1. Início
  2. / Biocombustíveis Renováveis
  3. / Redução de até 55% das emissões: Estudo conjunto da Embrapa e UNB revela que canola de segunda safra fortalece a aviação ao expandir biocombustíveis SAF, reduzir emissões e integrar agricultura e energia limpa 
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Redução de até 55% das emissões: Estudo conjunto da Embrapa e UNB revela que canola de segunda safra fortalece a aviação ao expandir biocombustíveis SAF, reduzir emissões e integrar agricultura e energia limpa 

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 22/04/2026 às 16:54
Atualizado em 22/04/2026 às 18:08
Assista o vídeoCanola de segunda safra em ambiente laboratorial ao lado de frasco com SAF, representando produção de biocombustíveis para aviação sustentável e redução de emissões
Redução de até 55% das emissões: estudo conjunto da Embrapa e UNB revela que canola de segunda safra fortalece a aviação ao expandir biocombustíveis SAF, reduzir emissões e integrar agricultura e energia limpa
  • Reação
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Estudo da Embrapa e Universidade de Brasília aponta como a canola de segunda safra pode impulsionar biocombustíveis SAF na aviação, ampliar o uso de energia limpa e reduzir emissões no setor aéreo

A Canola de segunda safra começa a ganhar espaço como alternativa para reduzir as emissões da aviação, um dos setores mais desafiadores da transição energética global. Um estudo conduzido pela Embrapa em parceria com a Universidade de Brasília e publicado no Science Direct, aponta que o uso de biocombustíveis do tipo SAF pode reduzir em até 55% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao querosene fóssil Jet-A1.

Esse percentual, segundo a pesquisadora Priscila Sabaini, da Embrapa Meio Ambiente, representa um cenário ideal, ainda não plenamente viável. Mesmo assim, o dado evidencia o potencial da energia limpa no setor aéreo, especialmente quando integrada à produção agrícola brasileira.

Segundo informações da Embrapa divulgadas no dia 22 de abril, a análise segue o modelo de Avaliação do Ciclo de Vida, o que significa que todas as etapas foram consideradas, desde o cultivo da Canola de segunda safra até a queima do combustível na aviação.

Estudo da Embrapa e UNB detalha como o SAF é produzido a partir da canola

A pesquisa desenvolvida pela Embrapa e pela Universidade de Brasília analisou a produção de biocombustíveis com base na rota HEFA, uma das tecnologias mais consolidadas atualmente para produção de SAF.

Essa rota utiliza óleos vegetais e gorduras como matéria-prima, convertendo-os em combustível por meio de processos industriais de hidrotratamento. No caso brasileiro, a Canola de segunda safra foi avaliada em condições reais de cultivo tropical.

Foram considerados três cenários principais:

  • Uso de querosene fóssil tradicional
  • Mistura de SAF com combustível convencional
  • Uso integral de combustível renovável

A análise foi feita com base na produção de 1 megajoule de energia, permitindo comparar diretamente os impactos ambientais de cada alternativa.

Segundo a pesquisadora Giulia Lamas, vinculada à Universidade de Brasília, o diferencial do estudo está justamente em analisar a canola cultivada em segunda safra no Brasil, um contexto ainda pouco explorado internacionalmente.

Limitações regulatórias e técnicas ainda restringem o avanço do SAF na aviação

Apesar do potencial identificado, o uso de biocombustíveis na aviação ainda enfrenta barreiras importantes. A própria Embrapa destaca que o cenário de redução de até 55% depende de condições ideais.

Atualmente, o SAF produzido pela rota HEFA possui um limite de mistura de aproximadamente 50% com o querosene fóssil. Isso impede a substituição total do combustível convencional no curto prazo.

Entre os principais desafios estão:

  • Limitações tecnológicas na produção em larga escala
  • Custos ainda elevados dos biocombustíveis
  • Restrições regulatórias no setor aéreo

Esses fatores indicam que a expansão da Canola de segunda safra como fonte de energia limpa depende de avanços estruturais e políticas de incentivo.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Agricultura concentra maior parte das emissões no ciclo dos biocombustíveis

Um dos pontos mais relevantes do estudo da Embrapa e da Universidade de Brasília é a identificação da fase agrícola como principal fonte de emissões.

