Impulsionados por inteligência artificial, robôs agrícolas operam dia e noite, entram na colheita de frutas delicadas e aceleram a automação em morangais dos Estados Unidos a outros polos produtores pelo mundo
A mecanização sempre foi sinônimo de trator gigante cruzando lavouras de milho, trigo e soja em linha reta até onde a vista alcança. Agora, robôs começam a encarar um desafio bem mais delicado: colher morangos sem machucar a fruta, selecionar apenas os maduros e manter a qualidade que o consumidor espera quando abre a caixinha no supermercado.
Na Flórida, um produtor de morangos que cultiva cerca de 600 hectares decidiu transformar sua fazenda em laboratório a céu aberto. Depois de anos dependendo de trabalhadores imigrantes para colher cada bandeja, ele viu leis mais rígidas de imigração encarecerem a mão de obra e aumentarem a incerteza. A solução encontrada foi apostar em tecnologias 4.0, juntando robótica, inteligência artificial, big data, GPS e visão computacional para colocar máquinas no lugar de 30 pessoas em plena lavoura.
A mecanização que não chegava às frutas delicadas
A história da mecanização agrícola é antiga, mas quase sempre contada a partir de grandes culturas de grãos.
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Tratores maiores, pulverizadores de alta capacidade e plantadeiras de última geração transformaram as super plantações em linhas de produção a céu aberto, reduzindo drasticamente a necessidade de mão de obra.
Frutas e hortaliças ficaram de fora desse roteiro por muito tempo. Colher morangos, tomates ou outras frutas delicadas é bem diferente de cortar um talo de soja ou recolher espigas de milho.
É preciso manusear cada unidade com cuidado, escolher apenas o ponto certo de maturação, evitar machucados e respeitar uma lógica seletiva que sempre pareceu difícil de traduzir em código.
Frutas delicadas exigem um toque que, até agora, só a mão humana parecia ser capaz de oferecer com segurança. Por isso, mesmo em países altamente mecanizados, a colheita de morangos continuou apoiada em longas fileiras de trabalhadores curvados sobre as plantas, dia após dia.
Morangos na mira dos robôs agrícolas
A virada começa quando produtores como o da Flórida percebem que depender exclusivamente de mão de obra humana está se tornando arriscado e caro.
Anos de colheita com trabalhadores imigrantes garantiram o fornecimento de morangos, mas a combinação de regras migratórias mais duras e aumento de custos tornou esse modelo instável.
Em vez de apenas aceitar a nova realidade, o produtor se juntou a um parceiro tecnológico e passou a testar robôs em plena lavoura.
O objetivo é claro: substituir parte do trabalho manual por uma plataforma inteligente, capaz de identificar morangos prontos para colheita, fazer o movimento correto de retirada e depositar cada fruta com cuidado, sem esmagar a polpa.
Essa aposta não está isolada. Soluções semelhantes começam a surgir em países que vão da Espanha ao Japão, passando pelo Brasil.
E o próprio Brasil tem uma história de pioneirismo nessa frente: há cerca de 40 anos, uma empresa nacional lançou a primeira máquina colhedora de café do mundo, mostrando que o campo pode ser um grande berço de inovação em máquinas agrícolas.
Como funciona o robô que colhe morangos
No experimento da Flórida, o coração da inovação é um protótipo de máquina de colheita de morangos com 9,14 metros de comprimento.
Em vez de rodar ao lado das plantas, ela se movimenta sobre colunas de cultivo, literalmente pairando sobre as fileiras de morangueiros.
Sensores e câmeras alimentam sistemas de visão computacional que identificam, em tempo real, a posição e o ponto de maturação de cada morango.
A partir daí, braços e mecanismos automatizados se encarregam de fazer o gesto que os colhedores humanos dominam: “posicionar o morango na fôrma” e girar com precisão, imitando o pequeno estouro que solta a fruta do pedúnculo sem danificá-la.
Na proposta desse protótipo, a máquina pode operar de dia ou de noite, sob iluminação artificial, e realizar o trabalho equivalente ao de 30 colhedores humanos em uma única estrutura.
Em vez de lidar com equipes grandes, o produtor passa a acompanhar o desempenho de um equipamento que não se cansa e mantém o mesmo padrão ao longo de toda a jornada.
Do produtor tradicional ao startupeiro do campo
Por trás desses robôs está um produtor sessentão que, na prática, virou uma espécie de startupeiro rural.
Acostumado a lidar com ciclos de plantio e colheita, ele agora também convive com versões de software, testes de hardware, ajustes de sensores e atualizações de algoritmos.
A fazenda deixa de ser apenas um lugar de produção para virar um campo de provas de tecnologia. O agricultor precisa contratar ou formar profissionais com perfil totalmente diferente do tradicional, capazes de entender eletrônica, programação, dados e manutenção de sistemas complexos, além do conhecimento agronômico.
Essa transformação pessoal resume o movimento maior que começa a atravessar o agro: produtores saindo do papel exclusivo de operadores de máquinas para se tornarem gestores de sistemas, dados e plataformas inteligentes.
Custo alto hoje, aposta estratégica para o amanhã
Nada disso acontece de um dia para o outro. As máquinas ainda são caras, os protótipos exigem ajustes constantes e falhas são inevitáveis no início.
Fazendas que apostam nesses robôs precisam de equipe preparada para manutenção, reparos rápidos e tomada de decisão baseada em dados, inclusive para saber quando vale a pena ligar ou desligar a máquina.
Mesmo assim, muitas tarefas nas fazendas já estão maduras para automação, possivelmente em um grau maior do que imaginamos.
Colheitas repetitivas, monitoramento de pragas, leitura de imagens de satélite e drones, análise de solo e clima, tudo isso compõe um universo em que a inteligência artificial e a robótica tendem a se integrar cada vez mais.
No caso dos morangos, a pressão por mão de obra, o valor agregado da fruta e a necessidade de garantir qualidade tornam o cenário ainda mais favorável à adoção de robôs.
Cada avanço em protótipos como o da Flórida aproxima a realidade de lavouras onde máquinas e pessoas trabalham lado a lado, com a tecnologia assumindo o esforço pesado e repetitivo.
A questão deixou de ser se os robôs vão entrar de vez na colheita de frutas delicadas, e passou a ser quando e em que velocidade essa mudança vai se espalhar pelo mundo.
E você, acredita que robôs colhendo morangos serão mais aliados da produtividade ou uma ameaça aos empregos no campo?


A Skype net vai tomar conta dos seres humanos e os mesmos nao terá mais valor neste planeta
Na realidade estamos cada vez mais a caminho da tecnologia. É um processo que pode funcionar bem, mas também pode que não dê resultados esperados.Muitos trabalhadores podem ficar sem emprego, uma ameaça para os que tem como sustento da família este tipo de atividade. A máquina nunca vai se igualar com a mão de obra humana, por melhor que seja.