Versão de entrada do SUV popular na Índia traz motor 1.0 turbo, câmbio manual de seis marchas e rodas de aço por valor equivalente a R$ 58 mil, enquanto a configuração mais cara chega a quase R$ 100 mil com motor de 163 cv e câmbio de dupla embreagem.
O Renault Duster é vendido na Índia em cinco versões, com a configuração de entrada, chamada Authentic, equipada com motor 1.0 turbo TCe de 100 cavalos e 16,3 kgfm de torque acoplado a um câmbio manual de seis marchas, partindo de 10,29 lakh, valor equivalente a pouco mais de R$ 58 mil na conversão direta sem impostos.
Esse motor 1.0 turbo é o mesmo utilizado no Renault Kardian no mercado brasileiro, porém com calibração diferente: por aqui, o propulsor entrega 125 cv de potência e 22,4 kgfm de torque, enquanto na versão indiana a configuração é menos agressiva, priorizando consumo e custo de manutenção adequados ao perfil daquele mercado.
No Brasil, o Duster atual é vendido em quatro versões, com preço inicial de R$ 131.990, o que significa que a versão básica indiana custaria menos da metade da entrada mais barata disponível no mercado nacional, diferença que reflete principalmente a carga tributária incidente sobre veículos importados e fabricados no país.
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Visual mais simples na versão de entrada

Por fora, a estrutura e a silhueta da versão básica seguem o mesmo padrão do restante da linha, porém com diferenças perceptíveis nos detalhes: as rodas são de aço estampado em vez de ligas leves, os faróis são mais simples sem tecnologia full LED e há maior presença de plástico preto rígido no para-choque dianteiro e nas laterais da carroceria.
No interior, a ausência de central multimídia é o elemento mais marcante, substituída por um painel de instrumentos de sete polegadas reservado às informações básicas de condução, enquanto os bancos são revestidos em tecido, o ar-condicionado é do tipo manual com comandos físicos e o acabamento geral é dominado pelo plástico preto sem acabamentos especiais.
As versões intermediárias Evolution e Techno compartilham o mesmo motor 1.0 turbo da versão de entrada, enquanto a partir da Techno+ surge o 1.3 turbo TCe com 163 cv e 28,5 kgfm de torque, trabalhando em conjunto com um câmbio automatizado de dupla embreagem de seis marchas que eleva consideravelmente o desempenho e o conforto de condução.
Esse conjunto motor 1.3 e câmbio de dupla embreagem presente nas versões mais caras do Duster indiano é exatamente o mesmo utilizado no Renault Boreal, modelo recém-lançado no Brasil, indicando que a montadora francesa compartilha componentes de propulsão entre diferentes mercados para reduzir custos de desenvolvimento e fabricação.
Design renovado com identidade própria

Independentemente da versão, o Duster indiano apresenta uma linguagem visual completamente renovada em relação ao modelo vendido atualmente no Brasil, com grade dianteira ampla trazendo o nome Duster em destaque, conjunto óptico mais fino e esguio, para-choque alto e encorpado e perfil lateral mais quadrado e musculoso do que a geração atual.
Na traseira, lanternas com desenho exclusivo são interligadas por uma barra luminosa que percorre toda a largura do veículo, elemento de estilo que reforça o caráter robusto da nova geração e confere ao modelo uma aparência mais moderna e tecnológica em comparação ao Duster que ainda é comercializado no mercado nacional.
A versão mais cara disponível na Índia é a Iconic de lançamento, comercializada a 16,79 lakh, equivalente a quase R$ 100 mil na conversão direta, diferença de preço que se justifica pelos equipamentos adicionais, pelo motor mais potente e pelo câmbio automatizado que distanciam essa configuração da opção de entrada em termos de conforto e desempenho.
Atualização não deve chegar ao Brasil até 2028

Embora o Duster seja um modelo já consolidado entre os consumidores brasileiros e o mercado indiano apresente perfil e comportamento de público com características semelhantes ao nacional, apurações indicam que o modelo reestilizado não deve ser lançado no Brasil num horizonte próximo, permanecendo fora do cronograma de renovação da marca pelo menos até 2028.
A estratégia da Renault no Brasil passa atualmente por um reposicionamento de marca que busca superar a imagem de fabricante de carros populares de entrada, apostando em modelos como o Kardian e o Boreal para elevar o ticket médio e a percepção de valor da marca junto ao consumidor brasileiro nas categorias de maior crescimento no mercado nacional.
Até a eventual chegada de uma nova geração do Duster ao Brasil, a montadora promete lançar outras novidades no país, incluindo modelos com tecnologias compartilhadas com a Geely, fabricante chinesa que é parceira estratégica da aliança Renault-Nissan no mercado brasileiro e que deverá contribuir com plataformas e sistemas de eletrificação para os futuros modelos da marca.
O Duster indiano é baseado no Grande Panda lançado na Europa em meados de 2024, com adaptações nas chapas externas para adequar a identidade visual às preferências locais, estratégia semelhante à adotada com o Citroën C3, que compartilha a mesma plataforma Smart Car mas recebeu modificações específicas para o mercado brasileiro.
As dimensões do Duster indiano, com 3,99 metros de comprimento e entre-eixos de 2,54 metros, são muito próximas às do Citroën C3 brasileiro, o que reforça o compartilhamento de plataforma e indica que ambos os modelos têm muito em comum em termos de espaço interno, comportamento dinâmico e opções de motorização para diferentes mercados emergentes.
No cenário competitivo dos SUVs compactos no Brasil, uma eventual chegada do novo Duster seria recebida em um segmento bastante disputado, onde modelos como Polo Track, HB20S e Virtus convivem com crossovers de diferentes marcas, tornando a decisão de entrada e precificação um fator determinante para o sucesso comercial do modelo renovado.

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