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Reflorestamento no Vale do Paraíba muda sítio por completo, faz produção de leite saltar de 270 para 700 litros por dia e ainda entra em plano de R$ 11,4 milhões que já formalizou 110 contratos para recuperar áreas degradadas

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 21/04/2026 às 08:06 Atualizado em 21/04/2026 às 08:13
Reflorestamento no Vale do Paraíba já alcança 1.315 hectares, com 110 contratos e mudanças na produção rural em SP.
Reflorestamento no Vale do Paraíba já alcança 1.315 hectares, com 110 contratos e mudanças na produção rural em SP.
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O reflorestamento no Vale do Paraíba avança com 110 contratos formalizados, cerca de R$ 3 milhões já executados e 1.315 hectares alcançados, enquanto propriedades em Lagoinha e São Luiz do Paraitinga registram recuperação de áreas degradadas, reorganização da produção rural e aumento expressivo da produtividade

O reflorestamento no Vale do Paraíba vem sendo usado para recuperar áreas degradadas, conservar vegetação nativa e ampliar a produção rural em propriedades atendidas pelo Refloresta SP. No Projeto Vale + Verde, já foram formalizados 110 contratos de Pagamento por Serviços Ambientais, com cerca de R$ 3 milhões executados e ações em 1.315 hectares, o equivalente a aproximadamente 93% das metas pactuadas.

Firmado em abril de 2024 com o Consórcio Intermunicipal Três Rios, o contrato do Vale + Verde prevê investimento de R$ 11,4 milhões ao longo de três anos com recursos do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição. A proposta é incentivar produtores rurais a conservar vegetação nativa e converter áreas degradadas, combinando assistência técnica, reorganização do uso do solo e apoio financeiro.

No Sítio Esperança, em Lagoinha, o produtor rural Causio Giovani Figueira, de 43 anos, aderiu ao Programa Refloresta SP em novembro de 2024 e passou a registrar mudanças na produção. A propriedade saiu de um patamar entre 270 e 300 litros de leite por dia para um pico de 700 litros diários, enquanto a média atual, mesmo fora do auge da lactação, está em 550 litros.

Reflorestamento e reorganização elevaram a produção de leite

Em 2024, o sítio tinha 25 vacas em lactação e ainda não contava com um sistema estruturado de manejo de pastagens. Não havia água distribuída em todos os piquetes, nem divisão adequada das áreas, o que limitava a organização da propriedade e a produtividade.

Depois, com a entrada de oito novilhas filhas das próprias vacas, o rebanho chegou a 33 animais em lactação.

Ao mesmo tempo, foram implantados 13,25 hectares de sistema silvipastoril, modelo que integra árvores, pastagem e criação de gado na mesma área, trazendo melhorias no solo, sombreamento e mais eficiência no manejo.

A propriedade também recebeu ações de restauração em 1,77 hectare e conservação de 0,74 hectare de vegetação nativa. As intervenções incluíram ampliação de piquetes, instalação de bebedouros e plantio de mudas, além de apoio técnico para o manejo das pastagens.

Com essa reorganização, a produção atingiu o pico de 700 litros por dia, crescimento de aproximadamente 159% em relação aos 270 litros iniciais. Atualmente, a média de 550 litros diários ainda representa volume cerca de 103% superior ao registrado antes das intervenções.

Figueira afirmou que o aprendizado técnico foi decisivo para a transformação do sítio e destacou a mudança no fornecimento de água ao rebanho. Ele também relatou que o tanque de 700 litros por dia chegou ao limite no período de maior produção e que agora já estuda a compra de um reservatório maior, com a entrada de mais animais e o aumento contínuo da produção.

PSA garantiu recursos para novos investimentos

O apoio do mecanismo de Pagamento por Serviços Ambientais trouxe segurança financeira para novos investimentos no Sítio Esperança. Segundo o produtor, os recursos ajudaram na irrigação, na melhoria das nascentes e no funcionamento do biodigestor, já que os dejetos passaram a receber tratamento adequado.

O investimento previsto na propriedade é de R$ 70,4 mil, dos quais R$ 20,4 mil já foram executados. Para ele, antes do PSA, qualquer melhoria dependia apenas da renda gerada pela produção, enquanto o apoio atual permitiu avançar na estrutura da propriedade e na gestão da água.

Em São Luiz do Paraitinga, o produtor rural Leandro Mantesso, de 51 anos, comprou o Sítio Raízes I há quatro anos com o objetivo de transformar uma antiga área de pastagem em um modelo de restauração produtiva. A propriedade tem 50 hectares, sendo 15 hectares de mata nativa preservada e 35 hectares anteriormente destinados à pecuária.

Sistema agroflorestal mudou área antes usada para pastagem

No âmbito do Vale + Verde, Mantesso converteu 18,23 hectares de pastagem degradada em Sistema Agroflorestal, modelo que combina espécies agrícolas e florestais na mesma área.

Desse total, 5,35 hectares já estão consolidados, enquanto a propriedade mantém 13,83 hectares de vegetação nativa conservada e 0,35 hectare em restauração florestal.

As ações envolveram cercamento e isolamento de áreas sensíveis, condução da regeneração natural e plantio de mudas. O produtor já recebeu R$ 20,3 mil em Pagamento por Serviços Ambientais para a execução do SAF, e o investimento previsto no imóvel é de R$ 80,4 mil.

Há três anos, Mantesso começou um projeto piloto de agrofloresta em cinco hectares com foco na produção de café, além de espécies frutíferas e madeireiras. No ano passado, outros cinco hectares passaram a ser convertidos, totalizando dez hectares em processo de transição do pasto para o SAF.

Ele relatou que a diferença entre as áreas é nítida durante as chuvas, porque no pasto a água escoa superficialmente, enquanto no SAF ela infiltra no solo. Também observou o retorno mais intenso de abelhas, insetos e aves, além de mudanças na rotina de trabalho das pessoas envolvidas, que passaram a aprender outra forma de lidar com a natureza e com a agricultura.

Política estadual reúne metas, recursos e expansão do reflorestamento

O Projeto Vale + Verde integra a carteira de iniciativas do Refloresta SP, coordenadas pela Diretoria de Biodiversidade e Biotecnologia da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística. A política estadual reúne ações no Vale do Paraíba, na Serra da Cantareira e em outras frentes construídas por meio de parcerias com municípios e projetos apoiados por diferentes fontes de financiamento.

Somadas, essas ações abrangem cerca de 37,7 mil hectares em restauração no território paulista entre 2023 e 2026. Desse total, 14,7 mil hectares, ou 39%, foram executados em 2025, contribuindo para a meta do Plano Estadual de Meio Ambiente de alcançar 37.500 hectares até 2026, com aproximadamente R$ 45 milhões já executados com recursos do Fecop, da Arsesp e do GEF.

A secretária da Semil, Natália Resende, afirmou que as ações acompanhadas no Vale do Paraíba mostram que é possível unir conservação ambiental e fortalecimento da produção rural. Para a diretora da DBB, Patrícia Locosque Ramos, o PSA é um instrumento estratégico de transição produtiva, por criar condições para reorganizar a propriedade, recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade com conservação.

No Vale do Paraíba, região historicamente marcada pela degradação da Mata Atlântica desde o ciclo do café, a política pública busca reverter passivos ambientais e fortalecer a produção rural e a segurança hídrica. Nesse cenário, o reflorestamento aparece como eixo central de uma estratégia que combina conservação, recuperação de solo, proteção da água e reorganização produtiva no campo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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