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Motoristas do Rio Grande do Norte veem a refinaria de Guamaré baixar a gasolina para R$ 4,09 e o diesel em R$ 0,09, mas o litro da gasolina na refinaria ainda acumula alta de 60% em 2026

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 08/11/2026 às 13:13 Atualizado em 08/11/2026 às 13:28
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A Refinaria Clara Camarão, em Guamaré, cortou o litro da gasolina A de R$ 4,14 para R$ 4,09 e baixou o diesel rodoviário em R$ 0,09 na quinta-feira (5), depois de um outubro de altas, mas a gasolina ainda custa cerca de 60% mais do que em janeiro.

Os números foram publicados pelo jornal Agora RN na sexta (6), com base na tabela semanal da refinaria, que é operada pela Brava Energia.

A Clara Camarão, instalada em Guamaré, no litoral norte potiguar, atualiza seus preços de venda toda semana. O que ela cobra afeta o custo das distribuidoras e, mais adiante, a bomba.

Se você abastece no RN, a notícia é boa, mas pequena. E não chega automaticamente ao posto, como o próprio jornal faz questão de lembrar.

Cinco centavos a menos na gasolina

Na gasolina A, a que sai da refinaria antes de receber o etanol anidro, o corte foi de R$ 0,05 por litro. O preço passou de R$ 4,14 para R$ 4,09.

O recuo interrompe a alta de R$ 0,15 aplicada em 29 de outubro, quando o litro tinha saído de R$ 3,99 para R$ 4,14.

Mesmo com a queda, o preço segue R$ 0,10 acima do que era cobrado antes daquele reajuste. A diferença é de aproximadamente 2,5%, segundo o Agora RN.

Um outubro de idas e vindas

Antes da alta do fim do mês, a gasolina tinha ficado mais barata por duas semanas seguidas, com cortes nos dias 15 e 22 de outubro.

O vaivém mostra como o preço da Clara Camarão acompanha de perto o mercado. Como a tabela muda toda semana, quem compra da refinaria sente cada oscilação.

Em setembro, o CPG mostrou que a Refinaria Clara Camarão aumentou o diesel em R$ 0,46 e a gasolina em R$ 0,17 em uma semana, num exemplo do tamanho que esses movimentos podem ter.

Dunas e lagoa vistas do alto sob céu nublado em Guamaré, no Rio Grande do Norte
Dunas e lagoa em Guamaré (RN), município da refinaria Clara Camarão. Foto: Romilda Queiroz Facco, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O diesel caiu pela primeira vez em três semanas

No diesel A S500, na modalidade EXA, o litro saiu de R$ 7,27 para R$ 7,18. Na modalidade LCT, foi de R$ 7,28 para R$ 7,19.

Nas duas, o corte é de cerca de 1,2% sobre o preço cheio, sem contar a subvenção federal. Foi o primeiro recuo do diesel na refinaria em três semanas.

O histórico recente explica o tamanho da conta. O litro do EXA custava R$ 6,82 em 8 de outubro, subiu para R$ 7,04 no dia 15 e chegou a R$ 7,27 em 29 de outubro.

A alta de outubro ainda não foi devolvida

Mesmo com o corte desta semana, o diesel acumula alta de R$ 0,36 por litro desde 8 de outubro, uma variação de aproximadamente 5,3%, segundo o levantamento do jornal.

Para caminhoneiros, transportadoras e produtores rurais do estado, isso significa que o combustível segue mais caro do que no começo do mês passado.

O desconto de R$ 2,12 que muda a conta

O preço efetivo do diesel é menor por causa da subvenção federal de R$ 2,12 por litro de diesel rodoviário. Com ela, o EXA caiu de R$ 5,15 para R$ 5,06 e o LCT, de R$ 5,16 para R$ 5,07.

A subvenção foi criada pela Medida Provisória 1.391, de 11 de setembro de 2026, e regulamentada pelo Decreto 13.121, de 21 de setembro.

Pelo calendário da ANP citado pelo Agora RN, o desconto vigora de 12 de outubro a 11 de novembro e será mantido até 26 de novembro no período seguinte.

Quanto a gasolina subiu em 2026

O retrato do ano é o que mais pesa. Em 1º de janeiro, o litro da gasolina A na Clara Camarão saía por R$ 2,56, segundo levantamento do jornal publicado em agosto.

Em 20 de agosto, o mesmo litro já custava R$ 3,92. Com os R$ 4,09 desta semana, a alta nominal acumulada em 2026 chega a R$ 1,53 por litro, cerca de 60%.

Olhando assim, os cinco centavos de quinta-feira são um alívio pequeno diante de tudo o que subiu desde o começo do ano.

Praia com dunas e cerca de madeira sob nuvens de chuva em Guamaré, no litoral norte potiguar
Litoral de Guamaré (RN). Foto: Romilda Queiroz Facco, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A gasolina da bomba não é a mesma da refinaria

Vale um detalhe para entender a conta. O que você compra no posto é a gasolina C, que mistura a gasolina A da refinaria com etanol anidro.

Desde 1º de agosto de 2026, o teor obrigatório de etanol anidro é de 32%, em caráter temporário, por decisão do CNPE, segundo o portal NovaCana.

Ou seja, a gasolina A responde por 68% de cada litro vendido na bomba. Um corte de R$ 0,05 na refinaria, sozinho, mexe em cerca de R$ 0,03 no litro final, antes de impostos e margens.

Por que a queda pode não chegar ao posto

O preço na bomba depende também de transporte, tributos e margens de distribuidoras e revendedores. Por isso, a queda na refinaria não garante redução igual nos postos.

O alerta foi feito pelo Agora RN, citando reportagem de O Correio de Hoje. As mudanças podem afetar os custos de distribuição e revenda, mas não chegam necessariamente de forma integral ou imediata.

Em outras palavras, o motorista pode até ver o preço cair, mas em ritmo e tamanho que dependem da cadeia inteira.

Como acompanhar daqui para frente

Como a tabela da refinaria muda toda semana, o próximo reajuste pode vir já na quinta-feira (12). Vale observar se o corte continua ou se volta a subir.

No diesel, a data a marcar é 11 de novembro, fim do período atual do desconto federal. A extensão até o dia 26 já foi anunciada pela ANP, segundo o jornal.

O dono de carro e o caminhoneiro do RN, na prática, vão sentir o efeito combinado das duas coisas: a tabela de Guamaré e o tamanho do subsídio.

Você já viu o preço da gasolina ou do diesel cair no posto onde costuma abastecer no Rio Grande do Norte?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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