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Bulgária pode receber complexo eólico de 1 GW da European Energy em região próxima ao Mar Negro, com projeto ainda em análise e possibilidade de incluir baterias e painéis solares

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Escrito por Carla Teles Publicado em 06/11/2026 às 18:57 Atualizado em 06/11/2026 às 19:01
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Bulgária pode receber complexo eólico de 1 GW da European Energy em região próxima ao Mar Negro, com projeto ainda em análise e possibilidade de incluir baterias e painéis solares (2)
O projeto em estudo prevê a instalação de parques eólicos terrestres com capacidade conjunta de aproximadamente 1.000 MW. Imagem: Agata Cetta / Pexels.
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Proposta apresentada ao governo búlgaro prevê integrar aerogeradores, painéis solares e armazenamento de eletricidade, com efeitos projetados sobre a economia regional.

A empresa dinamarquesa European Energy apresentou ao governo da Bulgária uma proposta para desenvolver um complexo de parques eólicos com capacidade aproximada de 1 gigawatt (GW) na região de Dobrich, no nordeste do país. O empreendimento poderá produzir cerca de 2,5 terawatts-hora (TWh) de eletricidade renovável por ano, caso seja integralmente executado, e também prevê sistemas de armazenamento e geração solar.

Os planos foram discutidos em 5 de novembro de 2026, durante uma reunião com autoridades búlgaras, segundo informações divulgadas pela agência estatal de notícias BTA. A iniciativa também foi noticiada pela Renewables Now em 6 de novembro. O empreendimento está em fase de avaliação e ainda não tem investimento total aprovado nem data confirmada para o início das obras.

European Energy planeja reunir 1.000 MW de energia eólica na região de Dobrich

Vista aérea de campos agrícolas com turbinas eólicas ao longe.
European Energy estuda desenvolver aproximadamente 1 GW de capacidade eólica no nordeste da Bulgária. Imagem ilustrativa. Imagem: Sam McCool / Pexels.

A proposta da European Energy prevê desenvolver um conjunto de parques eólicos terrestres na região de Dobrich, próxima ao Mar Negro e à fronteira com a Romênia.

O projeto deverá reunir aproximadamente 1.000 megawatts (MW) de capacidade instalada, distribuídos entre diferentes unidades de geração. Ainda não foram divulgados o número definitivo de turbinas, seus fabricantes ou os locais exatos de instalação.

A empresa estuda combinar os aerogeradores com usinas fotovoltaicas e sistemas de armazenamento de energia em baterias. Também está prevista infraestrutura destinada ao fornecimento de eletricidade para grandes consumidores industriais.

O planejamento envolve diferentes fontes de geração porque a disponibilidade de vento e de radiação solar varia ao longo do dia. As baterias poderão armazenar parte da eletricidade e disponibilizá-la posteriormente, conforme a capacidade e a configuração técnica que forem adotadas.

A European Energy ainda não informou a potência dos sistemas solares nem a capacidade de armazenamento das baterias.

A proposta foi apresentada por Johannes Thon, vice-presidente sênior responsável pelo desenvolvimento de projetos, e Veselin Georgiev, diretor da empresa na Bulgária.

Complexo poderá produzir 2,5 bilhões de kWh de eletricidade por ano

A produção anual estimada para o empreendimento é de aproximadamente 2,5 TWh, equivalentes a 2,5 bilhões de quilowatts-hora (kWh).

Esse volume representa a expectativa apresentada pela European Energy para o complexo após sua implantação completa. A geração efetiva dependerá das condições dos ventos, da disponibilidade dos equipamentos e da configuração definitiva das instalações.

A potência de 1 GW, por sua vez, corresponde à capacidade máxima nominal prevista para os parques eólicos. Isso não significa que eles produzirão essa quantidade de eletricidade continuamente durante todas as horas do ano.

A combinação com sistemas solares e baterias poderá ajudar na gestão da energia produzida, principalmente quando houver diferenças entre os horários de geração e consumo.

O planejamento também considera consumidores industriais que precisam de grandes volumes de eletricidade para manter suas operações.

A necessidade de integrar geração e armazenamento já foi abordada pelo CPG em uma reportagem sobre a expansão das baterias no Texas, onde sistemas de armazenamento passaram a desempenhar um papel maior no atendimento à demanda durante períodos de consumo elevado.

No caso búlgaro, a capacidade efetiva das baterias e os parâmetros de operação ainda serão definidos durante o desenvolvimento da proposta.

Empresa estima contribuição econômica de € 200 milhões e 200 empregos na construção

A European Energy apresentou estimativas sobre os efeitos econômicos que o empreendimento poderá produzir na região.

Segundo informações divulgadas pela BTA, a companhia calcula que a contribuição à economia local poderá alcançar aproximadamente € 200 milhões. O valor representa uma projeção de benefício econômico, não o orçamento total de construção.

A empresa também prevê a criação de cerca de 200 empregos diretos ao longo de um período de construção estimado em cinco anos.

