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Programa de ônibus elétricos investe US$ 500 milhões e acelera a descarbonização do transporte público

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 25/12/2025 às 11:00
Atualizado em 25/12/2025 às 11:01
Programa vai financiar 540 ônibus elétricos, impulsionar a descarbonização e transformar a mobilidade urbana no transporte público.
Foto: IA
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Programa vai financiar 540 ônibus elétricos, impulsionar a descarbonização e transformar a mobilidade urbana no transporte público.

O Brasil deu um passo decisivo rumo à descarbonização do transporte público com a aprovação de um programa internacional que vai financiar 540 ônibus elétricos e a infraestrutura necessária para sua operação.

A iniciativa, aprovada na segunda-feira (22) pelo Banco Mundial, prevê um investimento de US$ 500 milhões, será executada pela Caixa Econômica Federal e tem como objetivo acelerar a transição energética, reduzir emissões e melhorar a mobilidade urbana em cidades brasileiras. 

O projeto será implementado por meio de linhas de crédito voltadas a municípios e operadores de transporte, permitindo a substituição gradual de ônibus a diesel por veículos elétricos, além da construção de estações de recarga, modernização de garagens e reforço da rede elétrica urbana.

Assim, a expectativa é beneficiar diretamente 1,3 milhão de moradores que vivem próximos a corredores de transporte e 280 mil usuários e motoristas regulares

Transporte público no centro da agenda climática 

Responsável por cerca de 10% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, o setor de transportes ocupa uma posição estratégica no cumprimento das metas climáticas nacionais.

Por isso, a eletrificação do transporte público aparece como uma das medidas mais eficazes para reduzir emissões no curto e médio prazo. 

Então além do impacto ambiental, a mudança estrutural traz ganhos econômicos relevantes.

Segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a transição completa da frota pode gerar um incremento de R$ 300 bilhões na economia brasileira e criar mais de 500 mil empregos até 2050, fortalecendo a cadeia produtiva ligada à transição energética

Como funcionará o financiamento dos ônibus elétricos 

Na fase inicial, o programa prioriza a aquisição de ônibus elétricos e a implantação da infraestrutura necessária para sua operação eficiente.

Assim, a Caixa atuará como intermediária financeira, oferecendo crédito estruturado para governos locais e operadores privados. 

Para Jean Rodrigues Benevides, vice-presidente em exercício da Caixa, o projeto representa um marco para o setor. 

“A iniciativa assegura investimentos, assistência técnica e inovação para acelerar a transição energética e alinhar o país às metas climáticas nacionais”, destacou em nota. 

Além disso, os novos veículos contribuem diretamente para a redução do ruído urbano e da poluição do ar, fatores que impactam a saúde pública e a qualidade de vida nos grandes centros. 

Ônibus elétricos ganham espaço no Brasil 

O programa chega em um momento de forte expansão da eletrificação no país. O Brasil superou recentemente a marca de mil ônibus elétricos em circulação, um avanço relevante, embora ainda abaixo de países como Chile e Colômbia. 

Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que 306 ônibus elétricos foram emplacados no primeiro semestre de 2025, um crescimento de 141% em relação ao mesmo período de 2024.

Esse avanço reforça o papel da mobilidade urbana sustentável como tendência irreversível. 

São Paulo lidera esse movimento, com 841 ônibus elétricos, o equivalente a 6,3% da frota municipal.

Assim, a meta da capital é atingir 20% da frota eletrificada até 2028, consolidando o transporte público como eixo central da descarbonização urbana

Indústria nacional e geração de empregos 

A expansão da frota elétrica também impulsiona a indústria. A BYD anunciou recentemente a construção de uma nova fábrica de chassis de ônibus elétricos no Brasil.

Assim, a previsão é elevar a produção anual para até 7 mil unidades nos próximos três anos. 

O programa ainda incorpora uma agenda social relevante.

Créditos de carbono e sustentabilidade financeira 

Outro diferencial é o desenvolvimento de um mercado de créditos de carbono associado aos projetos.

Assim, a medida pode gerar receitas adicionais, contribuindo para a sustentabilidade financeira das operações e ampliando o alcance da transição energética no setor de transportes. 

Para Cécile Fruman, diretora do Banco Mundial para o Brasil, o momento é decisivo. 

“É um ponto de inflexão para o transporte urbano no Brasil”, afirmou. 

Desafio climático permanece no horizonte 

Apesar dos avanços, o Plano Clima aponta que o transporte ainda representa um gargalo estrutural.

Assim, a forte dependência do modal rodoviário compromete a eficiência energética e dificulta a descarbonização, tornando o setor um dos poucos com previsão de aumento de emissões até 2030. 

Em entrevista à EXAME, Aloisio de Melo, secretário nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

Então nesse cenário, a ampliação dos ônibus elétricos surge como uma das soluções mais eficazes para alinhar mobilidade urbana, desenvolvimento econômico e transição energética no Brasil. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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