Restauração na Hagia Sophia identifica 7 linhas de túneis subterrâneos com cerca de 1.600 anos e remove 1.170 toneladas de sedimentos durante projeto científico iniciado em Istambul
A Hagia Sophia voltou ao centro das atenções após uma campanha de restauração em Istambul identificar sete linhas de túneis com cerca de 1.600 anos e um hipogeu, removendo 1.170 toneladas de sedimentos durante trabalhos de limpeza e mapeamento que integram um programa científico de preservação estrutural.
A revelação ocorreu durante intervenções nas áreas verdes ao redor do monumento histórico. Segundo o ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, as equipes localizaram sete linhas de túneis subterrâneos e um complexo funerário abaixo da superfície.
Nos túneis, foram retiradas 1.068 toneladas de sedimentos. Outras 102 toneladas foram removidas na área do hipogeu.
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Os dados foram divulgados pela emissora NTV, no contexto das ações de restauração da Hagia Sophia.
Programa científico de preservação estrutural
A descoberta integra um amplo projeto de restauração científica voltado à estabilidade da Hagia Sophia, construída entre 532 e 537 d.C., durante o reinado do imperador bizantino Justiniano I.
O programa inclui escaneamento digital, modelagem estrutural e análise de materiais. O objetivo é assegurar a conservação do edifício no longo prazo, com base em estudos técnicos e levantamento detalhado das estruturas subterrâneas.
As operações envolveram limpeza, escavação e mapeamento sistemático, permitindo documentar os túneis com maior precisão e ampliar o conhecimento sobre a infraestrutura do período bizantino.
Função técnica dos túneis subterrâneos
Apesar de narrativas populares associarem a Hagia Sophia a passagens secretas, especialistas afirmam que os túneis possuem função técnica.
O professor Hasan Fırat Diker explicou que os sistemas eram utilizados para ventilação, drenagem e controle de umidade.
As estruturas estão concentradas principalmente próximas às fundações e aos jardins. Isso indica que integravam um sistema hidráulico e estrutural desenvolvido ao longo de diferentes períodos históricos.
Os especialistas reforçam que não há evidências de rotas de fuga. A finalidade era prática e essencial para a manutenção do monumento, cuja sobrevivência atravessou quase quinze séculos.
Infraestrutura hidráulica da Istambul bizantina
O subterrâneo da Hagia Sophia faz parte de uma rede mais ampla de infraestrutura hidráulica histórica de Istambul.
No período bizantino, a cidade dependia de cisternas, aquedutos e reservatórios para abastecer igrejas, palácios e bairros.
Um exemplo preservado é a Cisterna da Basílica, localizada a poucos metros do monumento. Ela demonstra a escala das soluções hidráulicas desenvolvidas na época.
Os túneis recém-documentados podem auxiliar pesquisadores a compreender como drenagem e controle de umidade contribuíram para a preservação da Hagia Sophia ao longo dos séculos, consolidando dados técnicos sobre sua complexa estrutura subterânea e seu papel na história da cidade.
Com informações de Revista Galileu.

