Segundo Scottish Construction Now e Construction Management, o túnel Yell Sound, nas Ilhas Shetland, foi estimado em cerca de £402 milhões, teria 6,8 km e passaria 50 metros abaixo do leito marinho, em estudo do conselho local para substituir parte da rede de balsas envelhecida da Escócia no longo prazo.
O túnel submarino entre a ilha principal de Shetland e Yell pode mudar o futuro do transporte em uma das regiões mais isoladas da Escócia. O projeto, ainda em fase de avaliação, foi estimado em cerca de £402 milhões e aparece como alternativa às balsas antigas que ligam comunidades do arquipélago.
As informações foram apresentadas em junho de 2026 dentro do Inter-Island Transport Connectivity Programme, conduzido pelo Shetland Islands Council. O estudo usa a travessia de Yell Sound como “túnel de teste” para avaliar se conexões fixas poderiam substituir parte da rede de balsas entre ilhas.
Projeto ligaria Yell à ilha principal de Shetland
O plano analisado prevê um túnel submarino de 4,2 milhas, cerca de 6,8 km, entre Mainland Shetland e Yell. A estrutura passaria aproximadamente 50 metros abaixo do leito marinho e seria uma ligação permanente entre comunidades hoje dependentes de balsas.
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Segundo as estimativas apresentadas aos moradores, a obra poderia levar até oito anos para ser construída. O número coloca o projeto entre as grandes decisões de infraestrutura da Escócia insular, porque não se trata apenas de uma travessia: é uma mudança no modelo de mobilidade de longo prazo.
Custo estimado passa de £400 milhões
A modelagem mais recente aponta investimento total de cerca de £402 milhões para o Yell Sound link. Desse valor, o custo de capital foi estimado em £327 milhões, com mais £50 milhões para riscos e contingências e £25 milhões em custos iniciais.
Os números foram apresentados por Andy Sloan, vice-presidente executivo da COWI, consultoria envolvida no estudo ao lado da Stantec. Segundo ele, os valores se baseiam em conversas com três empreiteiras internacionais experientes em obras de túneis.
Balsas antigas pressionam orçamento e rotina
O debate ganhou força porque a rede de balsas entre ilhas em Shetland enfrenta custos crescentes, frota envelhecida e dificuldade de contratação de tripulações. O programa foi lançado em 2024 para responder a essas pressões de longo prazo.
A idade média das embarcações foi informada como 32,5 anos, enquanto os custos operacionais da rede de balsas devem chegar a £25 milhões em 2024/25. Para o conselho local, manter tudo como está não é uma opção simples quando há risco de falhas, limitações de capacidade e dependência diária das travessias.
Estudo avalia quatro ilhas com possíveis ligações fixas
O programa de conectividade analisa opções para oito comunidades insulares. Entre as alternativas estão manter o modelo atual, melhorar o serviço de balsas ou estudar conexões fixas para quatro ilhas: Yell, Unst, Whalsay e Bressay.
O caso de Yell foi escolhido como teste porque permite medir custo, viabilidade técnica, operação futura e impacto social. Se o túnel avançar, ele pode abrir caminho para uma discussão maior sobre como Shetland pretende conectar suas ilhas nas próximas décadas.

Consultorias e empreiteiras participaram da modelagem
O estudo envolve Stantec e COWI, com participação citada também de Mott MacDonald e ProVersa no desenvolvimento do caso de negócio. A investigação buscou contribuição de três empreiteiras internacionais: LNS, BEMO Tunnelling e Strabag.
A avaliação concluiu que o túnel de Yell é tecnicamente construível e financeiramente investível. Ainda assim, isso não significa aprovação automática. A decisão depende de debate político, análise de custos, comparação com balsas e escolha das opções preferenciais para cada rota.
Reunião de 30 de junho não deve encerrar o debate
Os conselheiros das Ilhas Shetland devem discutir o outline business case em 30 de junho de 2026. A pauta envolve comparar o custo de longo prazo das balsas com a construção e manutenção de túneis submarinos.
A reportagem da Construction Management indica que a reunião não deve produzir uma decisão imediata de “sim” ou “não” para os túneis. O encontro deve servir para avançar na escolha das alternativas preferidas e orientar os próximos passos do programa.
Comunidades veem promessa contra isolamento
A líder do conselho, Emma Macdonald, afirmou que ligações fixas como estradas elevadas, pontes e túneis podem favorecer repovoamento, crescimento econômico e redução da idade média nas ilhas. A fala reflete uma preocupação recorrente em regiões remotas: transporte ruim pode acelerar esvaziamento populacional.
Ela também destacou que as comunidades dependem de balsas antigas, pouco confiáveis e com alta emissão de carbono. Nesse contexto, o túnel não é apresentado apenas como obra de engenharia, mas como tentativa de preservar acesso a serviços, trabalho e permanência nas ilhas.
Modelo pode operar com pedágio
A estimativa apresentada prevê que o túnel opere com pedágios para cobrir manutenção. Esse ponto é importante porque mostra que o debate não termina no custo de construção: a operação futura também precisa ser paga.
Para moradores, empresas e autoridades, a pergunta é se uma ligação fixa compensaria o investimento ao longo de décadas. O estudo compara cenários de balsas e túneis em horizonte de 60 anos, justamente para avaliar se o custo inicial elevado pode ser equilibrado por ganhos futuros.
Escócia observa exemplo de outras regiões
A defesa dos túneis em Shetland também se inspira em experiências de lugares como Noruega e Ilhas Faroe, onde conexões submarinas ajudaram a reduzir dependência de balsas. Esse contexto aparece em discussões sobre como regiões insulares podem manter população, serviços e economia local.
Mas o caso escocês tem seus próprios desafios. Construir um túnel submarino exige financiamento, capacidade técnica, aprovação política e aceitação social. Mesmo sendo considerado viável pela modelagem, o projeto ainda precisa atravessar uma longa etapa de decisão pública.
Obra pode mudar mais do que o transporte
O túnel de Yell Sound coloca Shetland diante de uma escolha difícil: continuar investindo em balsas envelhecidas ou apostar em uma infraestrutura fixa de alto custo inicial. A decisão envolve mobilidade, economia, clima, serviços públicos e futuro demográfico das ilhas.
Se avançar, o projeto pode transformar a rotina de comunidades que hoje dependem de horários, clima e disponibilidade de embarcações. Mas também levanta dúvidas sobre financiamento, pedágios e prioridades públicas.
Você acha que regiões isoladas deveriam trocar balsas antigas por túneis submarinos, mesmo com obras bilionárias? Deixe sua opinião nos comentários.

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