Pela base do ONS, as eólicas ganharam menos potência em 2026 do que em qualquer ano desde 2022 até a mesma data; o SIGA da ANEEL lista 61 usinas em obra.
Só três usinas eólicas entraram em operação no Brasil de 1º de janeiro a 4 de outubro de 2026, segundo o ONS. Somam 184,5 MW, contra 1.467,6 MW no mesmo período de 2025 e 3.292,4 MW em 2024.
Quantas usinas eólicas entraram em operação no Brasil em 2026?
Três, com 184,5 MW no total, segundo a base de capacidade instalada do ONS lida em 4 de outubro.

Conforme o ONS, são Ventos de São Rafael 10 (58,5 MW), Ventos de São Rafael 11 (63 MW) e Ventos de Santa Luzia 17 (63 MW).
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São Rafael 10 tem 3 unidades geradoras, e as outras duas, 5 cada.
O ONS liberou a operação comercial delas em 10 de fevereiro, 16 de julho e 28 de agosto, respectivamente.
O ONS registra as três eólicas no Rio Grande do Norte. No SIGA, da ANEEL, duas aparecem na Paraíba.
O SIGA confere o total: as mesmas três usinas, com 184,5 MW fiscalizados.
Segundo as duas bases, a última entrada de eólicas foi em 28 de agosto. São 37 dias sem usina nova até 4 de outubro, pela conta do CPG.
Como as eólicas de 2026 se comparam às de 2025 e 2024?
Pelo cálculo do CPG, a entrada de eólicas caiu 87,4% sobre 2025 e 94,4% sobre 2024 no mesmo recorte.
Pelo ONS, 30 usinas eólicas ganharam ao menos uma unidade em operação nesse recorte de 2025, com 1.467,6 MW. Em 2024, foram 88 usinas e 3.292,4 MW.
Por unidade geradora, a conta é 13 em 2026, 75 em 2025 e 175 em 2024.
Cálculo do CPG com dados abertos do ONS: 184,5 MW são 12,6% de 2025 e 5,6% de 2024.
O mesmo recorte rendeu 1.796,8 MW em 2022 (61 usinas) e 3.202,2 MW em 2023 (83). A curva subiu até 2024 e virou ladeira.
Outra conta do CPG: 277 dias até 4 de outubro, divididos por 3 usinas, dão uma a cada 92 dias.
Em 2024, foram 278 dias para 88 usinas: uma a cada 3,2 dias.
Poucas, mas grandes. Pela conta do CPG, a média de 2026 é 61,5 MW por usina, contra 48,9 MW em 2025 e 37,4 MW em 2024.
Quanto pesam 184,5 MW diante das eólicas que já operam no Brasil?
Pesam 0,55% dos 33.781,6 MW de eólicas na base do ONS, pelo cálculo do CPG (184,5 dividido por 33.781,6).

Os outros 33.597,1 MW já estavam em operação antes de 2026. De cada 100 MW da base, mais de 99 já giravam em 2025.
O SIGA, da ANEEL, soma 34.936,7 MW fiscalizados em 1.138 usinas eólicas em operação, em arquivo de 3 de outubro.
Os totais não coincidem: pelo cálculo do CPG com os dois arquivos, o SIGA lista 1.138 usinas eólicas em operação e a base do ONS, 1.059. Conforme os dicionários de dados, o ONS também mede a potência nominal das unidades e o SIGA, a fiscalizada pela ANEEL.
Quantas usinas eólicas estão em obra no Brasil?
São 61, segundo a ANEEL, no SIGA de 3 de outubro, com 1.988,1 MW de potência outorgada.

A ANEEL registra a Paraíba na liderança, com 27 usinas, seguida pelo Rio Grande do Norte, com 17. Piauí tem 7, e Bahia e Ceará, 5 cada.
Pela conta do CPG, 1.988,1 MW outorgados são 10,8 vezes os 184,5 MW que entraram em 2026.
É o tamanho da fila em obra, e não uma data de entrega.
O que significa uma eólica ter outorga da ANEEL?
Significa que o empreendimento tem autorização da ANEEL, e não que a usina esteja pronta.

No SIGA, a fase Construção não iniciada reúne 350 eólicas com 14.333,6 MW de potência outorgada.
Somadas às 61 em obra, são 411 eólicas fora de operação: só 14,8% têm obra em andamento, pela conta do CPG.
Ler essa potência outorgada e imaginar tudo virando energia na tomada seria confundir papel com usina.
A outorga também pode voltar para a ANEEL: o CPG já mostrou pedidos de revogação de projetos de usinas solares do Nordeste.
O CPG também já mostrou o projeto de uma plataforma eólica flutuante de concreto para o mar brasileiro.
Os números valem para as bases lidas em 4 de outubro (ONS) e 3 de outubro (SIGA).
