A Rússia registra queda expressiva na receita com exportações de petróleo, atingindo o menor nível desde o início da guerra na Ucrânia e da pandemia, segundo relatório da Agência Internacional de Energia.
A Agência Internacional de Energia (AIE) revelou um cenário crítico para as exportações de petróleo da Rússia.
Os dados mais recentes mostram uma retração significativa nos volumes embarcados e uma redução ainda maior na receita obtida, reflexo direto das sanções impostas por países ocidentais após a invasão da Ucrânia.
Embora Moscou siga buscando alternativas para manter seu fluxo energético, o setor enfrenta uma combinação desfavorável de preços mais baixos e demanda limitada.
-
ANP paralisa reforma do GLP, e Sindigás vê cautela técnica como ponto decisivo para segurança, investimentos e futuro do botijão no Brasil
-
Mancha de petróleo no Caribe acende alerta ambiental e amplia tensão entre Venezuela e Trinidad e Tobago
-
Mais de 40 plataformas da Petrobras entram na fila do descomissionamento e abrem no Brasil uma indústria bilionária de guindastes, navios especiais, corte submarino e reciclagem offshore
-
ANP marca leilões de petróleo em outubro e reforça previsibilidade regulatória para concessão, partilha e investimentos no setor de óleo e gás
Queda das exportações de petróleo e derivados
No relatório publicado nesta quinta-feira (11), a AIE destacou que as exportações de petróleo bruto e seus derivados caíram para 6,9 milhões de barris por dia em novembro. Esse patamar representa o menor volume desde o início da guerra na Ucrânia e também “desde a pandemia de covid”, segundo a agência.
O recuo total foi de 420 mil barris por dia, sendo 290 mil barris referentes ao petróleo bruto e 130 mil barris aos produtos refinados. Essa combinação reforça a dificuldade da Rússia em manter seus níveis de venda ao exterior, mesmo com tentativas de contornar barreiras comerciais.
Além da redução das exportações, os preços internacionais mais baixos pesaram no faturamento russo. De acordo com a AIE, as receitas caíram para 11 bilhões de dólares (60,11 bilhões de reais) em novembro. Isso representa 3,6 bilhões de dólares (19,67 bilhões de reais) a menos na comparação anual.
Outro dado relevante mostra que a arrecadação ficou 11,4 bilhões de dólares (62,30 bilhões de reais) abaixo da média registrada no primeiro semestre de 2022, período imediatamente posterior à invasão da Ucrânia.
O setor energético, considerado o grande motor econômico da Rússia, enfrenta crescente pressão. As sanções aplicadas por Estados Unidos, União Europeia e aliados foram projetadas justamente para limitar o financiamento da guerra conduzida por Moscou em território ucraniano.
Assim, a queda nas receitas de petróleo evidencia que esse conjunto de restrições começa a surtir efeitos mais amplos na economia russa.
Pressão internacional e perspectivas incertas
Com a limitação do acesso ao mercado ocidental, a Rússia busca novos compradores e rotas alternativas para seu petróleo.
No entanto, mesmo essas estratégias encontram obstáculos, pois os preços praticados precisam ser mais baixos para atrair países dispostos a assumir riscos geopolíticos. Além disso, o aumento da oferta de petróleo em outras regiões do mundo reduz o espaço de manobra para Moscou no mercado global.
À medida que a guerra na Ucrânia se prolonga, a AIE observa que a combinação entre sanções, queda dos preços e retração da demanda cria um ambiente desafiador para as exportações de petróleo russo.
O país, que historicamente depende fortemente dessa fonte de receita, enfrenta agora um cenário de incerteza crescente enquanto tenta reorganizar sua cadeia de abastecimento energético.

Seja o primeiro a reagir!