Programa vai financiar 540 ônibus elétricos, impulsionar a descarbonização e transformar a mobilidade urbana no transporte público.
O Brasil deu um passo decisivo rumo à descarbonização do transporte público com a aprovação de um programa internacional que vai financiar 540 ônibus elétricos e a infraestrutura necessária para sua operação.
A iniciativa, aprovada na segunda-feira (22) pelo Banco Mundial, prevê um investimento de US$ 500 milhões, será executada pela Caixa Econômica Federal e tem como objetivo acelerar a transição energética, reduzir emissões e melhorar a mobilidade urbana em cidades brasileiras.
O projeto será implementado por meio de linhas de crédito voltadas a municípios e operadores de transporte, permitindo a substituição gradual de ônibus a diesel por veículos elétricos, além da construção de estações de recarga, modernização de garagens e reforço da rede elétrica urbana.
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Assim, a expectativa é beneficiar diretamente 1,3 milhão de moradores que vivem próximos a corredores de transporte e 280 mil usuários e motoristas regulares.
Transporte público no centro da agenda climática
Responsável por cerca de 10% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, o setor de transportes ocupa uma posição estratégica no cumprimento das metas climáticas nacionais.
Por isso, a eletrificação do transporte público aparece como uma das medidas mais eficazes para reduzir emissões no curto e médio prazo.
Então além do impacto ambiental, a mudança estrutural traz ganhos econômicos relevantes.
Segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a transição completa da frota pode gerar um incremento de R$ 300 bilhões na economia brasileira e criar mais de 500 mil empregos até 2050, fortalecendo a cadeia produtiva ligada à transição energética.
Como funcionará o financiamento dos ônibus elétricos
Na fase inicial, o programa prioriza a aquisição de ônibus elétricos e a implantação da infraestrutura necessária para sua operação eficiente.
Assim, a Caixa atuará como intermediária financeira, oferecendo crédito estruturado para governos locais e operadores privados.
Para Jean Rodrigues Benevides, vice-presidente em exercício da Caixa, o projeto representa um marco para o setor.
“A iniciativa assegura investimentos, assistência técnica e inovação para acelerar a transição energética e alinhar o país às metas climáticas nacionais”, destacou em nota.
Além disso, os novos veículos contribuem diretamente para a redução do ruído urbano e da poluição do ar, fatores que impactam a saúde pública e a qualidade de vida nos grandes centros.
Ônibus elétricos ganham espaço no Brasil
O programa chega em um momento de forte expansão da eletrificação no país. O Brasil superou recentemente a marca de mil ônibus elétricos em circulação, um avanço relevante, embora ainda abaixo de países como Chile e Colômbia.
Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que 306 ônibus elétricos foram emplacados no primeiro semestre de 2025, um crescimento de 141% em relação ao mesmo período de 2024.
Esse avanço reforça o papel da mobilidade urbana sustentável como tendência irreversível.
São Paulo lidera esse movimento, com 841 ônibus elétricos, o equivalente a 6,3% da frota municipal.
Assim, a meta da capital é atingir 20% da frota eletrificada até 2028, consolidando o transporte público como eixo central da descarbonização urbana.
Indústria nacional e geração de empregos
A expansão da frota elétrica também impulsiona a indústria. A BYD anunciou recentemente a construção de uma nova fábrica de chassis de ônibus elétricos no Brasil.
Assim, a previsão é elevar a produção anual para até 7 mil unidades nos próximos três anos.
O programa ainda incorpora uma agenda social relevante.
Créditos de carbono e sustentabilidade financeira
Outro diferencial é o desenvolvimento de um mercado de créditos de carbono associado aos projetos.
Assim, a medida pode gerar receitas adicionais, contribuindo para a sustentabilidade financeira das operações e ampliando o alcance da transição energética no setor de transportes.
Para Cécile Fruman, diretora do Banco Mundial para o Brasil, o momento é decisivo.
“É um ponto de inflexão para o transporte urbano no Brasil”, afirmou.
Desafio climático permanece no horizonte
Apesar dos avanços, o Plano Clima aponta que o transporte ainda representa um gargalo estrutural.
Assim, a forte dependência do modal rodoviário compromete a eficiência energética e dificulta a descarbonização, tornando o setor um dos poucos com previsão de aumento de emissões até 2030.
Em entrevista à EXAME, Aloisio de Melo, secretário nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Então nesse cenário, a ampliação dos ônibus elétricos surge como uma das soluções mais eficazes para alinhar mobilidade urbana, desenvolvimento econômico e transição energética no Brasil.

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