Outro compromisso apresentado envolve o repasse de pelo menos € 1,5 milhão por ano às comunidades locais durante 30 anos, caso o projeto seja implementado nas condições previstas.

A soma nominal desses repasses corresponderia a pelo menos € 45 milhões ao longo do período. O valor não considera inflação, atualização monetária ou eventuais mudanças contratuais.

A proposta inclui a implantação de um centro regional de formação de profissionais para o setor de energia eólica, em parceria com universidades e escolas técnicas búlgaras.

O objetivo apresentado pela companhia é desenvolver qualificações profissionais relacionadas à instalação, operação e manutenção dos equipamentos.

As estimativas de emprego e contribuição econômica continuam condicionadas à realização do empreendimento. Até o momento, não há confirmação de contratação de trabalhadores para a construção do complexo.

Bulgária quer ampliar geração renovável, mas energia eólica ainda enfrenta dificuldades

Turbinas eólicas distribuídas em campo verde sob céu nublado.
A instalação de grandes parques eólicos depende de disponibilidade de ventos, licenciamento e conexão à rede elétrica. Imagem ilustrativa. Imagem: Quang Nguyen Vinh / Pexels.

A proposta chega em um momento de expansão das fontes renováveis na matriz elétrica búlgara.

Segundo o Relatório de País da Comissão Europeia de 2026, as fontes renováveis superaram a geração a carvão na Bulgária pela primeira vez em 2025, movimento impulsionado principalmente pelo crescimento da energia solar.

No mesmo ano, o país acrescentou aproximadamente 1,35 GW de capacidade fotovoltaica. A expansão eólica, entretanto, continuou mais limitada.

A Comissão Europeia identificou dificuldades relacionadas aos procedimentos administrativos, à infraestrutura elétrica e à necessidade de criar condições para novos investimentos.

Um estudo econômico da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também apontou que o licenciamento de parques eólicos terrestres pode levar aproximadamente sete anos no país.

Esse prazo representa um obstáculo para empreendimentos que dependem de autorizações ambientais, acesso à rede elétrica e acordos com proprietários de terrenos.

Em junho de 2026, o Ministério do Meio Ambiente da Bulgária realizou uma audiência pública sobre a avaliação ambiental de um plano para definir áreas prioritárias de geração eólica.

O procedimento divulgado pelo governo búlgaro considera a disponibilidade de ventos, a viabilidade de conexão elétrica e a proteção de áreas ambientalmente sensíveis.

Projeto enfrenta necessidade de licenciamento e diálogo com comunidades locais

O desenvolvimento de parques eólicos terrestres na Bulgária também envolve discussões sobre sua instalação em áreas agrícolas e próximas a comunidades.

Em março de 2026, representantes da European Energy participaram de uma reunião com o Ministério da Energia búlgaro para discutir investimentos em fontes renováveis.

Na ocasião, a vice-ministra Teodora Georgieva afirmou que a execução desses empreendimentos depende da confiança e do apoio das comunidades locais.

Segundo a BTA, em reportagem de 28 de março, os projetos da European Energy já enfrentavam dificuldades relacionadas à aceitação local.

As discussões também incluíram contratos de compra de energia de longo prazo, capacidade da rede de transmissão e procedimentos regulatórios.

A disponibilidade de conexão elétrica é especialmente relevante para um empreendimento com potência prevista de 1 GW.

Esse problema não é exclusivo da Bulgária. No Brasil, o CPG já discutiu os desafios da transmissão de energia renovável, relacionados à necessidade de ampliar a infraestrutura para transportar eletricidade produzida por novas usinas.

Na Bulgária, a European Energy precisará avaliar as condições de conexão e as exigências ambientais antes de definir a implantação dos equipamentos.

European Energy já reúne projetos renováveis em mais de 25 mercados

A European Energy desenvolve, financia, constrói e opera empreendimentos de geração renovável em diferentes regiões do mundo.

A companhia atua em mais de 25 mercados, incluindo países europeus, das Américas e a Austrália. Seu portfólio abrange energia eólica, solar, armazenamento e projetos relacionados ao hidrogênio verde.

Na Bulgária, a empresa possui aproximadamente 1,2 GW de capacidade renovável planejada, conforme informações apresentadas durante a reunião com autoridades em novembro.

A discussão ocorreu com a participação do vice-primeiro-ministro e ministro da Economia, Investimentos e Indústria, Alexander Poulev, e do embaixador da Dinamarca, Flemming Stender.

As autoridades abordaram possibilidades de cooperação econômica e investimentos entre os dois países.

A European Energy deverá continuar os estudos sobre o complexo de Dobrich antes de definir os locais, o financiamento e os procedimentos necessários à construção.

Até 6 de novembro de 2026, não havia anúncio de decisão final de investimento, calendário de obras ou aprovação definitiva dos parques. O avanço dependerá dos estudos técnicos, do licenciamento, das condições de conexão à rede e das negociações com as comunidades envolvidas.

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Carla Teles

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