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G7 pede a reabertura do Estreito de Ormuz e alerta para riscos à economia global mas não diz como nem quando isso vai acontecer enquanto Estados Unidos e União Europeia divergem sobre aliviar sanções ao petróleo russo com o barril acima de 110 dólares

Publicado em 21/05/2026 às 17:43
Atualizado em 21/05/2026 às 17:47
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G7 pede reabertura do Estreito de Ormuz mas não define plano. EUA e UE divergem sobre sanções ao petróleo russo e economia global enfrenta riscos. G7 pede reabertura do Estreito de Ormuz mas não define plano. EUA e UE divergem sobre sanções ao petróleo russo e economia global enfrenta riscos.
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Os ministros das Finanças do G7, reunidos em Paris nesta terça-feira (19), defenderam a reabertura do Estreito de Ormuz e alertaram para os riscos do conflito no Oriente Médio sobre a economia global. Segundo o
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, o comunicado final, porém, não apresentou prazos nem mecanismos concretos. Os Estados Unidos prorrogaram a suspensão de sanções ao petróleo russo para conter preços, medida que desagradou a União Europeia e expôs divergências dentro do próprio G7.

O G7 encerrou sua reunião de ministros das Finanças em Paris com um comunicado que pede “retorno rápido à livre e segura circulação” pelo Estreito de Ormuz e reafirma o compromisso com a estabilidade dos mercados de energia. O problema é que, entre o pedido e a realidade, não há nenhum plano concreto. O estreito, por onde transitam 20% das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito, está praticamente paralisado desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã no final de fevereiro. Teerã bloqueou a passagem como represália, e desde então o petróleo Brent ultrapassa os 110 dólares por barril, pressionando a economia global de uma forma que o G7 reconhece mas não consegue resolver.

A reunião do G7 também escancarou uma divergência que vinha se acumulando nos bastidores. Na véspera da cúpula, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a prorrogação por mais 30 dias da suspensão de sanções sobre petróleo russo que se encontra no mar, uma tentativa de conter a alta dos preços. A União Europeia discordou publicamente: o comissário europeu para a Economia alertou que o bloco “não acredita que seja o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia”. O G7, que deveria projetar unidade, saiu de Paris com uma rachadura visível.

O que o comunicado do G7 realmente diz

O texto final da reunião de Paris reafirma o compromisso dos sete países Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, com a cooperação multilateral e com mercados de energia “estáveis e transparentes”. O comunicado do G7 pede que todos os países evitem restrições arbitrárias às exportações e destaca a importância de diversificar cadeias de suprimentos de energia, alimentos e fertilizantes.

No entanto, o documento não apresenta nenhum mecanismo operacional para reabrir o Estreito de Ormuz. Não há menção a cronograma, a pressão diplomática específica sobre o Irã nem a operações navais para garantir a passagem. O ministro francês da Economia, Roland Lescure, limitou-se a afirmar que o G7 acompanhará as repercussões junto a organizações internacionais. Na prática, o comunicado funciona mais como uma declaração de intenções do que como um plano de ação e os mercados reagiram com ceticismo.

A divergência sobre as sanções ao petróleo russo

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A fratura mais significativa dentro do G7 não diz respeito ao Irã, mas à Rússia. Os Estados Unidos decidiram unilateralmente prorrogar a isenção de sanções sobre cargas de petróleo russo retidas em navios-tanque, medida concedida pela primeira vez em março para enfrentar a escassez de oferta provocada pelo fechamento de Ormuz. A decisão beneficia principalmente a Índia, um dos maiores compradores de petróleo russo, e foi tomada após vários países solicitarem mais tempo para adquirir o produto.

A Europa não gostou. Para a União Europeia, aliviar sanções ao petróleo russo no momento em que Moscou mantém a guerra na Ucrânia envia uma mensagem errada. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que participou da reunião do G7 em Paris, argumentou que a prioridade é impedir que os preços de energia saiam de controle e que, para isso, é preciso flexibilidade. A divergência expõe a contradição central do G7: o grupo quer pressionar a Rússia e ao mesmo tempo precisa do petróleo russo para conter a inflação.

O impacto econômico do fechamento de Ormuz

O Fundo Monetário Internacional revisou para baixo a projeção de crescimento global, de 2,9% para 2,5% em 2026, citando diretamente o impacto do conflito no Oriente Médio. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou contra medidas que possam agravar a inflação. A ONU também publicou relatório indicando que o fechamento de Ormuz interrompeu a trajetória de desinflação que vinha sendo observada desde 2023 e que o aumento dos preços de energia será sentido com mais intensidade nas economias em desenvolvimento.

O G7 reconheceu no comunicado que “a incerteza econômica aumentou os riscos para o crescimento e a inflação”, especialmente por causa das pressões sobre cadeias de suprimentos de energia e alimentos. Os efeitos sobre a economia global já são mensuráveis: A onda de vendas de títulos soberanos nos últimos dias elevou os juros da dívida pública de diversos países, complicando o cenário fiscal. Para a América Latina, o impacto é misto: países exportadores de petróleo podem se beneficiar dos preços altos, enquanto importadores enfrentam pressão inflacionária adicional.

O que falta para o G7 traduzir palavras em ação

A cúpula de líderes do G7 está marcada para 15 a 17 de junho nos Alpes franceses, e será a próxima oportunidade para que os sete países transformem o comunicado de Paris em decisões operacionais. Até lá, o G7 precisa resolver ao menos três impasses: como coordenar a reabertura de Ormuz sem entrar em confronto direto com o Irã, como manter as sanções à Rússia sem agravar a crise de energia, e como evitar que a inflação desestabilize a economia global e as nações mais vulneráveis.

O ministro Lescure reconheceu que o grupo precisa avançar em diversificação de fornecimento de terras raras e minerais críticos para reduzir a dependência da China, pauta que também foi mencionada no comunicado. Mas enquanto o G7 discute diversificação de longo prazo, o problema de curto prazo permanece sem solução: o Estreito de Ormuz segue fechado, o petróleo segue caro, a economia global segue sob pressão e a rachadura entre Estados Unidos e Europa sobre a Rússia segue aberta.

Você acha que o G7 vai conseguir pressionar pela reabertura do Estreito de Ormuz ou o Irã vai manter o bloqueio como instrumento de pressão? O que mais preocupa: o petróleo acima de 110 dólares, as sanções russas ou a falta de um plano concreto? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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