Relatório aponta que a China pode reaproveitar cinzas volantes e ganga da cadeia do carvão para recuperar germânio, alumínio, lítio e gálio, metais usados em setores estratégicos como baterias, semicondutores, óptica, motores e aplicações militares.
A China pode transformar resíduos de carvão em nova fonte de metais críticos, como germânio, alumínio, lítio e gálio, ao reaproveitar cinzas volantes e ganga geradas por sua ampla cadeia de mineração, queima e processamento industrial.
Resíduos de carvão podem virar fonte de metais críticos
O novo relatório defende que o carvão não deve ser visto apenas como combustível. Suas sobras concentram pequenos vestígios de elementos metálicos, hoje disputados por setores ligados a semicondutores, baterias, óptica, motores e aplicações militares.
Entre os materiais citados estão as cinzas volantes, formadas após a queima do carvão, e a ganga, rocha sem valor energético que costuma acompanhar o minério durante a extração. Ambos geralmente acabam empilhados, descartados ou usados parcialmente na construção.
-
Fabricante asiática de baterias entra como sócia em projeto de terras raras e nióbio em Minas Gerais, com reservas estimadas em 70 milhões de toneladas e início de operação previsto para 2027
-
Enquanto outros países disputam os minerais da energia limpa, EUA olham para o Brasil e prometem buscar financiamento para projetos que envolvem terras raras, lítio, níquel e grafite
-
Mineradora perfurava centenas de metros abaixo da área já mapeada no Pará quando encontrou novas zonas de cobre e ouro em Furnas, projeto que pode operar por 24 anos ao lado da Vale
-
Terras raras, indenização milionária e uma fazenda em Goiás: entenda o caso em que produtor rural acusa a Serra Verde de ocupar sua propriedade enquanto disputa judicial se arrasta há anos
Dai Shifeng, membro da Academia Chinesa de Ciências e professor da Universidade Chinesa de Mineração e Tecnologia-Pequim, afirma que os resíduos de carvão contêm diversos elementos metálicos e podem se tornar fonte importante de fornecimento crítico.
China já possui estrutura para reaproveitamento industrial
A proposta ganha peso porque a China reúne grande oferta de carvão, volume expressivo de resíduos e uma base industrial já instalada. Linhas de produção, lavagem, processamento químico e geração de energia poderiam servir como ponto de partida para recuperar recursos.
O relatório avalia que essa infraestrutura cria condições para adaptar instalações existentes, sem partir de uma cadeia completamente nova. Outro fator relevante é a concentração dos resíduos em áreas industriais, o que facilita a logística do processamento.
A recuperação desses metais também se encaixa no esforço chinês para reduzir dependência de importações e integrar cadeias de suprimentos. Para indústrias de veículos elétricos, baterias e eletrônicos, qualquer fonte adicional pode reforçar segurança produtiva.
Potencial econômico depende da composição das cinzas
O principal desafio está na variação química do carvão. Cada mina tem condições geológicas próprias, e a presença de metais pode mudar bastante de uma região para outra, tornando a extração desigual e difícil de padronizar.
Nas usinas, carvões de diferentes origens podem ser misturados. Com isso, um lote de cinzas volantes pode concentrar gálio, enquanto outro pode apresentar quantidade muito menor, afetando previsibilidade, escala e viabilidade econômica.
Mesmo assim, o relatório sustenta que a alta demanda ligada à nova indústria energética torna promissora a extração de metais críticos a partir do carvão. A experiência chinesa com germânio aparece como base para ampliar a recuperação de outros elementos em etapas futuras de processamento mineral avançado.
Este artigo foi elaborado com base em informações divulgadas pelo scmp. O conteúdo contou com apoio de ferramentas de IA na organização editorial e passou por revisão humana antes da publicação.

-
1 pessoa reagiu a isso.