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Projeto inédito na Coreia do Sul vai pagar renda básica com lucros de energia limpa para impedir o colapso das vilas rurais e estimular o comércio local com vales comunitários

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 04/11/2025 às 00:40 Atualizado em 04/11/2025 às 06:39
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Financiado por lucros de energia solar e eólica, o projeto sul-coreano usa vales locais para reter renda nas comunidades rurais e combater o declínio populacional.

A Coreia do Sul iniciou em 2025 um projeto-piloto inédito de renda básica rural que busca enfrentar o despovoamento e o envelhecimento das zonas agrícolas do país.

Sete municípios — Yeoncheon, Jeongseon, Cheongyang, Sunchang, Shinan, Yeongyang e Namhae — foram selecionados para participar do programa, que oferecerá um pagamento mensal de 150.000 won, o equivalente a cerca de 105 euros, em forma de vouchers locais.

A medida se estenderá por dois anos, até o final de 2027, e poderá servir de base para políticas permanentes de revitalização rural.

Vales locais e fortalecimento da economia comunitária

O programa exige que os beneficiários residam há pelo menos 30 dias em um dos condados selecionados.

Os pagamentos serão feitos exclusivamente por meio de certificados conhecidos como “vales de amor local”, que só podem ser usados em estabelecimentos comerciais da própria comunidade.

Com isso, o dinheiro permanece circulando na economia local, fortalecendo pequenos negócios e evitando a fuga de recursos para grandes cadeias ou centros urbanos.

A ideia central é criar um modelo econômico circular, capaz de gerar um impacto multiplicador em regiões de baixa densidade populacional.

Quando o consumo se mantém dentro do território, há estímulo ao comércio, manutenção de serviços básicos e fortalecimento da coesão social. A proposta, portanto, vai além da simples transferência de renda: pretende estabelecer uma base econômica mínima para garantir dignidade e sustentabilidade local.

Financiamento público e energia renovável

O orçamento total do projeto é de 886,7 bilhões de won — cerca de 619 milhões de euros — para os dois anos de execução. Mais de um terço desse valor virá do governo central, enquanto o restante será custeado pelos governos locais.

O aspecto mais inovador está na forma de financiamento complementar: parte dos recursos virá dos lucros gerados por projetos de energia renovável.

Em Shinan, por exemplo, a receita obtida com instalações de energia solar e eólica geridas por uma cooperativa local será redistribuída entre os moradores.

Já em Yeongyang, um modelo semelhante será aplicado, utilizando os ganhos provenientes da produção eólica.

Essa integração entre políticas sociais e transição energética cria um elo entre justiça territorial e sustentabilidade: a riqueza produzida por parques renováveis retorna diretamente para quem vive próximo a eles.

Avaliação de impacto e continuidade do programa

O Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais da Coreia do Sul criou um sistema rigoroso de monitoramento para medir os resultados do programa.

Serão analisados indicadores de desenvolvimento local, qualidade de vida, dinâmica populacional e vitalidade econômica.

A partir desses dados, o governo avaliará a viabilidade de ampliar a iniciativa ou transformá-la em política permanente.

Outro ponto importante será a capacidade dos municípios de manter a renda básica após o período experimental.

A análise incluirá fatores como legislação local, vontade política e participação da comunidade.

A intenção é identificar condições para replicar o modelo em outras regiões rurais ameaçadas pela perda populacional e pela concentração de oportunidades nas grandes cidades.

Um modelo de desenvolvimento rural integrado

A proposta de renda básica vinculada ao território apresenta múltiplos benefícios. Ela reduz a dependência de subsídios fragmentados, oferecendo um apoio financeiro estável e previsível.

Além disso, estimula jovens e famílias a permanecerem no campo, contribuindo para a renovação demográfica e para a manutenção das tradições locais.

O uso de vales locais também fortalece o tecido econômico, ao mesmo tempo em que reforça o sentimento de pertencimento e identidade regional.

Por outro lado, o vínculo com projetos de energia renovável transforma a transição ecológica em uma ferramenta de redistribuição de riqueza.

Em vez de concentrar lucros em grandes empresas, o sistema devolve parte dos ganhos à comunidade, promovendo uma justiça ambiental que alia sustentabilidade e equidade social.

Ao unir renda básica, economia local e energia limpa, o programa-piloto sul-coreano aponta um caminho concreto e mensurável para enfrentar os desafios do século XXI.

Ele não representa apenas uma ajuda financeira, mas um compromisso com a reconstrução do elo entre território, comunidade e desenvolvimento sustentável — uma experiência que poderá inspirar outras nações com realidades rurais em declínio.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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