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Vietnã despeja areia no Mar do Sul da China e transforma recifes disputados em ilhas artificiais com área equivalente a mais de 1,5 mil campos de futebol, ergue 15 portos nas Spratly e amplia bases no oceano enquanto desafia a pressão chinesa em uma das regiões marítimas mais tensas do planeta

Escrito por Ana Alice
Publicado em 14/06/2026 às 23:48
Atualizado em 14/06/2026 às 23:50
Vietnã amplia ilhas artificiais nas Spratly e chega a 2.771 acres em recifes disputados no Mar do Sul da China, aponta relatório. (Imagem: Ilustrativa)
Vietnã amplia ilhas artificiais nas Spratly e chega a 2.771 acres em recifes disputados no Mar do Sul da China, aponta relatório. (Imagem: Ilustrativa)
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Expansão em recifes disputados reacende atenção sobre obras marítimas, infraestrutura estratégica e impactos ambientais no Mar do Sul da China, em uma área marcada por reivindicações territoriais sobrepostas e presença militar crescente.

O Vietnã ampliou em 534 acres, o equivalente a cerca de 216 hectares, a área de terras artificiais construídas no arquipélago das Spratly, no Mar do Sul da China, ao longo do último ano.

A informação consta de relatório divulgado na sexta-feira (08) pela Asia Maritime Transparency Initiative, vinculada ao Center for Strategic and International Studies, em Washington.

Com a nova etapa de dragagem e aterro, Hanói passou a somar aproximadamente 2.771 acres de terra artificial na região disputada, cerca de 11,2 km².

A expansão ocorre em uma área marcada por reivindicações territoriais sobrepostas.

China, Vietnã, Filipinas, Malásia e Brunei estão entre os países que reivindicam ilhas, recifes ou zonas marítimas no Mar do Sul da China.

A região concentra rotas de navegação, áreas de pesca, recursos naturais e presença de forças militares e de patrulha marítima, fatores que ajudam a explicar a disputa diplomática e territorial.

Expansão vietnamita nas Ilhas Spratly

De acordo com o relatório, o Vietnã manteve obras de construção de ilhas artificiais depois de concluir, na primavera de 2025 no hemisfério norte, as operações de aterro em Barque Canada Reef.

A formação passou a ser descrita pela AMTI como a maior base vietnamita no arquipélago das Spratly.

Depois dessa etapa, Hanói iniciou expansões menores em outras formações a partir do segundo semestre de 2025.

O trabalho envolve dragagem, deslocamento de areia e criação de áreas aterradas sobre recifes antes submersos ou parcialmente expostos, segundo a análise feita com imagens de satélite.

As obras também passaram a incluir infraestrutura em áreas onde a recuperação de terra já havia avançado.

Conforme a AMTI, essa movimentação mostra que parte das intervenções deixou de se concentrar apenas na ampliação física dos recifes e passou a incorporar estruturas de apoio operacional.

O relatório informa que novas intervenções aparecem em recifes maiores e mais desenvolvidos.

Entre os pontos citados estão Grierson Reef, Petley Reef e South Reef, onde três novos portos estão em construção.

Com isso, o número de portos vietnamitas nas Spratly chega a 15, dos quais 11 foram criados desde 2021.

Portos ampliam capacidade no Mar do Sul da China

A construção de portos aumenta a capacidade de atracação, abastecimento e circulação de embarcações em pontos remotos do Mar do Sul da China.

O relatório não afirma que todas as estruturas terão uso militar direto, mas esse tipo de instalação pode atender a embarcações navais, unidades de patrulha marítima e operações logísticas.

Em Landsdowne Reef, a AMTI identificou sinais iniciais de construção do que pode ser outro porto.

Já em Barque Canada Reef, imagens de satélite indicam a instalação de uma estrutura de comunicações que, segundo a entidade, ainda não havia sido observada em outras formações ocupadas pelo Vietnã.

A construção dessa estrutura começou em agosto de 2025 e parecia concluída em abril de 2026, conforme o relatório.

A AMTI afirma que o equipamento se assemelha a um farol de navegação do tipo DVOR, usado como auxílio para aeronaves.

A entidade também aponta que estruturas semelhantes foram identificadas em pistas chinesas construídas nas Spratly.

