MRN recebe licença do Ibama para abrir novas minas de bauxita no Pará com R$ 9 bilhões em investimentos até 2041.
A Mineração Rio do Norte recebeu do Ibama a Licença de Instalação do Projeto Novas Minas, iniciativa que permitirá a continuidade das operações de bauxita da companhia no oeste do Pará até 2041. A autorização, divulgada no fim de abril de 2026, libera o início das obras de implantação de novas áreas minerárias e representa um dos maiores movimentos recentes da mineração brasileira na Amazônia.
O projeto prevê R$ 9 bilhões em investimentos entre 2027 e 2041, além de aproximadamente R$ 1,9 bilhão já programado para 2026. Segundo a empresa, a meta operacional é manter produção anual próxima de 12,5 milhões de toneladas de bauxita, matéria-prima essencial para a fabricação de alumínio.
A licença também possui impacto direto sobre a economia regional. A MRN afirma que o empreendimento ajudará a sustentar mais de 7,5 mil empregos e manter a atividade econômica em municípios fortemente ligados à mineração no oeste paraense.
-
Na Amazônia, 97% das gestantes Munduruku do Médio Tapajós estão com mercúrio acima do limite e 9 em cada 10 bebês já nascem contaminados pelo garimpo de ouro, revela estudo da Fiocruz
-
China deixa mundo em alerta ao pôr fim à era do minério de ferro e planejar corte da dependência externa, enquanto sua participação no aço global recua
-
O Brasil está sentado numa das maiores reservas de lítio do mundo, no Vale do Jequitinhonha, mas a mineração nacional virou quase um apêndice da China: 97% da exportação do metal vai para um só país, que ainda domina o refino
-
Fim do maior boom do século: China decreta o encerramento da era dourada do minério de ferro e gigantes como a Vale podem enfrentar um novo cenário de incertezas após queda na commodity, retração nos imóveis e menor produção de aço para maio desde 2018
Projeto Novas Minas nasce para evitar queda de produção da maior mineradora de bauxita do Brasil
A Mineração Rio do Norte é considerada a maior produtora de bauxita do Brasil. A empresa opera há décadas na região oeste do Pará, especialmente nos municípios de Oriximiná, Terra Santa e Faro.
Segundo informações da própria companhia, o Projeto Novas Minas foi criado porque as áreas atualmente exploradas caminham para esgotamento gradual nos próximos anos. A partir de 2026, a empresa precisaria iniciar operação em novos platôs para manter o volume de produção e garantir continuidade da cadeia industrial associada ao alumínio.
O projeto prevê exploração de cinco novas áreas minerárias: Rebolado, Escalante, Jamari, Barone e Cruz Alta Leste. Essas áreas estão localizadas dentro da região mineral historicamente operada pela companhia no oeste paraense.
Licença do Ibama encerra etapa iniciada em 2018 e libera início das obras
O processo de licenciamento ambiental do Projeto Novas Minas começou oficialmente em 2018. Desde então, a empresa passou por etapas de estudos ambientais, análise técnica e consultas relacionadas aos impactos sociais e ambientais do empreendimento.
A Licença Prévia já havia sido concedida anteriormente, mas a Licença de Instalação representa um marco decisivo porque autoriza efetivamente o início das obras de implantação das novas minas.
Segundo o material divulgado pela empresa e por veículos especializados do setor mineral, a autorização do Ibama também valida medidas de controle ambiental, programas sociais e ações de mitigação previstas no projeto.
Na prática, a licença impede uma possível redução brusca da produção da MRN nos próximos anos, cenário que poderia afetar empregos, arrecadação e parte da cadeia do alumínio no Brasil.
Produção de 12,5 milhões de toneladas por ano sustenta cadeia industrial do alumínio
A bauxita extraída pela MRN é utilizada como matéria-prima para produção de alumina e alumínio, insumos presentes em setores como construção civil, embalagens, aviação, transporte, cabos elétricos e indústria automotiva.
Segundo a empresa, o Projeto Novas Minas foi desenhado para manter produção próxima de 12,5 milhões de toneladas anuais de bauxita.
Esse volume é relevante porque o alumínio continua sendo um dos metais mais utilizados da indústria moderna, especialmente em processos ligados à transição energética e redução de peso em veículos e equipamentos industriais.
Além disso, a continuidade operacional da MRN ajuda a sustentar parte da infraestrutura logística construída ao longo de décadas na região amazônica para transporte e exportação mineral.
Investimentos bilionários reforçam peso econômico da mineração no Pará
O valor previsto para o projeto impressiona pela escala. Somando os aportes entre 2027 e 2041 e os recursos já previstos para 2026, o empreendimento pode movimentar mais de R$ 10 bilhões ao longo dos próximos anos.
Esses investimentos envolvem abertura de minas, infraestrutura operacional, sistemas de transporte, recuperação ambiental, equipamentos e manutenção de operações industriais.
O Pará já ocupa posição de destaque dentro da mineração brasileira. O estado concentra parte importante da produção nacional de ferro, cobre, manganês e bauxita, além de grandes projetos ligados ao setor mineral.
A continuidade da operação da MRN ajuda a manter o oeste do Pará como uma das áreas mais relevantes da mineração amazônica, especialmente dentro da cadeia global do alumínio.
Mais de 7,5 mil empregos dependem da continuidade operacional da MRN
A empresa afirma que o projeto contribuirá para manutenção de mais de 7,5 mil empregos diretos e indiretos. Segundo os dados divulgados, cerca de 85% dos trabalhadores da operação são paraenses.
Além da mão de obra direta, a atividade mineral movimenta contratos com empresas de transporte, manutenção, alimentação, serviços industriais e comércio regional.
Municípios mineradores frequentemente desenvolvem forte dependência econômica da atividade mineral, o que torna a continuidade operacional um fator central para arrecadação local e circulação econômica.
Bauxita brasileira ganha relevância em cenário global de demanda industrial
A autorização do Projeto Novas Minas ocorre em um momento em que o alumínio continua estratégico para setores industriais globais.
O metal é considerado importante para veículos elétricos, infraestrutura energética, embalagens e construção leve. Isso mantém a demanda internacional por bauxita e alumina em níveis elevados.
Ao mesmo tempo, empresas mineradoras enfrentam pressão crescente para demonstrar controle ambiental, rastreabilidade e redução de impactos climáticos em suas operações.
Nesse contexto, projetos de expansão mineral passaram a depender não apenas de viabilidade econômica, mas também de capacidade de cumprir exigências ambientais cada vez maiores.
Operação até 2041 ajuda a preservar competitividade da mineração brasileira
Segundo a empresa, o Projeto Novas Minas permitirá manter competitividade operacional da MRN até 2041. A continuidade das operações evita perda de escala industrial e preserva cadeias logísticas associadas à mineração de bauxita no Pará.
Isso inclui infraestrutura ferroviária, sistemas de beneficiamento, porto e contratos de fornecimento ligados à cadeia do alumínio.
A questão agora é como o Brasil conseguirá equilibrar expansão mineral, geração de empregos e arrecadação econômica com as pressões ambientais e sociais cada vez mais intensas sobre projetos de mineração em áreas sensíveis da Amazônia.

