A Bahiagás contratou o Consórcio MB-TS por R$ 109,8 milhões para construir cerca de 60 quilômetros de rede de gás natural entre Maracás e Contendas do Sincorá, passando por Iramaia e Barra da Estiva, com 22 meses de obra.
O resultado da licitação foi homologado em 4 de novembro, segundo o portal Movimento Econômico, e o aviso saiu no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (6).
O valor exato homologado foi de R$ 109.882.207,22. O contrato cobre a construção e a montagem das redes de distribuição e das estruturas necessárias para o sistema funcionar.
Se você mora numa dessas quatro cidades do interior baiano, a rede de gás natural canalizado agora tem obra contratada, empresa responsável e prazo para terminar.
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Quem vai tocar a obra
O Consórcio MB-TS é formado pela Marques e Bezerra Ltda., líder do grupo, e pela Sabling Engenharia e Locações Ltda., de acordo com o resultado publicado pela companhia.
A Bahiagás informou ao jornal A Tarde que o contrato corresponde à continuidade do Gasoduto Sudoeste, no Lote 1 do Trecho 3.
As obras têm previsão de começar ainda em 2026, segundo a distribuidora. A entrada em operação só ocorre depois da conclusão dos serviços e das etapas que viabilizam o fornecimento.

O caminho dos 60 quilômetros
O trecho começa em Maracás, segue por Iramaia e Barra da Estiva e termina em Contendas do Sincorá. São cerca de 60 quilômetros de rede nesta etapa.
É um traçado longe do litoral e da Região Metropolitana de Salvador, onde a maior parte da rede da Bahiagás se concentra desde a fundação da empresa.
A companhia descreve a expansão como parte da estratégia de interiorização da infraestrutura energética, levando o gás canalizado a municípios fora dos principais centros urbanos.
As fontes também não trazem o diâmetro dos tubos nem a pressão de operação do trecho, dados que ajudariam a saber se a rede foi desenhada para grandes indústrias ou para consumo urbano.
O que chega de verdade a cada cidade
Aqui vale o cuidado. O contrato é de rede de distribuição, mas as fontes não detalham quantos imóveis, comércios ou indústrias poderão ser ligados em cada município.
O jornal A Tarde registrou que o aviso no Diário Oficial também não trazia a divisão dos R$ 109,8 milhões por localidade. A nota da Bahiagás ao jornal acrescentou o traçado, mas não esses números.
Na prática, ter o duto passando pela cidade não significa gás na cozinha no dia seguinte. A ligação depende de viabilidade técnica, de ramais e de contrato com o cliente.
Para que serve o gás canalizado no interior
Nas casas, o gás natural pode abastecer fogões e aquecedores. A vantagem citada pelo A Tarde é não precisar armazenar botijões nem pedir reposição, como ocorre com o GLP.
No comércio, o combustível atende restaurantes, hotéis e lavanderias. Na indústria, entra em processos que precisam de calor, como fornos, caldeiras e secagem.
Para cidades pequenas, o principal efeito costuma vir pela indústria. Uma rede disponível vira argumento na disputa por fábricas que escolhem onde se instalar pelo custo da energia.

O tamanho da Bahiagás hoje
A distribuidora atende mais de 21 municípios, tem carteira superior a 100 mil clientes e cerca de 1,3 mil quilômetros de gasodutos, segundo os dados citados pelo Movimento Econômico.
No próprio site, a empresa lembra que começou com cerca de 10 funcionários, 11 clientes industriais e 53 quilômetros de dutos. Hoje se apresenta como a maior distribuidora estadual de gás do Norte-Nordeste.
Os 60 quilômetros do novo trecho equivalem a pouco menos de 5% de toda a rede que a companhia opera atualmente. Para quem está do lado de fora da rede, porém, é o trecho que importa.
Um plano maior por trás
A obra se encaixa num plano que o CPG já acompanhou: em 2025, a Bahiagás projetou investir R$ 1,38 bilhão até 2029 para expandir a rede no estado.
Nesta mesma semana, o CPG mostrou que a Bahiagás prepara um programa para substituir caminhões e ônibus antigos por veículos a gás natural e biometano.
As duas frentes conversam. Sem rede chegando ao interior, o gás veicular fica restrito aos corredores onde já existe abastecimento.
Por que o Gasoduto Sudoeste importa
O nome do projeto indica a direção. O Gasoduto Sudoeste avança por trechos, e o Lote 1 do Trecho 3 é a etapa que leva a rede de Maracás até Contendas do Sincorá.
A Bahiagás não informou, nas fontes consultadas, quais serão os próximos trechos nem o prazo para que a rede chegue a outras cidades da região.
Dá pra entender a lógica do traçado em etapas. Cada trecho novo aproxima a rede de outras cidades do interior, e levar o gás adiante fica mais barato quando parte do caminho já está enterrada.
Os 22 meses no calendário
Se a obra começar ainda em 2026, como prevê a distribuidora, o prazo contratual de 22 meses empurra a conclusão para o segundo semestre de 2028.
Esse cálculo considera o início no fim deste ano. Qualquer atraso na mobilização, nas licenças ou na liberação da faixa pode mexer no calendário.
O que observar daqui para frente
O primeiro sinal concreto será a mobilização do consórcio, com canteiro e máquinas na estrada entre as cidades. Também vale acompanhar se a Bahiagás divulga a lista de clientes âncora do trecho.
Clientes industriais costumam ser os primeiros a assinar contrato numa rede nova. São eles que tornam o investimento viável para a distribuidora.
Outro ponto é o preço. A tarifa do gás canalizado é regulada pelo estado, e só com ela publicada para os novos clientes dá para comparar, na ponta do lápis, com o custo do botijão.
Você acha que levar gás canalizado ao interior da Bahia pode atrair indústrias para cidades como Maracás e Barra da Estiva?
