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Rainhas invasoras executam golpe químico dentro do formigueiro, fazem operárias matarem a própria mãe, assumem o trono e dominam a colônia, revela pesquisa da Universidade de Kyushu

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 30/01/2026 às 22:04
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formigueiro revela manipulação química com ácido fórmico, rainha parasita provoca matricídio e assume colônia, mostra estudo científico
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Em artigo na Current Biology, pesquisadores da Universidade de Kyushu mostram como uma rainha parasita entra no formigueiro, adquire o odor do hospedeiro e usa jatos de ácido fórmico para incitar operárias a matar a matriarca. Depois, é aceita, põe ovos e domina a colônia em duas espécies de Lasius.

Um formigueiro pode virar cenário de disputa extrema quando uma rainha parasita invade uma colônia hospedeira e, em vez de lutar diretamente, manipula as operárias para executarem a própria mãe. A estratégia registrada envolve camuflagem química e um ataque indireto que transforma a matriarca em “ameaça” dentro do ninho.

A sequência foi descrita por pesquisadores da Universidade de Kyushu em artigo publicado na Current Biology e inclui um detalhe perturbador: o golpe acontece por meio de um gatilho químico, com jatos que fazem as operárias redirecionarem a agressividade para a rainha legítima, culminando em matricídio, o assassinato de uma mãe por seu filho ou filha.

Como a rainha parasita consegue entrar no formigueiro sem ser destruída

Uma rainha de Lasius orientalis (formiga preta grande à esquerda) aproxima-se de uma rainha de L. flavus (formiga marrom grande à direita) que está sendo cuidada por suas crias. Um jato de líquido da rainha invasora leva as operárias a um frenesi assassino até que elas matem a mãe. — Foto: Taku Shimada

A infiltração direta no formigueiro tenderia a falhar porque as operárias reconhecem uma intrusa e a atacariam imediatamente.

Para contornar essa barreira, a equipe descreveu um processo chamado pré-aquisição do odor do hospedeiro.

A rainha parasita foi alojada com algumas operárias hospedeiras e casulos. Depois de apenas uma noite, ela adquiriu o odor específico da colônia hospedeira, criando uma camuflagem química essencial para ultrapassar as defesas iniciais do formigueiro e avançar até a zona de convivência onde a matriarca vive.

O gatilho do golpe no formigueiro: ácido fórmico como sinal de perigo

A pesquisa sugere que o fluido usado pelas rainhas parasitas era ácido fórmico, um composto defensivo bem conhecido em muitas espécies de formigas.

Ele pode afastar predadores e também funcionar como sinal de alerta para outras formigas do ninho.

O ponto central é que hospedeiro e parasita pertencem ao mesmo gênero, então ambos possuem ácido fórmico e o reconhecem como sinal de perigo.

Quando a rainha legítima é coberta por uma grande quantidade dessa substância, as operárias passam a perceber a própria mãe como uma crise que ameaça o formigueiro, acionando um comportamento defensivo agressivo que vira contra ela.

Duas invasões documentadas no formigueiro e quatro espécies envolvidas

A manipulação química foi registrada em duas espécies de formigas parasitas e seus respectivos hospedeiros.

Lasius orientalis se infiltra em colônias de Lasius flavus.

Lasius umbratus invade colônias de Lasius japonicus.

A descoberta inicial foi feita por Taku Shimada, primeiro autor do artigo, que observou a infiltração e publicou sobre isso em 2021.

Keizo Takasuka, professor assistente da Faculdade de Ciências da Universidade de Kyushu, relatou que encontrou a publicação três anos depois e ficou surpreso, considerando a descoberta valiosa e digna de documentação acadêmica.

No caso de Lasius umbratus, o comportamento parasitário foi associado a observações de Yuji Tanaka, segundo autor do estudo, que seguiu métodos de observação estabelecidos por Shimada.

O ataque que as operárias executam dentro do formigueiro: do incômodo ao matricídio

No caso de Lasius orientalis, a dinâmica foi gradual e insistente. A rainha parasita pulverizou repetidamente a rainha da colônia hospedeira cerca de 15 vezes ao longo de 20 horas. Esse contato químico irritou as operárias pouco a pouco, até que elas começaram a atacar a matriarca, mutilando-a e matando-a após quatro dias.

Já no caso de Lasius umbratus, o golpe no formigueiro foi mais rápido e cirúrgico. A rainha parasita usou apenas dois jatos de veneno direcionados, o suficiente para incitar um ataque imediato e fatal das operárias hospedeiras. O resultado foi o mesmo: a matriarca caiu pelas mandíbulas do próprio ninho.

O que acontece depois da tomada de poder no formigueiro

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Em ambas as colônias, após o matricídio, as operárias hospedeiras aceitaram as rainhas parasitas. Essa aceitação é crucial porque mantém o formigueiro funcionando com força de trabalho ativa, agora a serviço de uma nova linhagem.

Logo após assumir o controle, as rainhas parasitas começaram a pôr seus próprios ovos para serem cuidados no formigueiro.

O golpe não termina na morte da matriarca, ele só se completa quando o ninho passa a investir energia na reprodução da invasora.

Por que esse tipo de formigueiro “golpista” aponta para evolução convergente

Os pesquisadores destacaram que o comportamento observado é exemplo de evolução convergente, quando características semelhantes surgem de forma independente em espécies não relacionadas.

Aqui, o ponto em comum é o uso de mecanismos químicos e de reconhecimento do ninho para ultrapassar defesas, disparar agressividade e reorganizar o comando do formigueiro.

Em vez de vencer pela força, as rainhas parasitas vencem por engenharia social química, transformando o instinto defensivo das operárias em ferramenta de tomada de poder dentro do formigueiro.

Se uma rainha consegue dominar um formigueiro fazendo as operárias matarem a própria mãe, até onde você acha que pode ir a manipulação química na natureza?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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