Escassez de profissionais qualificados acelera uso de robôs em tarefas de soldagem, com desempenho comparável ao de humanos experientes.
A escassez de soldadores pode ter um novo aliado: os robôs. Um estudo da Universidade de Nottingham aponta que a tecnologia pode preencher a lacuna deixada pela redução da mão de obra qualificada no setor da soldagem.
Crise de mão de obra preocupa setores estratégicos
O país enfrenta uma crise crítica na área da soldagem. A formação de novos profissionais está em queda, e o Brexit dificultou a entrada de trabalhadores qualificados da União Europeia.
Segundo a Axiom Personnel, metade dos soldadores britânicos deve se aposentar até 2027. Esse cenário ameaça setores como construção civil, aeroespacial e até a infraestrutura nacional.
-
Estudante de colégio militar de Manaus criou um método que usa ondas sonoras para mexer em genes ligados ao Alzheimer e levou prêmio mundial na maior feira de ciências do planeta, nos Estados Unidos
-
Bosch revoluciona com motor de cubo para bicicletas elétricas de apenas 2,3 kg, 45 Nm de torque e 400 Watts de potência; novidade elimina resistência acima de 25 km/h e marca uma mudança histórica da fabricante alemã
-
Engenheira da Unesp transforma uma bactéria do mar coletada em Ubatuba numa pequena usina que gera 227 mW por metro quadrado e ainda limpa o ar, capturando CO₂ e soltando oxigênio enquanto produz energia
-
Trump assina decretos para criar computador quântico e preparar sistemas dos Estados Unidos contra ataques capazes de quebrar criptografias atuais
Sistema robótico aprende com especialistas humanos
A pesquisa, publicada na revista Robotics and Computer-Integrated Manufacturing, desenvolveu um sistema robótico capaz de aprender com soldadores experientes. A proposta é registrar os movimentos e parâmetros utilizados por profissionais humanos, como velocidade da tocha, ângulo, comprimento do arco e corrente usada.
Esses dados são armazenados em uma biblioteca de habilidades, que pode ser acessada para que robôs realizem tarefas novas e complexas.
O sistema busca imitar o raciocínio humano combinando diferentes técnicas aprendidas para cada situação.
Testes mostraram bons resultados
Em testes práticos, um soldador experiente realizou tarefas básicas em peças de aço inoxidável. Os dados foram coletados e usados pelo robô para executar curvas mais complexas, como trajetórias polinomiais.
O resultado final das soldas foi comparável ao trabalho de um soldador humano, com a vantagem de maior economia de tempo e recursos.
Robôs não substituirão soldadores, dizem autores
O objetivo não é acabar com a profissão, mas usar os robôs em tarefas repetitivas ou perigosas. Segundo o pesquisador Abdelkhalick Mohammad, isso permitirá que os profissionais humanos se concentrem em atividades mais criativas.
Ele destaca ainda que essa abordagem pode ser aplicada a outras tarefas industriais, como montagem e polimento.
Tecnologia pode beneficiar vários setores
O sistema pode ser útil para indústrias que exigem precisão em ambientes adversos, como a construção naval, automobilística e aeroespacial.
Hoje, os processos robóticos dependem muito de técnicos humanos para programar as ações. Com o novo modelo, a ideia é reduzir essa dependência e aumentar a autonomia das máquinas.
A solução proposta pode representar um avanço importante diante da escassez de mão de obra no setor e sinaliza uma mudança no uso da tecnologia dentro da indústria.
