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Quase ninguém imagina, mas lavar a louça com certas esponjas pode jogar microplásticos no ambiente todos os anos, mesmo quando o impacto maior ainda está no consumo de água

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 24/03/2026 às 11:57
Estudo mostra que lavar a louça com esponjas pode liberar microplásticos, mas aponta a água como principal impacto ambiental.
Estudo mostra que lavar a louça com esponjas pode liberar microplásticos, mas aponta a água como principal impacto ambiental.
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Um estudo publicado em 2026 mostrou que lavar a louça com esponjas de cozinha pode liberar de 0,68 a 4,21 gramas de microplásticos por pessoa por ano, embora o consumo de água ainda responda pela maior parte do impacto ambiental total da lavagem manual

Lavar a louça com esponjas comuns pode liberar microplásticos durante o uso diário, segundo um estudo publicado na revista Environmental Advances, que analisou a perda de material desses itens em condições reais e também em testes automatizados de laboratório.

A pesquisa investigou quantas partículas são liberadas pelas esponjas de cozinha ao longo do uso e quais impactos ambientais estão associados a esse processo. O trabalho também buscou medir esse desgaste em situações próximas da rotina doméstica, em vez de se limitar a simulações controladas.

O estudo tem o título “Da pia ao mar: Liberação de microplásticos por esponjas de cozinha e seus potenciais efeitos ambientais”. O foco foi quantificar a liberação real de microplásticos e avaliar os efeitos ambientais com base em uma avaliação do ciclo de vida.

Lavar a louça com esponjas gera perda de material

Os pesquisadores verificaram que todas as esponjas analisadas perdem material durante o uso. Essa perda resulta na liberação de microplásticos, ainda que em volumes diferentes conforme o tipo de produto utilizado.

A estimativa anual varia de cerca de 0,68 a 4,21 gramas de microplásticos por pessoa por ano, a depender da esponja. De acordo com o estudo, as esponjas com menor teor de plástico liberam quantidades significativamente menores.

Para chegar a esse resultado, os itens foram pesados antes e depois do uso. A comparação entre os pesos permitiu medir o desgaste do material e estimar a quantidade liberada ao longo da lavagem manual de louça.

Ciência cidadã e laboratório foram usados no estudo sobre esponjas

A pesquisa combinou ciência cidadã com experimentos de laboratório. Famílias voluntárias na Alemanha e na América do Norte usaram três tipos diferentes de esponja em suas rotinas diárias e registraram a forma como utilizavam esses produtos.

Segundo os autores, a participação dos voluntários foi central para captar padrões reais de uso e hábitos típicos de lavar a louça. Isso tornou possível uma estimativa considerada mais realista da liberação de microplásticos do que a obtida apenas em testes laboratoriais.

Além da etapa com os participantes, o estudo incluiu ensaios com um dispositivo automatizado chamado “SpongeBot”. Esse equipamento simula o estresse mecânico aplicado às esponjas durante a lavagem, permitindo comparar os dados da rotina doméstica com condições reproduzidas em laboratório.

Impacto ambiental maior está no consumo de água

Apesar da confirmação de que as esponjas liberam microplásticos, a análise ambiental apontou outro fator como principal responsável pelos impactos totais da lavagem manual de louça. O consumo de água respondeu pela maior parte da carga ambiental observada.

Segundo a avaliação do ciclo de vida, entre 85% e 97% do impacto ambiental total da lavagem de louça é atribuído ao uso de água. Já as emissões de microplásticos tiveram participação bem menor no conjunto dos danos ao ecossistema.

Os autores destacam, portanto, que a liberação de microplásticos não foi o elemento mais relevante quando se considera o impacto ambiental global da prática. Ainda assim, o estudo chama atenção para o fato de que essas partículas são efetivamente lançadas durante o uso cotidiano das esponjas.

Escala nacional e caminhos apontados pela pesquisa

Embora a quantidade por pessoa pareça baixa, o estudo afirma que a extrapolação para toda a Alemanha indica volumes expressivos. Se um tipo específico de esponja fosse usado em cada residência, o total poderia chegar a até 355 toneladas métricas de microplásticos por ano.

Os pesquisadores observam que uma grande parte dessas partículas é retida em estações de tratamento de esgoto. Mesmo assim, várias toneladas ainda alcançam anualmente ambientes aquáticos ou solos.

O trabalho também aponta medidas para reduzir esse impacto. Entre elas estão usar menos água ao lavar a louça, escolher esponjas com menor teor de plástico e prolongar a vida útil desses itens, já que um uso mais duradouro reduz o consumo geral de recursos.

A publicação é assinada por Leandra Hamann e outros autores. O artigo saiu em 2026 na revista Environmental Advances, com DOI 10.1016/j.envadv.2026.100693.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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