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Moradores de Maracás, Iramaia, Barra da Estiva e Contendas do Sincorá (BA) estão na rota de 60 km de gasoduto da Bahiagás: o consórcio MB-TS levou a obra de R$ 109,8 milhões, com 22 meses de prazo

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 08/11/2026 às 13:10 Atualizado em 08/11/2026 às 13:28
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A Bahiagás contratou o Consórcio MB-TS por R$ 109,8 milhões para construir cerca de 60 quilômetros de rede de gás natural entre Maracás e Contendas do Sincorá, passando por Iramaia e Barra da Estiva, com 22 meses de obra.

O resultado da licitação foi homologado em 4 de novembro, segundo o portal Movimento Econômico, e o aviso saiu no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (6).

O valor exato homologado foi de R$ 109.882.207,22. O contrato cobre a construção e a montagem das redes de distribuição e das estruturas necessárias para o sistema funcionar.

Se você mora numa dessas quatro cidades do interior baiano, a rede de gás natural canalizado agora tem obra contratada, empresa responsável e prazo para terminar.

Quem vai tocar a obra

O Consórcio MB-TS é formado pela Marques e Bezerra Ltda., líder do grupo, e pela Sabling Engenharia e Locações Ltda., de acordo com o resultado publicado pela companhia.

A Bahiagás informou ao jornal A Tarde que o contrato corresponde à continuidade do Gasoduto Sudoeste, no Lote 1 do Trecho 3.

As obras têm previsão de começar ainda em 2026, segundo a distribuidora. A entrada em operação só ocorre depois da conclusão dos serviços e das etapas que viabilizam o fornecimento.

Fachada de prédio histórico com detalhes em verde numa rua de paralelepípedos em Maracás, na Bahia
Centro de Maracás (BA), ponto de partida do novo trecho de rede. Foto: marcos dantas, via Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O caminho dos 60 quilômetros

O trecho começa em Maracás, segue por Iramaia e Barra da Estiva e termina em Contendas do Sincorá. São cerca de 60 quilômetros de rede nesta etapa.

É um traçado longe do litoral e da Região Metropolitana de Salvador, onde a maior parte da rede da Bahiagás se concentra desde a fundação da empresa.

A companhia descreve a expansão como parte da estratégia de interiorização da infraestrutura energética, levando o gás canalizado a municípios fora dos principais centros urbanos.

As fontes também não trazem o diâmetro dos tubos nem a pressão de operação do trecho, dados que ajudariam a saber se a rede foi desenhada para grandes indústrias ou para consumo urbano.

O que chega de verdade a cada cidade

Aqui vale o cuidado. O contrato é de rede de distribuição, mas as fontes não detalham quantos imóveis, comércios ou indústrias poderão ser ligados em cada município.

O jornal A Tarde registrou que o aviso no Diário Oficial também não trazia a divisão dos R$ 109,8 milhões por localidade. A nota da Bahiagás ao jornal acrescentou o traçado, mas não esses números.

Na prática, ter o duto passando pela cidade não significa gás na cozinha no dia seguinte. A ligação depende de viabilidade técnica, de ramais e de contrato com o cliente.

Para que serve o gás canalizado no interior

Nas casas, o gás natural pode abastecer fogões e aquecedores. A vantagem citada pelo A Tarde é não precisar armazenar botijões nem pedir reposição, como ocorre com o GLP.

No comércio, o combustível atende restaurantes, hotéis e lavanderias. Na indústria, entra em processos que precisam de calor, como fornos, caldeiras e secagem.

Para cidades pequenas, o principal efeito costuma vir pela indústria. Uma rede disponível vira argumento na disputa por fábricas que escolhem onde se instalar pelo custo da energia.

Praça central de Barra da Estiva, na Bahia, com tenda branca e prédios coloridos sob céu azul
Praça central de Barra da Estiva (BA), uma das cidades do trecho. Foto: Pedro Angelini, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O tamanho da Bahiagás hoje

A distribuidora atende mais de 21 municípios, tem carteira superior a 100 mil clientes e cerca de 1,3 mil quilômetros de gasodutos, segundo os dados citados pelo Movimento Econômico.

No próprio site, a empresa lembra que começou com cerca de 10 funcionários, 11 clientes industriais e 53 quilômetros de dutos. Hoje se apresenta como a maior distribuidora estadual de gás do Norte-Nordeste.

Os 60 quilômetros do novo trecho equivalem a pouco menos de 5% de toda a rede que a companhia opera atualmente. Para quem está do lado de fora da rede, porém, é o trecho que importa.

Um plano maior por trás

A obra se encaixa num plano que o CPG já acompanhou: em 2025, a Bahiagás projetou investir R$ 1,38 bilhão até 2029 para expandir a rede no estado.

Nesta mesma semana, o CPG mostrou que a Bahiagás prepara um programa para substituir caminhões e ônibus antigos por veículos a gás natural e biometano.

As duas frentes conversam. Sem rede chegando ao interior, o gás veicular fica restrito aos corredores onde já existe abastecimento.

Por que o Gasoduto Sudoeste importa

O nome do projeto indica a direção. O Gasoduto Sudoeste avança por trechos, e o Lote 1 do Trecho 3 é a etapa que leva a rede de Maracás até Contendas do Sincorá.

A Bahiagás não informou, nas fontes consultadas, quais serão os próximos trechos nem o prazo para que a rede chegue a outras cidades da região.

Dá pra entender a lógica do traçado em etapas. Cada trecho novo aproxima a rede de outras cidades do interior, e levar o gás adiante fica mais barato quando parte do caminho já está enterrada.

Os 22 meses no calendário

Se a obra começar ainda em 2026, como prevê a distribuidora, o prazo contratual de 22 meses empurra a conclusão para o segundo semestre de 2028.

Esse cálculo considera o início no fim deste ano. Qualquer atraso na mobilização, nas licenças ou na liberação da faixa pode mexer no calendário.

O que observar daqui para frente

O primeiro sinal concreto será a mobilização do consórcio, com canteiro e máquinas na estrada entre as cidades. Também vale acompanhar se a Bahiagás divulga a lista de clientes âncora do trecho.

Clientes industriais costumam ser os primeiros a assinar contrato numa rede nova. São eles que tornam o investimento viável para a distribuidora.

Outro ponto é o preço. A tarifa do gás canalizado é regulada pelo estado, e só com ela publicada para os novos clientes dá para comparar, na ponta do lápis, com o custo do botijão.

Você acha que levar gás canalizado ao interior da Bahia pode atrair indústrias para cidades como Maracás e Barra da Estiva?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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