MW, praticamente toda a capacidade nova de geração que o Brasil ligou em outubro, segundo a Aneel.
As autorizações para as unidades Serra da Palmeira I a Serra da Palmeira XXIII foram publicadas no Diário Oficial da União de quarta-feira (4), conforme noticiou o portal MegaWhat.
Os parques ficam nos municípios de Picuí, Pedra Lavrada, Nova Palmeira e Baraúna, na região do Seridó, perto da divisa com o Rio Grande do Norte.
Dois dias depois, na sexta (6), a Agência Nacional de Energia Elétrica confirmou o peso do complexo no balanço mensal da expansão da matriz elétrica brasileira.
-
Bulgária pode receber complexo eólico de 1 GW da European Energy em região próxima ao Mar Negro, com projeto ainda em análise e possibilidade de incluir baterias e painéis solares
-
Dinamarca avança com dois parques eólicos no mar que somam pelo menos 1,8 GW, enquanto Vattenfall prepara projetos no Mar do Norte e no Kattegat para operar até 2032
-
Espanha investe € 25,2 milhões em baterias gigantes que vão mudar o uso da energia solar
-
Governo quer mudar regras para usinas solares e eólicas e abre prazo até 18 de dezembro
Outubro teve 26 usinas novas, e 23 eram da Paraíba
Segundo o levantamento da Aneel, o país ganhou 703,70 MW de capacidade em outubro, distribuídos em 26 usinas, todas de fontes renováveis.
As 23 eólicas, todas instaladas na Paraíba, responderam por 648 MW desse total. É mais de 92% de tudo o que entrou em operação no mês.
O restante veio de três centrais solares: 32,50 MW na Bahia, 13,20 MW no Rio de Janeiro e 10 MW em Minas Gerais, somando 55,70 MW.

Um ano fraco para o vento até setembro
O número chama atenção porque 2026 vinha sendo um ano magro para a energia eólica. Em outubro, o CPG mostrou que só 3 usinas eólicas tinham entrado em operação no Brasil até 4 de outubro, com 184,5 MW.
Com Serra da Palmeira, a conta mudou. A Aneel registra agora 832,50 MW em 26 usinas eólicas que começaram a operar entre janeiro e outubro.
Ou seja, o complexo paraibano sozinho quase quadruplicou a potência eólica nova do ano. Ainda assim, o total segue abaixo dos 1.468 MW de 2025 inteiro.
A Paraíba subiu para o segundo lugar do país
No acumulado de janeiro a outubro, a expansão nacional chegou a 5.887,76 MW, com usinas entrando em operação comercial em 18 estados, segundo a agência.
O Mato Grosso do Sul lidera, com 894,20 MW. Logo atrás vem a Paraíba, com 774 MW, impulsionada quase toda pelo complexo da CTG. O Pará aparece em terceiro, com 649,37 MW.
Sem os 648 MW de Serra da Palmeira, a Paraíba teria somado 126 MW no ano. Dá pra entender por que o Seridó virou assunto entre quem acompanha o setor elétrico.
108 torres no alto da serra
Como o CPG mostrou em maio de 2025, quando a obra ainda estava em andamento, o complexo tem 108 aerogeradores distribuídos pelos 23 parques, com torres de 120 metros e pás de 84 metros.
A construção começou em outubro de 2023. Na época, a previsão era de operação plena até o fim de 2025. A liberação comercial completa veio agora, em novembro de 2026.
O projeto incluiu São Vicente do Seridó entre os municípios da área de influência, segundo a mesma reportagem, embora a autorização da Aneel cite apenas quatro cidades.

Um transformador de 250 toneladas pela estrada
Um dos episódios mais lembrados da obra foi o transporte de um transformador de 250 toneladas do Porto de Suape, em Pernambuco, até a subestação coletora em Nova Palmeira, em abril de 2025.
A viagem durou cerca de 20 dias e percorreu mais de 400 quilômetros, com escolta da Polícia Rodoviária Federal, segundo a reportagem do CPG daquele ano.
Cada aerogerador tem um transformador próprio que eleva a tensão para 34.500 volts. Na subestação, a energia é convertida para 500 mil volts e segue para o sistema nacional.
Quem trabalhou na obra e quem fica agora
Durante os 30 meses de construção, a estimativa divulgada era de até 1.200 empregos diretos nos municípios envolvidos, com parcerias de capacitação com Sebrae, Senai e IFPB.
Na fase de operação, o número de vagas é muito menor. Parques eólicos rodam com equipes enxutas de manutenção, técnicos e vigilância, e boa parte do controle é feita à distância.
Para os moradores, o efeito mais duradouro costuma vir dos arrendamentos de terra e da arrecadação dos municípios, que passam a receber tributos de uma atividade nova.
Energia limpa num sistema que já sofre com cortes
A chegada de 648 MW ao mesmo tempo também levanta uma pergunta conhecida no Nordeste: haverá linha de transmissão suficiente para escoar tudo o que os parques podem gerar?
Nos últimos anos, usinas eólicas e solares da região tiveram a produção cortada pelo operador do sistema em momentos de excesso de oferta ou falta de capacidade nas linhas.
A Aneel não detalhou, no balanço, se o complexo terá restrições de escoamento. Esse é o ponto que vai definir quanto da energia de Serra da Palmeira chega de fato ao consumidor.
O dono chinês que aposta no Seridó
A CTG Brasil é a subsidiária brasileira da estatal chinesa China Three Gorges. No país, a empresa é conhecida principalmente pelas hidrelétricas que opera no Rio Paraná.
Serra da Palmeira é o maior projeto eólico da companhia no Brasil, segundo a reportagem de 2025, e marca a entrada mais forte do grupo na geração pelo vento no Nordeste.
As fontes consultadas não informam quanto a empresa investiu no complexo nem para quem a energia será vendida. São dois dados que ajudariam a medir o retorno do projeto para a região.
Também não há, nas notas da Aneel e do MegaWhat, a potência individual de cada uma das 23 usinas. O que se sabe é o total liberado de 648 MW.
O que muda para quem paga a conta de luz
Na prática, a energia entra no Sistema Interligado Nacional e se mistura à de todas as outras usinas. Quem mora em Picuí não paga menos na conta por ter as torres ao lado.
O ganho para o consumidor é indireto: mais oferta renovável reduz a necessidade de acionar termelétricas caras, que pesam nas bandeiras tarifárias.
Você acha que a Paraíba e o Seridó vão conseguir transformar as 108 torres em desenvolvimento para quem mora perto delas?