O cultivo da Canola de segunda safra responde por cerca de 34,2 g de CO₂ equivalente por megajoule, valor associado principalmente ao uso de fertilizantes nitrogenados e às emissões de óxido nitroso no solo.

Já a etapa industrial, responsável pela conversão em SAF, apresenta cerca de 12,8 g de CO₂ equivalente por megajoule, especialmente quando o hidrogênio utilizado é de origem fóssil.

O pesquisador Alexandre Cardoso, da Embrapa Agroenergia, destaca que o uso de fertilizantes é um dos principais pontos críticos do sistema. Ele aponta que alternativas como bioinsumos podem contribuir para reduzir esse impacto.

Além disso, o estudo também identificou impactos relacionados a:

  • Eutrofização de ambientes aquáticos
  • Potencial de toxicidade para humanos
  • Pressões sobre ecossistemas

Esses fatores reforçam que a sustentabilidade dos biocombustíveis vai além das emissões diretas.

Integração com hidrogênio renovável amplia ganhos de energia limpa na produção de SAF

Outro destaque importante do estudo é o papel do hidrogênio na produção de SAF. A origem desse insumo pode alterar significativamente o impacto ambiental do combustível.

Quando o hidrogênio fóssil é substituído por alternativas de energia limpa, como fontes solar e eólica, a redução de emissões na etapa industrial varia entre 86% e 94%.

O professor Edgar Amaral Silveira, da Universidade de Brasília, aponta que essa integração entre bioenergia e hidrogênio renovável pode reduzir de forma expressiva a intensidade de carbono dos combustíveis da aviação.

Esse cenário mostra que o potencial da Canola de segunda safra não depende apenas da agricultura, mas também da evolução das cadeias energéticas associadas.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Uso eficiente da terra fortalece a canola de segunda safra como solução sustentável

Um diferencial relevante do Brasil é a forma como a Canola de segunda safra é cultivada. Diferente de outros países, onde a cultura pode competir com áreas agrícolas principais, no Brasil ela é inserida em sistemas de rotação, geralmente com a soja.

Segundo Bruno Laviola, da Embrapa Agroenergia, essa característica melhora significativamente o desempenho ambiental da cultura.

Entre os principais benefícios desse modelo estão:

  • Aproveitamento de áreas já cultivadas
  • Redução da pressão por desmatamento
  • Aumento da eficiência produtiva

Esse contexto torna a Canola de segunda safra uma alternativa estratégica para expandir os biocombustíveis e fortalecer a energia limpa no país.

Políticas públicas e certificação podem acelerar os biocombustíveis SAF no Brasil

O estudo também aponta que políticas públicas serão decisivas para ampliar o uso de SAF na aviação. A pesquisa dialoga com iniciativas nacionais e internacionais de descarbonização.

Entre elas estão programas voltados à redução de emissões no setor aéreo e mecanismos de certificação de carbono.

Atualmente, a canola ainda não está plenamente integrada a ferramentas como o RenovaCalc, utilizado no âmbito do RenovaBio. Essa ausência limita o reconhecimento formal da Canola de segunda safra como fonte relevante de biocombustíveis.

A inclusão dessa matéria-prima pode:

  • Ampliar a geração de créditos de descarbonização
  • Incentivar produtores rurais
  • Fortalecer cadeias de energia limpa

Além disso, o estudo contribui com dados técnicos que podem aprimorar essas políticas.

Caminhos para uma aviação mais sustentável com base na canola e no SAF

Os resultados apresentados pela Embrapa e pela Universidade de Brasília mostram que a Canola de segunda safra tem potencial real para contribuir com a descarbonização da aviação.

Mesmo com limitações atuais, o avanço dos biocombustíveis do tipo SAF representa uma das soluções mais viáveis no curto e médio prazo para reduzir emissões no setor aéreo.

O caminho envolve uma combinação de fatores:

  • Inovação tecnológica
  • Melhoria nas práticas agrícolas
  • Expansão da produção
  • Integração com fontes de energia limpa

A pesquisa também reforça o papel do Brasil como protagonista nesse cenário, graças às suas condições agrícolas e ao potencial de integração entre produção rural e energia renovável.

Ao conectar Canola de segunda safra e energia limpa, o estudo aponta uma direção clara: a transição energética da aviação passa, cada vez mais, pelo campo.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fonte
Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x