A Águia Fertilizantes recebeu a licença de operação da FEPAM para iniciar a produção de fosfato natural no projeto Três Estradas, primeiro empreendimento do tipo no Rio Grande do Sul. Segundo o AgroMais, a planta de Caçapava do Sul começa a operar com capacidade de 150 mil toneladas por ano de fertilizantes fosfatados, com meta de produzir 70 mil toneladas já em 2026 e de dobrar a capacidade até 2028 quando uma segunda fábrica entrar em funcionamento em Lavras do Sul.
O Rio Grande do Sul acaba de dar o primeiro passo para produzir seus próprios fertilizantes fosfatados. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental emitiu a licença de operação para o projeto Fosfato Três Estradas, da Águia Fertilizantes, autorizando a extração e o beneficiamento de fosfato natural na mina de Lavras do Sul, na região da Campanha Gaúcha. A licença foi entregue na última semana pelo vice-governador Gabriel Souza em cerimônia no Palácio Piratini, marcando o fim de uma jornada regulatória que começou com as primeiras pesquisas minerais em 2011 e passou por licenças prévias, de instalação e disputas judiciais com o Ministério Público Federal.
A relevância do empreendimento se mede pela dependência que o estado e o país têm de fertilizantes importados. O Rio Grande do Sul importa atualmente 100% do fosfato que utiliza na agricultura. No Brasil, o índice de importação de fosfato chega a 59%, e considerando todos os tipos de fertilizantes, o país depende de produtos estrangeiros para cerca de 80% do seu consumo. A crise no Estreito de Ormuz, que encareceu os fertilizantes importados nos últimos meses, tornou a produção nacional mais urgente e economicamente atrativa.
O que é o projeto Fosfato Três Estradas

imagem: video
O projeto Fosfato Três Estradas é o resultado de mais de uma década de pesquisa mineral conduzida pela Águia Fertilizantes na região do Pampa gaúcho. Os trabalhos começaram entre 2011 e 2014, quando pesquisadores identificaram um depósito de fosfato com recursos geológicos estimados em 104 milhões de toneladas de minério, com teor médio de 4% de P2O5 o pentóxido de fósforo, composto essencial para a fabricação de fertilizantes.
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A operação começa na planta industrial de Caçapava do Sul, cidade localizada a cerca de uma hora de Lavras do Sul, onde o minério será beneficiado e transformado em fertilizante fosfatado natural para comercialização. A meta da empresa é produzir aproximadamente 70 mil toneladas ainda em 2026, o primeiro ano operacional, e alcançar a capacidade plena de 150 mil toneladas anuais em 2027. A inauguração da fábrica e o início das vendas estão previstos para o começo de junho.
A expansão para 300 mil toneladas e a segunda fábrica

A Águia Fertilizantes não pretende parar na primeira planta. Em 2027, a empresa iniciará a construção de um novo complexo industrial junto à mina de Três Estradas, em Lavras do Sul, com investimento previsto de mais de R$ 80 milhões. A nova fábrica elevará a capacidade combinada de produção de fertilizantes para 300 mil toneladas por ano, volume que representaria cerca de 10% da demanda de fosfato do Rio Grande do Sul.
O investimento total acumulado desde o início das pesquisas já ultrapassa R$ 230 milhões, incluindo infraestrutura de mina, estudos técnicos, licenciamento ambiental e adequação da planta de Caçapava do Sul. A empresa também obteve financiamento de R$ 15 milhões do BRDE para a implantação da unidade de extração. O diretor Diego Boeira explicou que a planta de Caçapava já estava pronta e permitiu iniciar a operação rapidamente enquanto o complexo definitivo de Lavras do Sul é construído.
O conceito ambiental zero-zero-zero
Um dos diferenciais técnicos do projeto é o conceito que a Águia Fertilizantes chama de 0-0-0: zero consumo de água da rede, zero consumo energético externo e zero emissões de gases de efeito estufa na operação. A planta será abastecida por energia solar fotovoltaica gerada no próprio local, eliminando a necessidade de conexão à rede elétrica para o processo produtivo.
O licenciamento ambiental percorreu um caminho longo e litigioso. A licença prévia foi emitida pela FEPAM em 2019, a licença de instalação veio em 2022, mas as obras ficaram travadas por uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal. A juíza federal Aline Cristina Zimmer emitiu decisão favorável ao empreendimento em outubro de 2024, exigindo apenas estudos complementares. A licença de operação, entregue agora em maio de 2026, encerra o ciclo regulatório e permite o início da produção de fertilizantes.
Por que a produção local de fertilizantes importa agora
A conjuntura internacional deu ao projeto uma urgência que não existia quando as pesquisas começaram. O fechamento do Estreito de Ormuz, desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, interrompeu rotas marítimas por onde transitam não apenas petróleo, mas também fertilizantes fosfatados e potássicos vindos do Oriente Médio. Os preços dos fertilizantes importados dispararam, e produtores gaúchos viram seus custos de insumos subir significativamente.
O Brasil depende de importações para suprir 80% da demanda total de fertilizantes — um dos maiores índices entre grandes produtores agrícolas do mundo. A produção nacional de fosfato é concentrada em Minas Gerais e Goiás, e o Rio Grande do Sul, apesar de ser um dos maiores estados agrícolas do país, nunca teve uma mina de fosfato em operação. A entrada da Águia Fertilizantes muda esse cenário e cria uma alternativa local que pode reduzir custos logísticos e diminuir a exposição dos produtores à volatilidade do mercado internacional de fertilizantes.
O que a fábrica significa para a economia da Campanha
A região da Campanha Gaúcha, onde ficam Lavras do Sul e Caçapava do Sul, é historicamente marcada pela pecuária extensiva e por índices de desenvolvimento abaixo da média estadual. A chegada de um empreendimento industrial dessa escala tem potencial para alterar a dinâmica econômica local. A fase de implantação das obras gerou mais de 900 empregos diretos, e a operação permanente deve manter cerca de 100 postos de trabalho.
O prefeito de Lavras do Sul, Sávio Prestes, classificou a notícia como a mais significativa para o município em anos. A produção de fertilizantes fosfatados naturais atende a um mercado consumidor que está literalmente ao redor da mina: as lavouras de soja, arroz, trigo e milho do próprio estado. O fato de o produto ser extraído, beneficiado e consumido dentro do Rio Grande do Sul elimina custos de transporte de longa distância e cria uma cadeia produtiva 100% regional.
Você sabia que o Rio Grande do Sul importava 100% do fosfato que usa? Acha que a produção local de fertilizantes pode realmente reduzir custos para o produtor rural, ou a escala ainda é pequena demais para fazer diferença? Conta nos comentários.


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