O 14-Bis voltou a voar em uma ação criada com Luigi Cani e realizada na Academia da Força Aérea, em Pirassununga. Içada por um balão de 25 metros, a réplica foi liberada em voo planado, acompanhada pela Esquadrilha da Fumaça, para celebrar o feito histórico de Santos Dumont na aviação.
Uma réplica do 14-Bis voltou aos céus no amanhecer de 1º de maio de 2026, na Academia da Força Aérea, em Pirassununga, interior de São Paulo. O voo foi conduzido pelo paraquedista Luigi Cani, em parceria com a Força Aérea Brasileira, como homenagem ao legado de Alberto Santos Dumont, quase 120 anos após a apresentação pública da aeronave original.
Conforme mostrado em vídeo publicado pelos canais G4 Business e MUNDO CANI, para realizar a ação, a equipe acoplou a réplica a um balão de 25 metros de altura, responsável por elevá-la antes da liberação para um voo planado. Segundo a divulgação do projeto, o avião chegou a uma faixa entre 3.000 e 3.700 metros de altitude e foi acompanhado por aeronaves da Esquadrilha da Fumaça durante a homenagem.
Réplica do 14-Bis foi levada ao céu por um balão de 25 metros

A operação proposta por Luigi Cani teve uma configuração diferente daquela realizada por Santos Dumont em 1906. Na homenagem, a réplica do 14-Bis não decolou do solo por seus próprios meios: foi presa a um balão, elevada até grande altitude e liberada para planar com o paraquedista no comando.
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A montagem exigiu atenção ao posicionamento da aeronave e ao sistema de separação usado no momento da soltura. Como a réplica precisava se desprender de maneira equilibrada, qualquer diferença entre os pontos de liberação poderia comprometer a estabilidade inicial do voo.
O desafio não era apenas colocar uma réplica no ar, mas fazê-la entrar em voo após ser suspensa por um balão em uma condição totalmente diferente da experiência histórica de Santos Dumont.
Luigi Cani assumiu projeto após carreira marcada por voos extremos

Luigi Cani é conhecido por atuações no paraquedismo e em projetos aéreos de alta complexidade. De acordo com a Força Aérea Brasileira, ele acumula 11 recordes mundiais e idealizou a homenagem como uma forma de relembrar a importância de Santos Dumont para a aviação.
Para conduzir o 14-Bis, Cani passou por preparação específica e obteve licença para pilotar a réplica. A construção do avião, os testes de conexão ao balão e os ajustes para o voo consumiram aproximadamente cinco meses de trabalho até a realização da apresentação final.
A proposta partiu de uma ideia de forte apelo simbólico: fazer uma imagem associada ao início da aviação reaparecer no céu brasileiro em uma condição inédita para a réplica. Em vez de reproduzir exatamente o voo de 1906, o projeto buscou criar uma homenagem contemporânea ao pioneirismo representado pela aeronave.
Voo ocorreu na Academia da Força Aérea, em Pirassununga
A apresentação foi realizada na Academia da Força Aérea, unidade da FAB localizada em Pirassununga, no interior de São Paulo. O local ofereceu estrutura para a operação aérea e permitiu que a homenagem fosse acompanhada pelo Esquadrão de Demonstração Aérea, conhecido nacionalmente como Esquadrilha da Fumaça.
Segundo a FAB, a decolagem ocorreu no amanhecer de 1º de maio de 2026. O registro foi posteriormente exibido na televisão e divulgado nos canais ligados ao projeto e à própria Força Aérea, ampliando o alcance da homenagem ao público.
A escolha do cenário aproximou duas imagens da história aeronáutica brasileira: a réplica de um avião ligado ao pioneirismo de Santos Dumont e as aeronaves que atualmente representam a aviação militar em apresentações públicas. Nos céus de Pirassununga, o passado e a demonstração aérea contemporânea foram reunidos em uma mesma cena.
Esquadrilha da Fumaça acompanhou réplica durante homenagem

