O Estaleiro Rio Grande, no Sul do Rio Grande do Sul, voltou a construir navios e está recontratando parte dos trabalhadores demitidos na crise do polo naval, há dez anos.
Um deles é João Telles. Ele estava entre os 3,2 mil trabalhadores desligados em 2016 e voltou ao estaleiro para gerenciar a fábrica de blocos, uma das áreas centrais da construção dos cascos.
A história foi mostrada pelo Rio Grande Record e comentada pelo jornalista Léo Saballa Jr. no R7 na quinta-feira (5).
Segundo a reportagem, profissionais que viveram o auge do estaleiro há 15 ou 20 anos estão de novo na linha de produção e trazem a experiência de quem conhece cada etapa de um navio.
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De 12 mil para a demissão em massa.
No auge da indústria naval, em 2013, o Estaleiro Rio Grande chegou a ter 12 mil funcionários, de acordo com o R7.
A crise que atingiu o setor reduziu as encomendas, e em 2016 vieram as 3,2 mil demissões. O canteiro passou anos praticamente parado depois disso.
O novo ciclo de R$ 6 bilhões.
O novo ciclo do estaleiro prevê investimento de R$ 6 bilhões e a construção de 13 navios, segundo a reportagem. Os quatro primeiros já estão em obra.
Esses quatro terão capacidade para levar 16 mil toneladas de carga, como diesel e gasolina de aviação. A entrega do primeiro está prevista para o primeiro semestre de 2028.
Depois vêm outras nove embarcações: cinco para transportar gás liquefeito de petróleo, o GLP de cozinha, e quatro para derivados de petróleo.

Como nasce um navio na fábrica de blocos.
Desde abril, as equipes trabalham no corte e na preparação das chapas de aço. Foram cerca de 11 mil toneladas de material importadas da Indonésia e descarregadas no próprio estaleiro.
Depois de processadas, as chapas viram grandes blocos. Unidos, esses blocos formam o casco dos navios. É essa etapa que João Telles comanda hoje.
Em outubro, o CPG mostrou que os trabalhadores do estaleiro bateram a quilha do primeiro dos 4 navios Handymax da Transpetro, seis meses depois de cortar o aço.
Quem está sendo chamado.
Hoje, mais de 500 profissionais trabalham na produção, segundo o R7. As novas encomendas abrem vagas para soldadores, caldeireiros, montadores e profissionais de manutenção.
A expectativa é chegar a até 5 mil empregos diretos e indiretos com o avanço das obras dos 13 navios.
É um número grande para a região, mas ainda distante dos 12 mil funcionários que o estaleiro teve no pico de 2013.
A volta de quem já sabia o ofício.
Para o estaleiro, recontratar quem já trabalhou lá significa trazer gente que conhece o canteiro, os equipamentos e o jeito de montar um casco de aço.
Segundo o comentário publicado no R7, a reportagem mostra que a região tem infraestrutura e mão de obra qualificada para a indústria naval.
João Telles é o exemplo usado na reportagem: saiu como demitido e voltou para uma função de gestão, dentro da mesma fábrica.
O alerta de quem viu o tombo.
O próprio texto do R7 faz uma ressalva. Rio Grande já viu o estaleiro passar de 12 mil funcionários para uma demissão em massa em poucos anos.
“Resta torcer para que os erros do passado não se repitam”, escreve Saballa Jr., que defende que a região consiga, desta vez, avançar de verdade no desenvolvimento econômico.
O calendário dos próximos anos.
O primeiro navio deve ser entregue no primeiro semestre de 2028. Até lá, a fábrica de blocos precisa manter o ritmo para fechar os cascos dos quatro primeiros.
Os nove navios seguintes, de GLP e de derivados, são os que podem sustentar o emprego no estaleiro depois de 2028 e aproximar o canteiro da meta de 5 mil vagas.
Para quem foi demitido em 2016 e ainda não voltou, a lista de funções abertas é o sinal a acompanhar nos próximos meses.
Você acha que o polo naval de Rio Grande vai segurar os empregos desta vez ou corre o risco de repetir a crise de 2016? Conta pra gente nos comentários.
