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Rússia quer compartilhar tecnologias nucleares com o Brasil e parceria pode envolver energia, combustível e uso na medicina

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 05/02/2026 às 22:21
Rússia manifesta interesse em compartilhar tecnologias nucleares com o Brasil em acordo que prevê cooperação em energia, saúde e combustível nuclear.
Rússia manifesta interesse em compartilhar tecnologias nucleares com o Brasil em acordo que prevê cooperação em energia, saúde e combustível nuclear.
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A declaração foi feita durante o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, em Brasília, onde autoridades dos dois países defenderam o uso pacífico da energia nuclear, discutiram cooperação no ciclo do combustível, radioisótopos medicinais, transferência de tecnologia e projetos conjuntos em energia e saúde

A declaração foi feita nesta quinta-feira, 06, durante o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, em Brasília, onde autoridades dos dois países defenderam o uso pacífico da energia nuclear, discutiram cooperação no ciclo do combustível, radioisótopos medicinais, transferência de tecnologia e projetos conjuntos em energia e saúde.

O Brasil e a Rússia defenderam o uso da energia nuclear para fins pacíficos em documento conjunto assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro Mikhail Mishustin, durante o Fórum Empresarial Brasil-Rússia realizado nesta quinta-feira, 5, no Itamaraty, em Brasília.

Defesa da energia nuclear e ampliação da cooperação bilateral

O posicionamento dos dois países foi divulgado em documento oficial que reafirma o compromisso com a energia nuclear para fins pacíficos. Brasil e Rússia, parceiros no Brics, indicaram interesse em ampliar a pauta de radioisótopos medicinais voltados ao atendimento das necessidades na área da saúde.

O texto também destaca a intenção de promover projetos conjuntos relacionados à geração de energia nuclear, ao ciclo do combustível nuclear e à atualização da base jurídica bilateral que rege a cooperação entre os dois países. A defesa do uso pacífico da energia nuclear foi apresentada como eixo central da agenda discutida no encontro.

Na mesma data do fórum, expirou o tratado New Start, que limitava armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia. O documento conjunto não fez menção direta ao acordo, mas reforçou o compromisso dos dois países com aplicações civis e pacíficas da tecnologia nuclear.

Mikhail Mishustin defende que Brasil e Rússia têm “boas perspectivas” para a cooperação na área farmacêutica – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Multilateralismo e crítica a medidas coercitivas

O documento assinado por Brasil e Rússia ressaltou a defesa do multilateralismo e apresentou críticas ao uso de medidas coercitivas unilaterais, especialmente contra países em desenvolvimento. O texto classificou essas ações como ilícitas, ilegítimas e incompatíveis com o direito internacional e com a Carta das Nações Unidas.

Embora não haja referência direta a países específicos, a nota conjunta afirma que tais medidas violam direitos humanos das populações atingidas, prejudicam o desenvolvimento sustentável e representam afronta à independência e à soberania dos Estados. A posição foi reiterada por autoridades presentes no evento em Brasília.

Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, foi informado que o presidente Luiz Inacio Lula da Silva destacou ao primeiro-ministro russo a urgência da adoção de ações para fortalecer o multilateralismo. Segundo o comunicado, Lula também enfatizou a importância de mecanismos de acompanhamento para acelerar resultados e gerar benefícios concretos para ambos os países.

O documento menciona ainda que, na avaliação do presidente brasileiro, as cifras atuais do comércio bilateral ainda não refletem o tamanho das economias do Brasil e da Rússia, indicando espaço para expansão das relações econômicas.

Parceria comercial além do setor agrícola

Durante o período da tarde, Geraldo Alckmin e Mikhail Mishustin destacaram a força da parceria comercial entre Brasil e Rússia, com ênfase inicial no setor agrícola.

Ambos indicaram possibilidades de ampliação de importações, exportações e cooperação em pesquisa, ressaltando o papel dos dois países na segurança alimentar global.

Alckmin afirmou que o Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, enquanto a Rússia ocupa posição relevante no fornecimento de insumos estratégicos para a agricultura.

Segundo ele, essa complementaridade fortalece a cooperação bilateral e contribui para a estabilidade do sistema alimentar internacional.

Além do agronegócio, os países manifestaram interesse no desenvolvimento da cooperação em áreas como indústria farmacêutica, setor médico-hospitalar, construção naval, tecnologias industriais digitais e segurança cibernética. Esses segmentos foram apontados como estratégicos para diversificar a relação comercial.

