Psicólogo alerta que funcionários mais dedicados acabam sobrecarregados, sofrem mais estresse e recebem o mesmo que colegas menos produtivos, gerando frustração e desequilíbrio emocional.
Rafa Alonso, psicólogo especializado em bem-estar no ambiente de trabalho, lançou uma reflexão que vem repercutindo amplamente nas redes sociais.
Segundo ele, as pessoas que mais se dedicam e produzem dentro de uma empresa costumam ser justamente as que mais sofrem.
Seu vídeo sobre o tema, publicado no TikTok, já ultrapassou 930 mil visualizações, gerando intenso debate entre trabalhadores e gestores.
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Um terço da vida dedicado ao trabalho
Alonso lembra que, em média, cada pessoa passa um terço da vida no trabalho, sem contar o tempo gasto com deslocamentos ou tarefas realizadas fora do expediente, como responder a e-mails e ligações. Por isso, destaca que um ambiente profissional saudável é essencial para o equilíbrio mental e o desempenho diário.
Entretanto, ele observa que o estresse e a pressão no trabalho continuam presentes em muitas empresas, seja por exigências excessivas, falta de reconhecimento ou relações desequilibradas entre líderes e equipes. “Um ambiente amigável é fundamental para o bom desempenho, mas o problema é que, na prática, há muitos casos de abuso, falta de valorização e desmotivação”, explica o psicólogo.
“Uma situação completamente injusta”
Rafa Alonso ressalta que, nas empresas, é comum ver pessoas que trabalham muito recebendo o mesmo salário de colegas com responsabilidades menores. “Já vi isso inúmeras vezes: pessoas que não movem um dedo e ganham o mesmo que as que realmente fazem o trabalho acontecer”, afirma.
Segundo ele, isso ocorre porque os gestores confiam mais nas pessoas produtivas, delegando a elas mais tarefas e responsabilidades. Por outro lado, quem demonstra menos empenho costuma ser poupado, já que há receio de que possam “estragar tudo”.
O resultado, segundo Alonso, é uma dinâmica “totalmente injusta”, onde quem se dedica mais acaba sobrecarregado e estressado.
Estabelecer limites para preservar a saúde mental
O psicólogo, que também tem experiência em recursos humanos, reforça que é preciso definir limites claros dentro do ambiente de trabalho. “Se você quer preservar sua saúde mental, o que eu faria é estabelecer limites”, aconselha. Ele esclarece que isso não significa ser irresponsável ou negligente, mas sim buscar equilíbrio entre dedicação e autocuidado.
Para Alonso, uma atitude prática é conversar com a empresa sobre a adequação entre responsabilidades e remuneração. “É tão simples quanto pedir para ser pago de acordo com suas responsabilidades e até mesmo com sua carga de trabalho”, orienta.
Caso o pedido não seja atendido, ele sugere uma postura firme: “Se a empresa não ceder, meu amigo, deixe que outra pessoa faça o trabalho que esperam que você faça”.
Debate nas redes
O vídeo de Rafa Alonso já acumula mais de 1.300 comentários, com opiniões divididas. Muitos usuários relataram experiências pessoais que confirmam a análise do psicólogo. “Quando você impõe limites, perde o emprego”, lamentou um internauta. Outro afirmou: “Percebi isso depois de muitos anos… e quando relaxei, me demitiram”. Apesar disso, alguns comentários apontaram esperança, afirmando que existem empresas que reconhecem e afastam os funcionários que apenas “se aproveitam do sistema”.

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