Relatório Indicadores de Mudanças Climáticas Globais mostra que o aquecimento global induzido por atividades humanas chegou a 1,37°C em 2025. Com taxa de 0,27°C por década, orçamento restante de 130 bilhões de toneladas de CO₂ e mares sob pressão, o limite de 1,5°C pode chegar em cerca de quatro anos.
O aquecimento global entrou em uma fase de aceleração que reduz rapidamente a margem de segurança climática do planeta. A quarta edição do relatório Indicadores de Mudanças Climáticas Globais, divulgada em 2026, aponta que a influência humana elevou o aquecimento a 1,37°C em 2025.
A análise reúne indicadores sobre emissões, concentração de gases de efeito estufa, temperatura, balanço de energia da Terra, orçamento de carbono, ondas de calor marinhas e nível do mar. O dado mais sensível é a projeção de que o limite de 1,5°C pode ser ultrapassado em cerca de quatro anos se a tendência atual continuar.
O planeta está acumulando calor em ritmo sem precedentes
O relatório mostra que o sistema climático da Terra continua retendo calor em velocidade elevada. Esse acúmulo aparece no chamado desequilíbrio energético do planeta, indicador que mede a diferença entre a energia que entra, principalmente pela radiação solar, e a energia que sai de volta para o espaço.
-
Com 3,4 quilômetros de extensão, 27 mil flashes por segundo e brilho bilhões de vezes maior que fontes comuns, o laser de raio X mais poderoso do mundo revela átomos em movimento na Alemanha
-
Ex-engenheiro de foguetes da SpaceX troca o espaço por painéis feitos de capim que crescem 9 metros por ano, quer tirar a construção civil da madeira e já captou US$ 47,5 milhões
-
Tudo começou com um movimento dos dedos que parece não significar nada; agora, milhões de pessoas acreditam que ele pode ajudar a proteger o cérebro do Alzheimer
-
A MSC encomendou a maior frota de navios a gás da história do transporte marítimo — e vai mudar o custo do frete global
Quando esse saldo fica positivo, o planeta aquece. Segundo o relatório, esse desequilíbrio vem crescendo desde a década de 1970 e atingiu nível recorde. Na prática, isso significa que a Terra está armazenando mais energia do que consegue devolver, reforçando mudanças na atmosfera, nos oceanos, nas geleiras e nos padrões climáticos.
O aquecimento global não aparece apenas como aumento de temperatura no ar, mas como acúmulo de energia em todo o sistema climático. É por isso que os efeitos também se espalham pelos mares, pelo nível do oceano, pelas ondas de calor e pela intensidade de extremos.
A taxa de aquecimento induzido por atividades humanas foi estimada em cerca de 0,27°C por década. Esse ritmo é central para a projeção sobre o limite de 1,5°C, porque pequenas variações anuais podem parecer discretas, mas acumuladas por décadas alteram rapidamente o patamar climático global.
O limite de 1,5°C está se aproximando mais rápido
O limite de 1,5°C ganhou importância internacional por estar associado ao Acordo de Paris e aos esforços para conter impactos climáticos mais graves. Ele não representa uma “linha mágica” em que tudo muda de uma vez, mas funciona como referência para medir risco, intensidade de eventos extremos e pressão sobre ecossistemas.
De acordo com a atualização do relatório, a influência humana já levou o aquecimento a 1,37°C em 2025, em relação ao período pré-industrial. Mantido o ritmo observado, o aquecimento provocado por atividades humanas pode alcançar 1,5°C por volta de 2030, ou seja, em aproximadamente quatro anos.
A diferença entre 1,37°C e 1,5°C parece pequena, mas é decisiva em escala climática. Frações de grau aumentam a probabilidade de ondas de calor intensas, secas prolongadas, chuvas extremas, perda de gelo e pressão sobre regiões costeiras.
Também é importante separar duas coisas: um ano isolado acima de 1,5°C não significa necessariamente que a meta climática de longo prazo foi oficialmente ultrapassada. O que preocupa os cientistas é a tendência persistente, medida em médias de longo prazo, que indica aproximação rápida desse patamar.
Orçamento de carbono restante caiu para 130 bilhões de toneladas

Outro ponto central do relatório é o orçamento de carbono restante. Esse conceito estima quanto dióxido de carbono a humanidade ainda poderia emitir antes de tornar inevitável a ultrapassagem de determinado limite de temperatura, dentro das probabilidades consideradas pela ciência climática.
