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Irmãos Batista planejam mega “estrada rolante” de 12 km em MS para retirar 300 caminhões por dia das estradas

Publicado em 12/02/2026 às 17:06
Atualizado em 12/02/2026 às 17:07
Estrada rolante, Irmãos batista
Imagem: Ilustração
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Estrada rolante de 12 quilômetros integra pacote de R$ 4,03 bilhões, prevê retirar cerca de 300 caminhões por dia, ampliar produção anual e gerar milhares de empregos diretos na região

A rotina de caminhões carregados de minério cortando estradas sinuosas da morraria entre Corumbá e Ladário pode estar com os dias contados. A LHG Mining, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, planeja implantar um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD), uma espécie de “estrada rolante” com extensão mínima de 12 quilômetros. A proposta é transferir boa parte do transporte rodoviário para um sistema contínuo, praticamente em linha reta. Os dados desta matéria são do Correio do Estado.

O primeiro movimento concreto ocorreu nesta terça-feira, quando um decreto do Governo do Estado desapropriou 846 hectares pertencentes a nove proprietários.

Conforme a publicação do diário oficial, 338,5 hectares já pertencem à mineradora, enquanto os 507 restantes estão em nome de outros donos. O valor das indenizações ainda não foi definido.

Irmãos Batista: Investimento bilionário e aumento da produção

A instalação da correia integra um pacote de investimentos de R$ 4,03 bilhões que a LHG, empresa do grupo J&F, executa desde o ano passado.

De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental, a meta é elevar a extração de 12 milhões para 25 milhões de toneladas anuais.

No documento, a empresa informa que “o minério produzido na Planta de Beneficiamento será enviado por correia transportadora, com extensão de 12 km, até o pátio de estocagem de produtos, onde serão formadas pilhas. As correias serão cobertas, evitando o arraste de poeira pelo vento”.

Para obter a licença de operação, a companhia indicou que o TCLD levaria o minério até as proximidades da ferrovia.

Deste ponto, o escoamento seguiria de trem até o porto Gregório Curvo, no distrito de Porto Esperança. De lá, os minérios seriam transportados pelo Rio Paraguai rumo ao mercado internacional.

Suspensão ferroviária ampliou fluxo de caminhões

Desde o começo de dezembro do ano passado, porém, o transporte ferroviário foi suspenso. Com isso, todo o material passou a ser levado por caminhões entre o distrito de Maria Coelho e Porto Esperança.

Por trem, esse trajeto era de 46 quilômetros. A mudança provocou aumento significativo do tráfego pesado na BR-262.

Nos primeiros nove meses do ano passado, a LHG despachou 4,2 milhões de toneladas de minérios pelo Rio Paraguai a partir do terminal Gregório Curvo, que funciona na margem esquerda do rio.

O dado reforça a dimensão da operação logística e ajuda a explicar a urgência por alternativas mais eficientes.

Redução de caminhões e ganhos ambientais

Segundo Eduardo Pereira, coordenador de Mineração da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semadesc), a implantação do TCLD representa um avanço relevante sob os pontos de vista ambiental e de segurança.

A implantação do Transportador de Correia de Longa Distância até o Terminal Ferroviário do Menkc vai retirar das estradas sinuosas que ligam as jazidas cerca de 300 caminhões diariamente”, afirmou.

Atualmente, cada caminhão transporta em torno de 40 toneladas de minério, partindo de áreas com altitude de 900 metros.

Por conta do relevo acidentado, o percurso feito nas estradas é superior aos 12 quilômetros previstos para a correia.

Por dia, a “estrada rolante” deverá movimentar cerca de 12 mil toneladas de minério. “Isso significa redução expressiva das emissões de CO, mais segurança viária, preservação de vidas e menor impacto ambiental”, destacou Pereira.

No Estudo de Impacto Ambiental, a LHG também ressalta que “a implantação da correia transportadora de minério ajudará a reduzir os impactos sonoros ao substituir parte do transporte rodoviário, minimizando os efeitos no ambiente”.

Compensação ambiental e empregos

Nesta quarta-feira (11), nova publicação do diário oficial revelou que a LHG Mining fará um repasse superior a R$ 53,2 milhões à administração estadual, a título de compensação ambiental pela ampliação das atividades em Corumbá e Ladário.

Como a mineração é considerada atividade de alto potencial poluente, a compensação corresponde a 1,32% de todo o investimento previsto.

Após a conclusão dos investimentos, o estudo prevê significativa contratação de pessoal para atividades administrativas e operacionais de lavra, beneficiamento, transporte e operação do pátio de produtos e pera ferroviária.

A estimativa é de contratação de 551 pessoas, elevando o volume de empregos de 969 para 1.520 pessoas.

Durante a fase de implantação, a geração de vagas será ainda maior. No pico, serão necessários cerca de 4.300 trabalhadores, com alojamento para 2.600 operários na área do projeto, informe o Estudo de Impacto Ambiental.

Embora sistemas semelhantes já existam em estados como Minas Gerais e Pará, esta será a primeira correia de longa distância aplicada ao setor de mineração em Mato Grosso do Sul.

Mesmo com a suspensão atual do transporte ferroviários, o projeto inclui a construção de um novo terminal de embarque às margens da ferrovia, sinalizando uma possível retomada futura. A ferrovia deve passar por nova licitação em novembro deste ano.

Com informações de Correio do Estado.

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Romário Pereira de Carvalho

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