Em discurso em Sochi, Vladimir Putin respondeu a críticas de Donald Trump, ironizou a Otan e alertou que o envio de mísseis Tomahawk à Ucrânia poderia marcar uma nova fase do conflito, com risco de escalada perigosa.
Em discurso nesta quinta-feira (2), em Sochi, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, respondeu às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ironizou a Otan e advertiu que o eventual envio de mísseis Tomahawk para a Ucrânia representaria uma “nova fase” do confronto, com risco de “escalada perigosa” e envolvimento direto de militares americanos.

Putin responde a Trump e critica a Otan
Putin reagiu a uma declaração recente de Trump, que havia classificado a Rússia como “tigre de papel”.
“Um tigre de papel. E então? Que lidem com esse tigre de papel”, afirmou o presidente russo.
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Ele questionou ainda o papel da aliança militar ocidental: “Se estamos lutando contra quase toda a Otan e, ainda assim, avançamos, então o que é a Otan?”.
Na sequência, disse que governos europeus alimentam, em suas palavras, uma “histeria” sobre uma guerra iminente entre Moscou e a aliança.
Segundo Putin, autoridades do continente repetem essa narrativa para justificar medidas de segurança.
“Acalmem-se, durmam tranquilos e cuidem dos seus próprios problemas”, declarou.
Drones e acusações de violações aéreas
O presidente russo também ironizou acusações sobre a presença de drones de Moscou em espaço aéreo europeu.
“Não vou mais mandar drones para a Dinamarca, prometo”, disse em tom sarcástico.
Depois, negou responsabilidade por violações recentes.
Nos últimos meses, autoridades da Polônia, Estônia e Dinamarca relataram supostas incursões de drones e aeronaves russas.
Em alguns casos, como na Dinamarca, houve até fechamento temporário de aeroportos.
Moscou nega a autoria desses incidentes.
Alerta sobre mísseis Tomahawk
O ponto mais enfático do discurso foi o aviso sobre a possível transferência de mísseis Tomahawk para Kiev.
Para Putin, “é impossível usar Tomahawks sem participação direta de militares americanos”, o que, segundo ele, marcaria “um estágio completamente novo” nas relações entre Rússia e Estados Unidos.
De acordo com veículos de imprensa dos EUA, Washington avalia ampliar o apoio à Ucrânia com informações de inteligência para ataques contra infraestrutura em território russo.
Países da Otan foram instados a colaborar nesse processo.
Ainda assim, segundo autoridades americanas ouvidas pela agência Reuters, a hipótese de enviar Tomahawks é considerada pouco provável no momento.
Características dos mísseis Tomahawk
Os Tomahawk são mísseis de cruzeiro usados em ataques de precisão a longa distância.
O alcance operacional varia de acordo com a versão, podendo chegar a milhares de quilômetros.
Por suas características, exigem integração com sistemas de navegação e comando, o que reforça o argumento de que demandariam suporte especializado para operação.
Posição da Otan e da Ucrânia
Enquanto isso, líderes europeus afirmam que a ofensiva da Rússia configura tentativa de anexação e garantem que continuarão fornecendo armamentos e treinamento para Kiev.
Autoridades da aliança sustentam que, se Moscou não for contida, países-membros poderiam ser alvos futuros.
Putin, por outro lado, declarou em Sochi que a Ucrânia enfrenta dificuldades no recrutamento de soldados e mencionou deserções nas fileiras do Exército ucraniano.
Ele acrescentou que a Rússia manteria capacidade militar para sustentar a ofensiva e defendeu a abertura de negociações.
Já Kiev mantém a posição de que só aceita um acordo que envolva a recuperação de territórios ocupados e garantias de segurança.
Debate sobre limites do apoio militar
Nos Estados Unidos, autoridades indicaram que o foco imediato está em compartilhar inteligência militar para tornar mais eficaz o uso de sistemas já disponíveis à Ucrânia.
Em paralelo, o envio de Tomahawks encontra barreiras técnicas e estratégicas, como a necessidade de treinamento prolongado e a possível leitura, por parte de Moscou, de que haveria envolvimento direto de Washington no conflito.
A advertência de Putin em Sochi reforça a tentativa do Kremlin de fixar uma linha vermelha no fornecimento de armas.
Segundo ele, a presença de Tomahawks no campo de batalha seria interpretada como um divisor de águas na guerra.
A questão que permanece é se os aliados de Kiev vão limitar o apoio à troca de informações e ao fornecimento de armas já em uso, ou se decidirão elevar o nível da assistência militar, correndo o risco de cruzar os limites definidos por Moscou.

