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RN bate recorde no desperdício de energia renovável em setembro, diz estudo

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 10/10/2025 às 11:58 Atualizado em 10/10/2025 às 14:59
Assista o vídeoPainéis solares sob um céu parcialmente nublado em um dia ensolarado.
Painéis solares continuam captando energia mesmo com a presença de nuvens no céu, demonstrando a eficiência da tecnologia solar.
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Entenda como o desperdício de energia renovável no Rio Grande do Norte revela desafios antigos e oportunidades para o futuro sustentável do país

O desperdício de energia renovável tornou-se, ao longo dos últimos anos, um dos principais temas nas discussões sobre o futuro energético do Brasil.

Em setembro, o Rio Grande do Norte atingiu um recorde nacional nesse tipo de perda, conforme apontam os dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), analisados pela consultoria CarpeVie e pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

O estado, amplamente reconhecido por ser um dos maiores produtores de energia eólica do país, respondeu por 36,01% dos cortes de geração entre todas as unidades da federação.

Esse fenômeno, chamado de curtailment, ocorre justamente quando usinas eólicas e solares precisam reduzir ou interromper a geração de energia em razão da falta de capacidade de escoamento nas linhas de transmissão.

De acordo com o presidente do CERNE, Darlan Santos, o prejuízo acumulado no setor renovável brasileiro já ultrapassa R$ 5 bilhões, o que evidencia um problema estrutural que se repete e se agrava a cada ano.

Assim, a situação no Rio Grande do Norte reflete um desafio mais amplo, que envolve não apenas o setor elétrico, mas também o planejamento energético nacional.

A origem do problema e o impacto histórico da infraestrutura

Historicamente, o Brasil tem se destacado pela produção de energia limpa.

Desde o início dos anos 2000, quando o país iniciou grandes investimentos em parques eólicos, o Nordeste passou a ser visto como um exemplo mundial de geração sustentável.

O Rio Grande do Norte, em especial, destacou-se por aproveitar ventos constantes e fortes, transformando seu potencial natural em uma vantagem competitiva.

Contudo, ao mesmo tempo em que a produção cresceu, a infraestrutura de transmissão não acompanhou o ritmo da expansão.

As redes que deveriam transportar a energia gerada nas usinas não foram ampliadas na mesma proporção.

Como resultado, parte dessa eletricidade limpa acaba sendo descartada, o que representa um desperdício de energia renovável com consequências econômicas e ambientais.

Além disso, esse problema evidencia uma contradição preocupante.

Embora o Brasil seja um dos líderes mundiais em energia renovável, ele também figura entre os países que mais desperdiçam esse tipo de produção.

Conforme o levantamento da CarpeVie, o Rio Grande do Norte ocupa o segundo lugar nacional em perdas em 2025, ficando atrás apenas da Bahia.

Ao todo, 70% das perdas estão concentradas no Nordeste, região que deveria ser o motor da transição energética do país.

A expansão da energia limpa e os desafios regionais

Nos últimos anos, o avanço da energia eólica e solar transformou o Nordeste em um verdadeiro polo de produção renovável.

Entretanto, embora o potencial seja imenso, a falta de linhas de transmissão adequadas ainda impede que toda essa energia chegue às regiões de maior consumo.

Por essa razão, muitas usinas são obrigadas a reduzir sua geração, o que significa desperdiçar energia renovável limpa e abundante.

Além do prejuízo financeiro para as empresas, há também uma consequência ambiental significativa.

Sempre que há cortes na produção de energia renovável, aumenta-se a dependência de fontes fósseis, que emitem gases poluentes e elevam o custo do sistema elétrico.

Nesse contexto, é fundamental compreender que o problema não está apenas na geração de energia.

Ele envolve planejamento, licenciamento ambiental, execução de obras e investimento público e privado.

Assim, quando essas etapas sofrem atrasos ou falhas de coordenação, o país acaba desperdiçando o potencial energético que poderia impulsionar sua economia de forma sustentável.

Portanto, se o Brasil deseja consolidar sua liderança global em energias limpas, precisa investir em infraestrutura, integração regional e inovação tecnológica.

Somente assim será possível transformar perdas em ganhos e fazer da energia renovável um vetor permanente de desenvolvimento.

Caminhos para o aproveitamento pleno da energia renovável

Para enfrentar o desperdício de energia renovável, é necessário, antes de tudo, um planejamento estratégico de longo prazo.

O país precisa acelerar a construção de linhas de transmissão entre o Nordeste e o Sudeste, onde se concentra a maior demanda por energia.

Além disso, deve incentivar o uso de sistemas de armazenamento, como baterias de alta capacidade, que podem equilibrar a oferta e a demanda em momentos de pico.

Ao mesmo tempo, o Brasil deve investir em modernização e digitalização do sistema elétrico, permitindo uma gestão mais inteligente e eficiente do fluxo de energia.

A diversificação das fontes também é essencial, pois a integração entre energia solar, eólica, hídrica e biometano reduz riscos e garante mais estabilidade ao sistema.

Internacionalmente, países como Alemanha e Dinamarca enfrentaram desafios semelhantes.

Contudo, por meio de políticas públicas consistentes, incentivos à inovação e à descentralização da geração, eles conseguiram reduzir drasticamente o desperdício.

Dessa forma, o Brasil pode seguir esse exemplo e adaptar as soluções estrangeiras à sua própria realidade territorial e climática.

Assim, com vontade política e investimento coordenado, o país pode transformar um problema crônico em uma oportunidade de desenvolvimento sustentável.

O papel do Rio Grande do Norte e a busca por eficiência energética

O Rio Grande do Norte, por ser o principal produtor de energia eólica do Brasil, ocupa uma posição estratégica na transição energética nacional.

No entanto, o estado também enfrenta o desafio de melhorar seu sistema de escoamento e de integrar-se de forma mais eficiente às redes regionais e nacionais.

Com políticas adequadas e investimentos direcionados, o RN pode converter seu atual recorde de desperdício em um exemplo de superação.

Para isso, é essencial promover a cooperação entre governo, agências reguladoras e empresas privadas, de modo que o crescimento da geração seja acompanhado pela modernização da infraestrutura elétrica.

Além disso, à medida que novas tecnologias se consolidam, como o uso de inteligência artificial para prever variações na geração e o armazenamento em larga escala, o estado poderá garantir um aproveitamento mais racional e sustentável de seus recursos naturais.

Portanto, se houver continuidade nas políticas energéticas e incentivo à inovação, o Rio Grande do Norte pode transformar seu desafio atual em uma vitrine mundial de eficiência e sustentabilidade.

O futuro da energia limpa e o desafio de evitar perdas

O desperdício de energia renovável, além de um problema técnico, representa uma questão econômica e ambiental profunda.

Cada megawatt desperdiçado significa recursos financeiros perdidos, emissões evitáveis e oportunidades que deixam de gerar benefícios sociais.

Por outro lado, o Brasil tem condições únicas para mudar esse cenário.

Com uma matriz energética diversificada, vastos recursos naturais e tecnologia em expansão, o país pode avançar rapidamente em direção a uma gestão mais inteligente e sustentável da energia.

Em suma, o desperdício de energia renovável precisa ser encarado não apenas como uma falha, mas como um ponto de virada.

A partir dele, o Brasil pode consolidar um novo modelo energético, mais justo, eficiente e ambientalmente responsável.

Assim, com planejamento, inovação e cooperação, o país poderá transformar o vento e o sol — hoje parcialmente desperdiçados — em pilares de um futuro verdadeiramente sustentável.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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