Caicó, no Seridó potiguar, recebeu da Agência Nacional de Mineração quatro alvarás para a RAJ Mineração pesquisar terras raras numa área de 7.642 hectares do município.
Os alvarás foram publicados no Diário Oficial da União em 19 de outubro, e o caso foi noticiado pela Tribuna do Norte na quarta-feira (4).
A autorização é para pesquisa mineral, não para mina. A empresa pode estudar o subsolo, mas isso não garante que um dia vá haver exploração comercial em Caicó.
E há um passo que ainda nem começou. O Idema, órgão ambiental do Rio Grande do Norte, informou que não recebeu nenhum pedido de licença ligado ao projeto.
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A pesquisa inclui sondagem e análise em laboratório.
Com o alvará da ANM, a empresa pode fazer estudos geológicos, coletar amostras, mandar material para análises em laboratório e perfurar sondagens no terreno.
É assim que se descobre se há terras raras, em que quantidade e com que qualidade. Só depois dessa etapa uma mineradora decide se vale pedir a concessão de lavra.
A área de 7.642 hectares, somando os quatro alvarás, equivale a cerca de 76 quilômetros quadrados dentro do território de Caicó.

A pesquisa também depende de licença ambiental do Idema.
O Idema lembrou, em nota ao jornal, que a pesquisa mineral também depende de licenciamento ambiental. Para abrir o processo, a empresa tem de apresentar documentos que descrevam a área e as atividades previstas.
Na etapa de coleta de material, o órgão exige estudos ambientais prévios, definidos conforme o porte e o potencial poluidor da atividade.
As medidas para reduzir ou compensar impactos também dependem desses critérios. Até agora, porém, a RAJ Mineração não deu entrada no pedido, segundo o Idema.
O governo do estado vê chance de emprego, mas sem pressa.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN, a Sedec, avalia que um depósito viável de terras raras pode virar oportunidade de desenvolvimento para Caicó e outras cidades com projetos.
A pasta, no entanto, ressalta que os alvarás não comprovam reservas economicamente viáveis. Eles só autorizam estudar a ocorrência e as características dos minerais.
Se a pesquisa confirmar o depósito, a Sedec cita investimentos, empregos diretos e indiretos, comércio mais forte e arrecadação maior. Os efeitos, diz a secretaria, viriam no longo prazo.
“Trata-se de uma oportunidade que deve ser acompanhada com responsabilidade e visão de longo prazo”, afirmou a Sedec ao jornal potiguar.
O Seridó tem lítio, nióbio e tântalo além das terras raras.
O geólogo Silas Samuel Costa, pesquisador em geociências, explicou à Tribuna do Norte que o Seridó potiguar fica numa província metalogenética com muitas ocorrências minerais diferentes.
Além das terras raras, ele cita lítio, nióbio e tântalo, todos associados à transição energética. Mas faz uma ressalva sobre o que já se sabe da região.
“Existem relatórios do Serviço Geológico do Brasil que trazem esses dados com ocorrências, por enquanto só ocorrências”, disse o geólogo, sem saber se a reserva já foi medida.
O que decide se vira mina é a concentração do minério.
Segundo Silas, a viabilidade depende da concentração dos elementos, da quantidade de material disponível e da possibilidade de separar e beneficiar o minério.
Por isso as sondagens e as análises químicas são o coração da pesquisa. Com elas se montam modelos tridimensionais das áreas estudadas.
O custo do financiamento, as condições ambientais e fundiárias e a chance de processar o material também entram na conta antes de qualquer decisão de lavra.
O geólogo prevê um grupo de minas pequenas no estado.
Apesar dos desafios, Silas acha que o Rio Grande do Norte pode ampliar a produção de minerais estratégicos nas próximas décadas, com várias frentes de lavra em vez de uma única mina grande.
“É bastante promissor. Nos próximos 20 anos, certamente no Rio Grande do Norte possa ser que tenha um grupo de minas, não só uma mina grande”, projetou o pesquisador.
São 17 elementos usados em ímãs, baterias e turbinas.
Pelo Serviço Geológico do Brasil, terras raras são 17 elementos químicos: 15 lantanídeos, como neodímio e disprósio, mais o escândio e o ítrio.
Não são raros na natureza, mas aparecem dispersos, o que encarece a exploração. São usados em turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa.
O governo aprovou a lista de minerais críticos nesta quinta.
Na quinta-feira (5), o governo federal aprovou uma lista de 27 minerais críticos e estratégicos, na primeira reunião do conselho criado para o setor, segundo a Agência Brasil.
Na reunião, o ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, disse que o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Os detalhes estão em os três níveis de prioridade dos minerais críticos.
No Tocantins, a corrida já está em fase mais avançada, como mostrou o CPG em os furos de terras raras em Palmeirópolis.
Se você mora no Seridó, já ouviu falar da pesquisa da RAJ Mineração em Caicó? Conta nos comentários o que a cidade está dizendo sobre isso.
