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Barqueiros e produtores do Vale do São Francisco ganham um dono para a hidrovia: a Codeba assume por 25 anos a Eclusa de Sobradinho, 15 portos pequenos e um plano de R$ 300 milhões

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 08/11/2026 às 13:26 Atualizado em 08/11/2026 às 13:31
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A Companhia das Docas do Estado da Bahia, a Codeba, assumiu por 25 anos a gestão da Hidrovia do Rio São Francisco, com um plano de R$ 300 milhões em obras previsto para começar em 2027.

O convênio foi assinado na noite de quarta-feira (4), em Brasília, entre o Ministério de Portos e Aeroportos e o governo da Bahia, com a presença do governador Jerônimo Rodrigues.

Pelo acordo, a estatal baiana passa a cuidar da administração, da operação, da manutenção e da conservação da via navegável, que até agora estava com o DNIT.

O pacote inclui ainda a Eclusa de Sobradinho e 15 instalações portuárias públicas de pequeno porte na Bahia, em Pernambuco e em Alagoas.

Os R$ 300 milhões e o prazo.

Segundo a Agência iNFRA, o acordo prevê a estruturação de um plano de investimento de R$ 300 milhões em intervenções a partir de 2027.

O dinheiro deve ser aplicado nos primeiros seis anos do convênio. Antes das obras, a Codeba precisa contratar um estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental, o EVTEA, que vai orientar a execução.

O governador disse que a expectativa é começar as intervenções no segundo semestre de 2027, segundo o governo da Bahia.

Reunião em Brasília com autoridades sentadas a uma mesa em U diante de um telão com a frase anúncio de investimentos em infraestrutura na Hidrovia do São Francisco
Assinatura do convênio da hidrovia no Ministério de Portos e Aeroportos, em Brasília (Eduardo Aiache/GOVBA)

A obra vai por trechos.

A hidrovia tem cerca de 1,4 mil quilômetros entre Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. A ideia é organizar as intervenções em três etapas ao longo desse percurso.

A primeira deve cobrir 300 quilômetros, a segunda, outros 600, e a terceira, os 500 restantes, de acordo com a Agência iNFRA.

O objetivo é garantir navegação durante o ano inteiro, inclusive na seca, com dragagem nos pontos em que o rio fica raso demais para comboios carregados.

Quem ganha com o rio navegável.

Segundo a Codeba, as cargas que mais aparecem nos estudos são gipsita, usada na agricultura e na construção civil, caroço de algodão, soja e milho, conforme o Movimento Econômico.

A companhia vê potencial também para ração animal, biocombustíveis e açúcar destinado ao mercado interno, segundo a reportagem do portal nordestino.

As frutas do Vale do São Francisco ficam para depois. Segundo a Codeba, esse transporte depende de barcos específicos, com tecnologia apropriada para carga perecível.

A meta de 5 milhões de toneladas.

Na cerimônia, o presidente da Codeba, Antonio Gobbo, projetou a movimentação de 5 milhões de toneladas de carga já no primeiro ano de operação da hidrovia sob a nova gestão.

“Estamos falando de 11,5 milhões de pessoas que serão beneficiadas e de uma ampliação significativa do índice de desenvolvimento humano e do espaço fiscal em toda a região”, afirmou Gobbo.

A obra também pretende abrir mercado para os portos de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), as duas cidades que ficam frente a frente, separadas pelo rio, no sertão.

Barco navegando entre os paredões de pedra de um cânion do Rio São Francisco, com água verde e vegetação no alto
Trecho do Rio São Francisco entre paredões de pedra (Foto: MPor, via Agência iNFRA)

O que muda para o DNIT.

Os contratos ligados às atividades que passam para a Codeba, hoje administrados pelo DNIT, devem ser transferidos em até 90 dias, segundo a Agência iNFRA.

O DNIT continua responsável por supervisionar o convênio. A titularidade dos bens, como a eclusa e os portos pequenos, permanece pública durante os 25 anos.

O acordo pode ser prorrogado ao fim do prazo. Até lá, quem responde pela navegação no rio no dia a dia passa a ser a estatal baiana.

Concessão privada não está descartada.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, disse à Agência iNFRA que a ideia inicial é investir com recursos da própria Codeba, mas que uma concessão à iniciativa privada pode vir depois.

“O acordo transfere a gestão para a Codeba. Mas pode fazer, posteriormente, uma concessão. Os estudos vão apontar qual é a melhor modelagem”, afirmou o ministro.

Hidrovias como as dos rios Madeira, Tapájos e Paraguai estão no plano de concessões do ministério, com estudos feitos em parceria com a Infra S.A.

Um modelo que pode se repetir.

Questionado se outras hidrovias podem ir para governos estaduais, Franca disse que a delegação à Codeba foi uma solução específica e que não há previsão de novas transferências.

“Dando certo, podemos, sim, ter como alternativa a delegação para outros entes federativos”, disse o ministro, segundo a Agência iNFRA.

Um rio que já foi rota de carga.

O São Francisco já teve navegação comercial regular. A meta do convênio é justamente devolver ao rio a regularidade das viagens mesmo durante a estiagem.

Em maio, o CPG mostrou que o governo estudava reativar 1.371 km de hidrovia no São Francisco para atender 505 municípios.

Seis meses depois, o estudo virou convênio assinado, com dono, prazo e valor. Falta agora o EVTEA dizer onde e como o dinheiro será gasto.

Você acredita que o Rio São Francisco volta a ser rota de carga até o fim da década? Conta pra gente nos comentários.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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