O armazenamento de energia deve ganhar peso no sistema elétrico brasileiro com energia solar e eólica, enquanto o marco regulatório e os leilões de baterias definem a atração de R$ 57 bilhões, serviços ancilares e preços claros para disputar investimentos nos próximos dez anos.
O armazenamento de energia pode se tornar uma peça decisiva para o sistema elétrico brasileiro até 2035, quando a necessidade de contratação deve chegar a 6,6 GW, segundo projeção associada ao Plano Decenal de Energia 2035. O tema envolve o Brasil, a Empresa de Pesquisa Energética, investidores e agentes do setor elétrico, em um momento de forte avanço das fontes solar e eólica.
Segundo a eixos, a discussão ganhou força em junho de 2026 porque o PDE 2036, previsto para o segundo semestre, deve confirmar a tendência de maior demanda por armazenamento nos anos seguintes. Ao mesmo tempo, estimativa da Deloitte indica que o país pode viabilizar mais de R$ 57 bilhões em investimentos nesse mercado ao longo da próxima década.
Por que o sistema elétrico brasileiro passou a olhar para as baterias

A expansão de fontes renováveis variáveis mudou a lógica de operação do sistema elétrico brasileiro. A energia solar cresce durante o dia, a geração eólica depende do comportamento dos ventos e a demanda dos consumidores nem sempre acompanha esses horários. É nesse descompasso que o armazenamento de energia começa a ganhar valor estratégico.
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Baterias e outros sistemas de armazenamento podem ajudar a guardar eletricidade em momentos de maior oferta e liberá-la quando o sistema precisa de reforço. Isso não elimina a necessidade de outras fontes, mas amplia a flexibilidade da rede e reduz parte da pressão sobre a operação em horários críticos.
A projeção de 6,6 GW mostra o tamanho do desafio até 2035
A necessidade estimada de 6,6 GW até 2035 indica que o armazenamento deixou de ser uma tecnologia periférica e passou a entrar no planejamento de longo prazo. O número aparece como referência para a contratação futura, especialmente diante do crescimento das fontes intermitentes e da busca por maior segurança operacional.
Esse volume também ajuda a dimensionar a complexidade do desafio. Contratar armazenamento de energia em escala nacional exige regras, remuneração adequada e integração com o desenho do mercado elétrico, porque esses projetos precisam ser pagos não apenas pela energia armazenada, mas também pelos serviços que prestam ao sistema.
Expansão solar e eólica aumenta a urgência por flexibilidade
A entrada acelerada de usinas solares e parques eólicos trouxe ganhos importantes para a matriz elétrica, mas também criou novas exigências de coordenação. Em alguns momentos, há muita geração renovável disponível; em outros, a produção cai justamente quando o consumo cresce. Esse movimento torna a flexibilidade uma palavra central para o setor.
O armazenamento de energia aparece como uma resposta possível para suavizar essas oscilações. Quando bem contratado, ele pode ajudar a reduzir desperdícios, aliviar gargalos e dar mais previsibilidade à operação, principalmente em um sistema que depende cada vez mais de fontes sujeitas ao clima e ao horário do dia.
Marco regulatório ainda é uma peça pendente
Apesar do potencial de investimento, o mercado ainda depende de maior clareza regulatória. A Deloitte aponta que o avanço dos projetos exige regras mais nítidas sobre como esses ativos serão contratados, remunerados e integrados ao sistema. Sem isso, parte do capital tende a ficar em compasso de espera.
A incerteza pesa porque o armazenamento de energia pode desempenhar várias funções ao mesmo tempo. Um mesmo projeto pode oferecer capacidade, resposta rápida, suporte à rede e serviços de estabilidade. Se o mercado não define como cada função será valorizada, o investidor tem dificuldade para calcular retorno e risco.
Serviços ancilares podem definir a viabilidade dos projetos
Os serviços ancilares são atividades que ajudam o sistema elétrico a operar com estabilidade, qualidade e segurança. Eles podem envolver controle de frequência, suporte de tensão, resposta rápida e outros recursos que não aparecem apenas na compra e venda tradicional de energia. Para baterias, esse ponto é especialmente relevante.
Se o Brasil criar um mercado estruturado para esses serviços, o armazenamento de energia pode ter mais de uma fonte de receita. Isso melhora a atratividade dos projetos e permite que a tecnologia seja remunerada pelo valor real que entrega ao sistema. Sem essa estrutura, a contratação pode ficar limitada e menos competitiva.
Preços claros são fundamentais para atrair R$ 57 bilhões
A estimativa de mais de R$ 57 bilhões em investimentos mostra que há um mercado potencial expressivo. No entanto, esse dinheiro não entra automaticamente. Investidores precisam de sinais econômicos confiáveis, previsibilidade regulatória e mecanismos que indiquem quando e onde o armazenamento será mais necessário.
Preços claros funcionam como bússola para o capital privado. Eles mostram se vale a pena instalar baterias em determinada região, participar de leilões ou oferecer serviços ao sistema. Sem esse sinal, o país pode reconhecer a necessidade técnica do armazenamento, mas atrasar a chegada dos projetos em escala.
Leilões de baterias entram como primeira grande aposta
A principal aposta de contratação está nos leilões de baterias programados para dezembro de 2026. Depois de quase dois anos de espera, o Ministério de Minas e Energia publicou em junho as portarias com as regras para as contratações, incluindo a previsão de um certame exclusivo para projetos com conteúdo nacional.
Esses leilões devem funcionar como teste importante para o mercado. Eles podem indicar o apetite dos investidores, o custo real da contratação e a capacidade do país de competir por equipamentos em uma cadeia global limitada. O resultado tende a influenciar os próximos passos do armazenamento de energia no Brasil.
Competição global pode pressionar o Brasil
O Brasil não está sozinho na corrida por baterias e sistemas de armazenamento. Outros países também avançam para integrar renováveis, reduzir instabilidades e ampliar a segurança de seus sistemas elétricos. Essa concorrência global pode pressionar preços, prazos e disponibilidade de equipamentos.
Por isso, a atratividade brasileira dependerá não apenas do tamanho do mercado, mas da qualidade das regras. Se o país demorar a estruturar contratos, serviços ancilares e remuneração adequada, pode perder espaço para mercados que ofereçam mais previsibilidade aos fornecedores e investidores.
O armazenamento virou decisão estratégica para a transição energética
O debate sobre armazenamento de energia vai além da instalação de baterias. Ele envolve a forma como o Brasil pretende organizar a expansão da matriz elétrica, lidar com a variabilidade das renováveis e preparar a rede para uma demanda cada vez mais dinâmica.
A projeção de 6,6 GW até 2035 e o potencial de R$ 57 bilhões em investimentos mostram que o país tem uma oportunidade relevante, mas também uma janela de decisão. A pergunta agora é se o Brasil conseguirá criar regras claras a tempo de transformar necessidade técnica em projetos reais. Você acha que o país deveria acelerar os leilões de baterias ou esperar uma regulação mais madura antes de contratar em grande escala? Deixe sua opinião nos comentários.