A participação da Esquadrilha da Fumaça deu dimensão visual e institucional ao voo. As aeronaves do Esquadrão de Demonstração Aérea acompanharam a réplica em parte da apresentação, criando uma formação que destacou o 14-Bis em meio aos aviões atuais.
O contraste é marcante porque a aeronave homenageada remete a uma época em que o voo controlado ainda era uma conquista em desenvolvimento. Já os aviões da Esquadrilha representam décadas de evolução em aerodinâmica, motores, treinamento e controle de voo.
A imagem da réplica acompanhada por aeronaves modernas transformou a apresentação em uma comparação visual entre os primeiros passos da aviação e a tecnologia alcançada quase 120 anos depois.
Altitude de até 3.700 metros ampliou complexidade do desafio
A divulgação ligada ao projeto informou que a réplica foi levada a uma altitude entre 10 mil e 12 mil pés, equivalente a aproximadamente 3.000 a 3.700 metros. Nessa faixa, o avião foi liberado para iniciar o voo planado sob controle de Luigi Cani.
A altura adotada tornou o projeto diferente de outras reproduções ou exibições de aeronaves históricas realizadas próximas ao solo. Em vez de uma demonstração em baixa altitude, a ação colocou a réplica em uma operação iniciada longe da pista, exigindo planejamento para liberação, controle e saída segura do piloto.
No registro divulgado, Cani relata que, após a soltura, o nariz da aeronave desceu com força e o movimento exigiu reação imediata. O paraquedista acabou deixando o equipamento durante a sequência do voo. A homenagem carregava simbolismo, mas também envolvia riscos concretos associados à operação de uma réplica em grande altitude.
Projeto foi construído para lembrar voo realizado em 1906
O 14-Bis original foi apresentado publicamente por Alberto Santos Dumont em 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, em Paris. O voo ocorreu diante de testemunhas e foi reconhecido pela Federação Aeronáutica Internacional, tornando-se um marco na trajetória da aviação.
A homenagem realizada em 2026 ocorreu antes da data exata dos 120 anos daquele feito, mas foi concebida dentro das celebrações do aniversário histórico. A proposta não era substituir ou repetir a experiência original, mas devolver ao público brasileiro a imagem de uma aeronave que ocupa papel central na memória nacional.
Ao longo das décadas, Santos Dumont tornou-se referência brasileira em inovação e aviação, também por projetos anteriores e posteriores ao 14-Bis. O voo da réplica recupera justamente o momento em que uma máquina de estrutura incomum demonstrou que era possível sair do chão sob controle diante do público.
Réplica exigiu construção, testes e adaptações antes do voo

Antes de chegar à apresentação na Academia da Força Aérea, a equipe precisou desenvolver a réplica e testar as condições necessárias para a operação. O projeto incluiu estudos sobre a estrutura da aeronave, comandos, posicionamento sob o balão e comportamento durante a liberação.
A preparação também envolveu testes práticos, com identificação de ajustes necessários antes do voo final. No material divulgado sobre os bastidores, a equipe aparece avaliando ângulos de soltura, estabilidade e funcionamento dos controles, pontos decisivos para reduzir riscos durante a operação.
Esse processo reforça uma característica comum a projetos aeronáuticos: mesmo quando o objetivo é simbólico, o voo depende de planejamento técnico e correções sucessivas. O retorno visual do 14-Bis aos céus não nasceu apenas de uma ideia emocionante, mas de uma sequência de testes para tornar a homenagem possível.
Homenagem também reacende discussão sobre legado de Santos Dumont
A apresentação ocorre em um momento em que instituições e projetos culturais buscam recuperar a importância de personagens históricos brasileiros para novas gerações. No caso de Santos Dumont, a homenagem utiliza uma imagem facilmente reconhecível: a estrutura singular do 14-Bis novamente em voo.
A ação também reforça o vínculo de Santos Dumont com a Força Aérea Brasileira, que o reconhece como Patrono da Aeronáutica Brasileira. Ao participar da operação por meio da Academia da Força Aérea e da Esquadrilha da Fumaça, a FAB associou sua presença institucional à preservação dessa memória.
A celebração não altera os registros históricos nem pretende recriar todas as condições do voo original. Seu valor está em colocar novamente diante do público uma aeronave ligada a um dos momentos mais lembrados da história tecnológica brasileira.
Imagem do 14-Bis no céu reúne memória e ousadia quase 120 anos depois
Quase 120 anos após o voo de Santos Dumont em Paris, a réplica do 14-Bis voltou a aparecer no céu em uma homenagem planejada para causar impacto visual e histórico. Suspenso por um balão, liberado em altitude e acompanhado pela Esquadrilha da Fumaça, o avião retomou por alguns instantes a imagem de uma invenção associada ao início da aviação.
A operação também evidenciou que homenagens dessa dimensão exigem preparo, avaliação de risco e participação de profissionais especializados. O resultado reuniu Luigi Cani, a FAB, uma réplica construída para o projeto e um símbolo que continua despertando interesse mais de um século depois de sua apresentação pública.
Na sua opinião, homenagens como essa ajudam as novas gerações a reconhecer a importância de Santos Dumont e do 14-Bis para a história da aviação? Comente.


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