Para o limite de 1,5°C, a atualização aponta um orçamento central de cerca de 130 bilhões de toneladas de CO₂ a partir do início de 2026. Esse número não é uma autorização para emitir, mas um alerta de escala: ele mostra que a margem restante ficou muito estreita diante do volume anual de emissões globais.
O relatório também informa que as emissões globais de gases de efeito estufa chegaram a 56,8 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2024, o dado mais recente disponível na análise. Considerando o ritmo atual de emissões de CO₂, o orçamento de 130 bilhões de toneladas poderia se esgotar em pouco mais de três anos.
O orçamento de carbono funciona como um contador climático: quanto mais emissões entram na atmosfera, menor fica a janela para manter o aquecimento sob controle. Essa é a razão pela qual o debate sobre redução de emissões ganhou urgência ainda maior.
Gases de efeito estufa continuam em nível recorde
O avanço do aquecimento global está ligado principalmente ao aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Entre eles estão dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, todos associados a diferentes atividades humanas, como queima de combustíveis fósseis, agricultura, indústria, transporte e uso da terra.
A atualização de 2026 indica que as concentrações desses gases seguiram em alta. O CO₂ atingiu 425,6 partes por milhão em 2025, enquanto o metano chegou a 1.936,3 partes por bilhão e o óxido nitroso a 339,4 partes por bilhão. São indicadores técnicos, mas ajudam a entender por que o aquecimento não desacelera.
Enquanto as concentrações aumentam, o planeta mantém uma tendência de aquecimento acumulado. Mesmo que as emissões começassem a cair, o sistema climático ainda responderia ao volume de gases já presente na atmosfera, especialmente no caso do CO₂, que permanece por longos períodos.
O relatório também destaca um fator menos intuitivo: a redução de aerossóis de enxofre pode deixar parte do aquecimento mais evidente. Esses aerossóis tinham efeito de resfriamento parcial, ao refletirem parte da radiação solar. Com sua queda, parte do aquecimento antes mascarado fica mais exposta.
Oceanos e nível do mar mostram sinais de pressão
Os oceanos são uma peça essencial do sistema climático porque absorvem grande parte do calor acumulado pelo planeta. Por isso, quando a Terra retém mais energia, os mares também respondem, com aumento da temperatura, mudanças na química da água e impactos sobre ecossistemas marinhos.
A edição mais recente do relatório passou a acompanhar de forma destacada os dias de ondas de calor marinhas. Em 2025, foram registrados 65 dias sob essas condições em escala global. O número mais que triplicou desde 1991, indicando que os episódios de calor extremo no oceano se tornaram mais frequentes.
Ondas de calor marinhas não afetam apenas peixes e corais; elas também interferem em pesca, infraestrutura costeira, turismo, carbono oceânico e segurança de comunidades litorâneas. O calor no mar pode alterar habitats, intensificar estresse em espécies e modificar cadeias ecológicas.
O nível do mar também segue em alta. Segundo o relatório, a elevação acumulada chegou a 23 centímetros desde 1901, com taxa atual em torno de 1,8 milímetro por ano e tendência de aceleração. O avanço é associado ao derretimento de gelo terrestre e à expansão térmica da água mais quente.
A janela climática depende das decisões desta década
Os dados do relatório mostram que a janela climática está encolhendo, mas ainda existe diferença entre ultrapassar 1,5°C temporariamente e abandonar qualquer tentativa de limitar danos. A ciência climática reforça que cada fração de grau evitada reduz riscos para pessoas, ecossistemas e infraestrutura.
O ponto mais importante é que o aquecimento global responde ao acúmulo de emissões. Isso significa que decisões sobre energia, transporte, indústria, uso da terra e produção de alimentos influenciam diretamente o tamanho do aquecimento futuro. Quanto mais tarde as emissões caírem, menor será o espaço de manobra.
A mensagem do relatório não é de paralisia, mas de urgência mensurável. Os números mostram quanto calor já foi acumulado, quanto carbono ainda resta no orçamento estimado e quais indicadores estão se deteriorando mais rápido.
Você acha que governos, empresas e consumidores ainda tratam o aquecimento global como um problema distante ou os dados já mostram que a década atual será decisiva?
Deixe sua opinião nos comentários e conte quais medidas deveriam ser prioridade para reduzir emissões sem ignorar impactos sociais e econômicos.