Esse tipo de infraestrutura pode ampliar recursos de navegação aérea e marítima em áreas afastadas do território continental.

Ainda assim, a AMTI ressalta que os efeitos completos da expansão vietnamita dependerão da conclusão das instalações e do uso que será dado a elas por forças militares, autoridades de aplicação da lei ou outras estruturas de Estado.

Dragagem e impacto ambiental nos recifes

A expansão territorial também aumentou a área de recifes afetados pelas obras.

Segundo a AMTI, o total de áreas impactadas pelo Vietnã chegou a aproximadamente 4.120 acres, ou cerca de 16,7 km², incluindo recifes cobertos por aterro e trechos dragados para abertura de canais e construção de portos.

A dragagem altera a formação física dos recifes, remove sedimentos e interfere em habitats marinhos.

No Mar do Sul da China, esse tipo de intervenção tem sido monitorado por centros de pesquisa e organizações voltadas à análise de segurança marítima, especialmente por causa da combinação entre disputa territorial e impacto ambiental.

No início de 2025, a construção vietnamita parecia se aproximar da escala chinesa nas Spratly, de acordo com a AMTI.

A diferença voltou a crescer após novas atividades atribuídas à China em Antelope Reef, que ampliaram os totais de terra artificial e de recifes afetados sob controle chinês.

Com a inclusão de Antelope Reef, a China teria alcançado cerca de 5.460 acres de terra artificial, aproximadamente 22,1 km², e 6.224 acres de recifes destruídos, cerca de 25,2 km², segundo o levantamento.

Esses números mantêm a China à frente do Vietnã em área total aterrada e em extensão de recifes impactados.

China contesta obras em Barque Canada Reef

A China reivindica quase todo o Mar do Sul da China, embora haja reivindicações sobrepostas de outros países da região.

Pequim já declarou oposição às atividades vietnamitas em Barque Canada Reef, que considera território chinês, segundo reportagem da Reuters.

A embaixada do Vietnã em Washington não respondeu imediatamente ao pedido de comentário feito pela agência sobre o relatório.

Até a publicação da reportagem original, não havia manifestação vietnamita citada pela Reuters sobre os dados mais recentes divulgados pela AMTI.

A disputa no Mar do Sul da China também envolve a decisão arbitral de 2016, em caso iniciado pelas Filipinas contra a China.

O tribunal constituído sob a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar concluiu que elementos centrais das reivindicações chinesas não tinham base legal nos termos avaliados.

Pequim rejeita a decisão.

A sentença não encerrou as disputas na região.

Desde então, diferentes países mantiveram presença em áreas reivindicadas, enquanto obras, patrulhas e episódios de tensão diplomática continuaram a ocorrer em pontos do Mar do Sul da China.

Ilhas artificiais e presença permanente no oceano

A criação de terra artificial altera a possibilidade de presença permanente em recifes, bancos de areia e formações marítimas antes limitadas por condições naturais.

Depois de aterrados e equipados, esses locais podem receber portos, pistas, radares, sistemas de comunicação, alojamentos e estruturas de apoio.

No caso vietnamita, o avanço descrito pela AMTI indica uma consolidação física em áreas já ocupadas por Hanói.

A expansão não resolve a disputa territorial, mas aumenta a infraestrutura disponível para operações no arquipélago e reforça a presença vietnamita em pontos reivindicados também por outros países.

A China segue com vantagem em área total construída e em extensão de recifes destruídos, conforme os dados do relatório.

Ao mesmo tempo, a ampliação vietnamita mostra que a disputa pelas Spratly continua envolvendo obras permanentes, e não apenas declarações diplomáticas ou patrulhas marítimas.

Com dragagem, portos e estruturas de navegação em expansão, a disputa passa a produzir efeitos visíveis sobre o ambiente físico dos recifes.

O avanço das obras também amplia a presença de infraestrutura estatal em uma região onde os limites marítimos seguem contestados.

As novas áreas aterradas pelo Vietnã mostram que a transformação das Spratly continua em curso, enquanto países da região mantêm reivindicações concorrentes e ampliam estruturas em pontos estratégicos do Mar do Sul da China.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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