Um estudo publicado em 2026 mostrou que lavar a louça com esponjas de cozinha pode liberar de 0,68 a 4,21 gramas de microplásticos por pessoa por ano, embora o consumo de água ainda responda pela maior parte do impacto ambiental total da lavagem manual
Lavar a louça com esponjas comuns pode liberar microplásticos durante o uso diário, segundo um estudo publicado na revista Environmental Advances, que analisou a perda de material desses itens em condições reais e também em testes automatizados de laboratório.
A pesquisa investigou quantas partículas são liberadas pelas esponjas de cozinha ao longo do uso e quais impactos ambientais estão associados a esse processo. O trabalho também buscou medir esse desgaste em situações próximas da rotina doméstica, em vez de se limitar a simulações controladas.
O estudo tem o título “Da pia ao mar: Liberação de microplásticos por esponjas de cozinha e seus potenciais efeitos ambientais”. O foco foi quantificar a liberação real de microplásticos e avaliar os efeitos ambientais com base em uma avaliação do ciclo de vida.
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Lavar a louça com esponjas gera perda de material
Os pesquisadores verificaram que todas as esponjas analisadas perdem material durante o uso. Essa perda resulta na liberação de microplásticos, ainda que em volumes diferentes conforme o tipo de produto utilizado.
A estimativa anual varia de cerca de 0,68 a 4,21 gramas de microplásticos por pessoa por ano, a depender da esponja. De acordo com o estudo, as esponjas com menor teor de plástico liberam quantidades significativamente menores.
Para chegar a esse resultado, os itens foram pesados antes e depois do uso. A comparação entre os pesos permitiu medir o desgaste do material e estimar a quantidade liberada ao longo da lavagem manual de louça.
Ciência cidadã e laboratório foram usados no estudo sobre esponjas
A pesquisa combinou ciência cidadã com experimentos de laboratório. Famílias voluntárias na Alemanha e na América do Norte usaram três tipos diferentes de esponja em suas rotinas diárias e registraram a forma como utilizavam esses produtos.
Segundo os autores, a participação dos voluntários foi central para captar padrões reais de uso e hábitos típicos de lavar a louça. Isso tornou possível uma estimativa considerada mais realista da liberação de microplásticos do que a obtida apenas em testes laboratoriais.
Além da etapa com os participantes, o estudo incluiu ensaios com um dispositivo automatizado chamado “SpongeBot”. Esse equipamento simula o estresse mecânico aplicado às esponjas durante a lavagem, permitindo comparar os dados da rotina doméstica com condições reproduzidas em laboratório.
Impacto ambiental maior está no consumo de água
Apesar da confirmação de que as esponjas liberam microplásticos, a análise ambiental apontou outro fator como principal responsável pelos impactos totais da lavagem manual de louça. O consumo de água respondeu pela maior parte da carga ambiental observada.
Segundo a avaliação do ciclo de vida, entre 85% e 97% do impacto ambiental total da lavagem de louça é atribuído ao uso de água. Já as emissões de microplásticos tiveram participação bem menor no conjunto dos danos ao ecossistema.
Os autores destacam, portanto, que a liberação de microplásticos não foi o elemento mais relevante quando se considera o impacto ambiental global da prática. Ainda assim, o estudo chama atenção para o fato de que essas partículas são efetivamente lançadas durante o uso cotidiano das esponjas.
Escala nacional e caminhos apontados pela pesquisa
Embora a quantidade por pessoa pareça baixa, o estudo afirma que a extrapolação para toda a Alemanha indica volumes expressivos. Se um tipo específico de esponja fosse usado em cada residência, o total poderia chegar a até 355 toneladas métricas de microplásticos por ano.
Os pesquisadores observam que uma grande parte dessas partículas é retida em estações de tratamento de esgoto. Mesmo assim, várias toneladas ainda alcançam anualmente ambientes aquáticos ou solos.
O trabalho também aponta medidas para reduzir esse impacto. Entre elas estão usar menos água ao lavar a louça, escolher esponjas com menor teor de plástico e prolongar a vida útil desses itens, já que um uso mais duradouro reduz o consumo geral de recursos.
A publicação é assinada por Leandra Hamann e outros autores. O artigo saiu em 2026 na revista Environmental Advances, com DOI 10.1016/j.envadv.2026.100693.