Fluxo comercial e desafios de diversificação

O fluxo comercial entre Brasil e Rússia em 2025 foi da ordem de US$ 11 bilhões, com predominância de importações brasileiras. Alckmin, que também ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, avaliou que a cooperação bilateral contribui para tornar o sistema alimentar internacional mais resiliente.

Apesar do volume expressivo, o vice-presidente destacou que a relação comercial ainda é marcada por baixa diversificação e concentração em produtos primários. Segundo ele, o diálogo entre empresários e autoridades pode favorecer a ampliação das exportações de bens industrializados e estimular parcerias em tecnologia, energia e saúde.

Alckmin afirmou que o governo brasileiro está comprometido em oferecer previsibilidade, segurança jurídica e um ambiente favorável aos negócios, condições consideradas essenciais para o avanço da cooperação econômica entre os dois países.

Estratégias de longo prazo e valor agregado

Mikhail Mishustin ressaltou a necessidade de estreitar contatos diretos em um contexto em que a Rússia figura entre os cinco principais parceiros econômicos de importação do Brasil.

Segundo ele, o mercado brasileiro concentra mais da metade dos produtos russos destinados à América Latina.

O primeiro-ministro russo concordou com Alckmin sobre a importância de diversificar o comércio bilateral, com foco no aumento da participação de produtos com maior valor agregado.

Ele defendeu o lançamento de projetos de longo prazo em áreas consideradas de interesse mútuo.

Entre os setores citados por Mishustin estão a indústria química, energia, petróleo e gás, energia nuclear, produção de medicamentos, exploração espacial e outros segmentos estratégicos. Para ele, há oportunidades concretas para alcançar resultados práticos nessas frentes.

Cooperação farmacêutica e transferência de tecnologia

Mishustin avaliou que Brasil e Rússia possuem boas perspectivas para a cooperação na área farmacêutica. Segundo ele, já estão sendo criadas condições favoráveis para a entrada de produtos inovadores russos no mercado brasileiro, incluindo medicamentos voltados ao tratamento de doenças oncológicas e diabetes.

O primeiro-ministro afirmou que o Brasil pode se beneficiar da transferência de tecnologias nesse setor, ao mesmo tempo em que conta com a cooperação do sistema regulatório brasileiro para a análise de medicamentos russos. A iniciativa foi apresentada como parte de uma estratégia de fortalecimento industrial e sanitário.

Outro campo destacado por Mishustin foi a troca de experiências tecnológicas. Ele afirmou que a Rússia tem investido em ferramentas modernas de cibersegurança e inteligência artificial, e defendeu a importância do debate sobre soberania digital também para o Brasil.

Comércio abaixo do potencial e agenda ampliada

Geraldo Alckmin voltou a afirmar que o comércio bilateral ainda está abaixo do potencial das duas economias. A declaração foi feita na abertura de uma reunião de alto nível com autoridades russas no Itamaraty, sem menção a temas sensíveis como o conflito entre Rússia e Ucrânia.

Segundo o vice-presidente, Brasil e Rússia são economias de grande escala, com ampla base produtiva, recursos naturais estratégicos, capacidade tecnológica e mercados internos relevantes. Essa combinação, segundo ele, cria espaço para ampliar e diversificar a cooperação econômica e comercial.

A delegação russa foi chefiada por Mikhail Mishustin, enviado do presidente Vladimir Putin, que não realiza viagens internacionais em razão de mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional.

Dados do comércio e prioridades setoriais

Em 2025, o comércio entre Brasil e Rússia somou cerca de US$ 10,9 bilhões. As exportações brasileiras alcançaram US$ 1,5 bilhão, com destaque para carne bovina, café não torrado e soja. As importações provenientes da Rússia totalizaram US$ 9,4 bilhões, concentradas em óleos combustíveis e fertilizantes químicos.

Alckmin destacou que o governo brasileiro aposta em uma estratégia de neoindustrialização baseada em inovação, sustentabilidade e inclusão. Ele afirmou ver com grande interesse a ampliação de investimentos russos no Brasil, especialmente nos setores químico, de fertililizantes, energia, equipamentos industriais e infraestrutura.

Segundo o vice-presidente, também há espaço para ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado russo em áreas como alimentos processados, máquinas, equipamentos, tecnologia agrícola e soluções industriais. Para isso, defendeu o fortalecimento dos canais institucionais, a redução de entraves logísticos e o aprofundamento do diálogo técnico bilateral.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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