Projeto de tirolesa no Pão de Açúcar previa 755 metros, quatro linhas paralelas e impacto anual de até R$ 107,8 milhões no turismo do Rio.
O projeto da tirolesa no Pão de Açúcar voltou a chamar atenção no Rio de Janeiro porque colocava no mesmo cenário três elementos de enorme apelo público: turismo de aventura, impacto econômico e preservação de uma das paisagens mais famosas do Brasil. Segundo a Prefeitura do Rio, em estudo divulgado em 20 de maio de 2026, a proposta previa quatro linhas paralelas ligando o Morro da Urca ao Pão de Açúcar, em um percurso de 755 metros com vista panorâmica da cidade.
A estimativa econômica era alta. De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, a nova atração poderia gerar impacto de até R$ 107,8 milhões por ano na economia carioca, considerando turistas adicionais, permanência maior na cidade, consumo em hospedagem, alimentação, transporte, lazer e compras. O número colocou a tirolesa no centro de uma discussão mais ampla sobre como o Rio pode explorar seus cartões-postais sem descaracterizar aquilo que tornou esses lugares mundialmente conhecidos. Mas no dia 31/03/2026, G1 informou que o Projeto foi cancelado, licença do Iphan foi anulada por falta de debate público.
Projeto da tirolesa no Pão de Açúcar previa quatro linhas de 755 metros sobre a paisagem do Rio
Segundo a Prefeitura do Rio, a estrutura planejada conectaria os morros da Urca e do Pão de Açúcar por meio de quatro cabos paralelos, em uma descida de 755 metros. A ideia era criar uma experiência de aventura em um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, aproveitando a força visual da Baía de Guanabara, da enseada de Botafogo e da própria silhueta do Pão de Açúcar.
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A proposta chamava atenção justamente pela escala. Não se tratava de uma atração isolada em área periférica, mas de uma intervenção em um dos cartões-postais mais reconhecidos do país. O Pão de Açúcar já tem uma experiência turística consolidada há décadas com o bondinho, e a tirolesa pretendia adicionar uma camada mais radical à visitação tradicional.
Esse contraste ajudou a transformar o projeto em tema de repercussão nacional. De um lado, a promessa de renovar o turismo carioca com uma atração de alto apelo visual. De outro, o cuidado necessário com uma paisagem que faz parte da identidade do Rio e aparece como símbolo internacional da cidade.
Prefeitura estimou impacto de R$ 107,8 milhões por ano com a nova atração turística
O principal argumento econômico apresentado pela Prefeitura foi o potencial de atrair novos visitantes e aumentar o tempo de permanência de turistas na cidade. A tirolesa poderia ampliar em 85 mil o número de turistas que iriam ao Rio exclusivamente por causa da atração ou que ficariam mais tempo para experimentar o equipamento, segundo a prefeitura do rio.
A Prefeitura também informou que o Parque Bondinho Pão de Açúcar recebe aproximadamente 2 milhões de visitantes por ano, sendo 15% cariocas e 85% turistas, divididos entre visitantes nacionais e internacionais. A projeção era que a tirolesa alcançasse cerca de 200 mil usuários por ano, equivalente a aproximadamente 10% do público anual do complexo.
A conta econômica considerava efeitos além do ingresso da atração. O estudo incluiu gastos com hotelaria, bares, restaurantes, transporte, entretenimento, telecomunicações e compras. Por isso, a Prefeitura apresentou a tirolesa como um equipamento capaz de produzir impacto indireto sobre diferentes setores da economia carioca.
Rio queria transformar um cartão-postal clássico em experiência de aventura
O Pão de Açúcar tem uma característica rara: é ao mesmo tempo monumento natural, atração turística, símbolo urbano e cenário de alto valor emocional para moradores e visitantes. Qualquer nova estrutura naquele espaço tende a gerar impacto maior do que teria em uma área menos simbólica.
A tirolesa surgia justamente com essa proposta de transformar a contemplação tradicional em uma experiência de adrenalina. Em vez de apenas subir pelo bondinho e observar a paisagem, o visitante poderia atravessar parte do complexo em alta exposição visual, suspenso sobre o vazio entre os morros.
Esse tipo de atração acompanha uma tendência global do turismo de experiência, em que destinos consolidados buscam novas formas de permanência, consumo e engajamento visual. O problema é que, no caso do Pão de Açúcar, a paisagem não é apenas cenário para uma atividade turística. Ela é o próprio produto cultural, natural e simbólico da visita.
Projeto não avançou e deixou uma pergunta sobre o futuro dos cartões-postais brasileiros
Apesar do potencial turístico e econômico, o projeto não seguiu adiante como previsto. A proposta acabou interrompida após questionamentos sobre os impactos da instalação no conjunto paisagístico dos morros da Urca e do Pão de Açúcar. Em vez de virar uma nova atração de aventura, a tirolesa passou a simbolizar o limite entre inovação turística e preservação de lugares icônicos.
Esse ponto mudou o centro da conversa. A discussão deixou de ser apenas sobre quanto a atração poderia movimentar por ano e passou a envolver uma pergunta maior: até onde é possível transformar um cartão-postal em produto turístico sem comprometer sua identidade visual e sua relação histórica com a cidade?
No caso do Pão de Açúcar, essa pergunta ganha peso especial porque o local já é um dos maiores ativos turísticos do Rio.
A paisagem vale não apenas pelo número de visitantes, mas pela força simbólica acumulada ao longo de décadas. É uma imagem associada ao Brasil no exterior, ao imaginário carioca e à experiência clássica de quem visita a cidade pela primeira vez.
Pão de Açúcar mostra o desafio de modernizar o turismo sem apagar o valor da paisagem
O caso da tirolesa resume um dilema que aparece em várias cidades turísticas do mundo. Destinos famosos precisam se renovar, gerar receita, ampliar experiências e competir por visitantes. Ao mesmo tempo, precisam preservar exatamente aquilo que os tornou desejados.
A promessa econômica da tirolesa era expressiva, com impacto estimado em mais de R$ 100 milhões por ano. A proposta técnica também tinha forte apelo visual, com 755 metros de percurso e quatro linhas ligando dois dos morros mais conhecidos do país. Mas a repercussão mostrou que números altos não encerram o debate quando o cenário envolvido é um símbolo nacional.
No fim, o projeto deixou uma marca importante mesmo sem virar atração turística. Ele revelou como o Rio ainda busca novas formas de explorar seu potencial natural, mas também mostrou que intervenções em paisagens icônicas precisam equilibrar receita, experiência, memória urbana e preservação.
O Pão de Açúcar continua sendo um dos maiores cartões-postais do Brasil, e qualquer tentativa de reinventá-lo inevitavelmente será maior do que uma simples obra de lazer.


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