Yousuf Imran deixou o Google mesmo após ganhar quase US$ 1 milhão em um ano. Aos 41 anos, ele separou US$ 350 mil para bancar a nova fase e criou uma empresa de IA voltada a ferramentas de vendas
Um ex-executivo do Google deixou uma remuneração anual de quase US$ 1 milhão para criar uma empresa própria de IA, em uma decisão que chama atenção pelo tamanho do salário abandonado e pelo momento de forte disputa no setor de tecnologia.
Yousuf Imran, de 41 anos, trabalhava como executivo de contas na região da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos. Ele entrou no Google em 2020 e saiu da companhia em abril de 2026 para fundar a Mangosteen Studio.
A nova empresa é um laboratório de produtos de IA voltado à criação de ferramentas de entrada no mercado para executivos de contas. A ideia nasceu da própria trajetória de Imran, que passou cerca de 20 anos trabalhando com vendas.
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Ex-Google trocou salário alto por aposta em IA
No ano anterior à saída, Imran teve salário-base de aproximadamente US$ 170 mil. Com as comissões, sua remuneração declarada no formulário W-2 chegou a cerca de US$ 986 mil.
Mesmo com o alto rendimento, ele sentia que poderia estar ficando de fora do avanço mais forte da IA. A percepção foi influenciada pelos pacotes de ações oferecidos por empresas como OpenAI e Anthropic.
Para Imran, um contrato de três ou quatro anos com participação acionária em uma dessas companhias poderia representar uma mudança financeira de grande impacto.
Essa comparação fez parte do cálculo para empreender. Se o retorno mais relevante da corrida da IA estava em participação acionária, ele passou a considerar que essa participação poderia estar em sua própria empresa.
Trajetória começou longe do Vale do Silício
Imran cresceu no Queens, em Nova York, depois de se mudar de Bangladesh com a família quando tinha cinco anos. Ele entrou na área de vendas por enxergar a profissão como um caminho em que talento poderia superar credenciais formais.
No Google, seu trabalho envolvia ajudar clientes a resolver problemas de negócios com tecnologias de inteligência artificial e aprendizado de máquina.
A curiosidade teve peso importante em sua carreira. Ele dedicava tempo para entender os negócios dos clientes, os problemas enfrentados por eles e as formas de aplicar IA de maneira útil.
Com o tempo, o interesse ultrapassou o expediente. Durante o dia, vendia produtos de IA. À noite e nos fins de semana, testava ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini.
Mesmo sem formação como desenvolvedor de software, começou a criar pequenos projetos usando plataformas de IA. Depois de tentativas e ajustes, conseguia transformar ideias em soluções funcionais.
Demissões no Google também pesaram na decisão
A saída não foi apenas entusiasmo com empreendedorismo. Imran também considerou a segurança no emprego, especialmente após observar demissões anteriores no Google que atingiram profissionais considerados talentosos.
Essa incerteza ajudou a reforçar a decisão de apostar no próprio negócio. Ainda assim, deixar a empresa significava abrir mão de recursos, estrutura e acesso a equipes que trabalhavam com inteligência artificial avançada.
Para reduzir o risco, ele se preparou financeiramente antes de sair. Reservou US$ 200 mil para financiar a empresa por dois anos e outros US$ 150 mil para cobrir hipoteca e despesas pessoais no período.
O objetivo é manter a Mangosteen Studio com recursos próprios pelo maior tempo possível. Dessa forma, ele evita depender rapidamente de investidores e reduzir sua participação no negócio.
Atualmente, Imran administra a empresa com uma pequena equipe de engenheiros, profissionais de marketing e colaboradores. As ferramentas de IA já foram usadas gratuitamente por muitos profissionais de vendas, o que aumentou sua confiança no projeto.
A aposta dele mostra como a IA vem mudando não apenas produtos e empresas, mas também decisões individuais de carreira em grandes companhias de tecnologia.
Por que essa mudança chama atenção
A IA generativa facilitou a criação de protótipos, ferramentas e automações por profissionais que conhecem bem um problema, mesmo sem formação técnica em programação. Isso torna a experiência prática mais valiosa em setores como vendas, marketing e atendimento. No caso de Imran, o diferencial não está apenas na tecnologia, mas nos anos lidando com metas, clientes e dificuldades reais de vendedores. Esse tipo de movimento ajuda a explicar por que profissionais de grandes empresas passaram a enxergar o empreendedorismo em IA como uma chance de transformar conhecimento acumulado em produto próprio.
Com informações de businessinsider.
